Grupo Mantiqueira, maior produtor brasileiro de ovos, aposta no mercado externo para crescer

Empresa fechou 2023 com faturamento de R$ 2 bilhões, mais de 3 bilhões de ovos produzidos e 16,5 milhões de aves; objetivo é ganhar relevância no mercado internacional

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Por Leandro Silveira
Atualização:
Foto: Grupo Mantiqueira
Entrevista comMurilo PintoDiretor do Grupo Mantiqueira

O Grupo Mantiqueira, líder na produção de ovos no País, aposta no mercado internacional para crescer. Hoje cerca de 10% de seu faturamento vem das exportações, mas o potencial é muito maior, diz o diretor comercial do Grupo Mantiqueira, Murilo Pinto. Ele lembra que 2023 foi um ano histórico para a exportação do produto nacional, com aumento de 168% do volume embarcado para outros países, conforme dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, ele diz que a indústria de ovos pode seguir os mesmos passos de sucesso de outros segmentos de proteínas animais, em especial os de carnes bovina e de frango, que ocupam a liderança no mercado global. Para isso, diz, o ovo nacional precisará “provar a sua qualidade”.

A empresa trabalha também com a perspectiva de expansão dentro do País, após fechar o ano de 2023 com faturamento de R$ 2 bilhões, 16,5 milhões de aves em suas plantas e mais de 3 bilhões de ovos produzidos. No mercado doméstico, o foco é o Nordeste, o que poderia ocorrer por meio de alguma aquisição - a companhia nega que esteja negociando possível incorporação à JBS. Veja a seguir os principais pontos da entrevista:

Murilo Pinto, diretor do Grupo Mantiqueira Foto: Grupo Mantiqueira

Após um ano de exportação recorde de ovos do Brasil, com aumento de 168% no volume enviado ao exterior, o que o senhor espera de 2024?

A exportação foi influenciada pela gripe aviária, especialmente nos Estados Unidos, que abastecem o mundo com ovos. O Brasil entrou para ocupar esse espaço. Exportamos muito forte para Japão e Taiwan. Novos mercados se abriram, como o do Chile. Em janeiro, estamos fazendo a primeira exportação para Cuba. Para 2024, esperamos que Taiwan e Japão, os principais importadores, voltem à normalidade. Se a gripe aviária se mantiver controlada, a tendência é de equilíbrio no mercado, com a exportação não sendo tão robusta para esses destinos. Paralelamente, estamos construindo novas frentes de exportação para países que antes não acessávamos.

Mas o ritmo de exportação do Brasil em 2023 pode se repetir neste ano? O que pode mudar?

Acredito que o Brasil tenha condições de manter o nível de exportação do ano passado, mas não tão concentrado em poucos meses e países. Será um desempenho com mais regularidade ao longo do ano, assim como novos destinos.

Mesmo com o salto de 2023, o volume exportado de ovos pelo Brasil ainda é pequeno. Como crescer?

Temos uma fronteira com o boi e o frango, que têm mercados no mundo muito mais abertos. É uma oportunidade que podemos aproveitar. Nosso desafio com os ovos é provar nossa qualidade e que podemos suprir a demanda, tentando seguir o mesmo caminho dos segmentos de bovinos e de frango.

No caso específico da Mantiqueira, qual é a meta de exportação?

Atualmente, a exportação representa 10% do nosso negócio, mas ainda é pouco se pensarmos no nível atingido por grandes empresas das demais proteínas animais. Aumentar a exportação é uma meta qualitativa. Queremos estabelecer a Mantiqueira fora do Brasil, em países de moeda forte, como os Estados Unidos, por exemplo.

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No mercado interno, quais são os planos e principais focos de atuação da Mantiqueira neste ano?

Fechamos 2023 com um faturamento de R$ 2 bilhões, mais de 3 bilhões de ovos produzidos e 16,5 milhões de aves em nossas plantas. Temos foco especial na produção de galinhas livres de gaiolas, com investimentos na marca Happy Eggs a partir da ampliação das unidades de Lorena (SP), Formosa (GO) e São João de Itaperiú (SC). Em 2024, queremos fortalecer a marca e a Mantiqueira em todo o Brasil.

Como a Mantiqueira pretende expandir sua presença por aqui?

Hoje somos muito fortes no Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Queremos aumentar nossa presença no Nordeste, com uma unidade produtiva na região, seja por meio de aquisição ou construção. Projetamos um crescimento de 20% neste ano em volume, com o que já está endereçado. Isso pode aumentar com aquisições.

O consumo de ovos ficou estável no ano passado. Para este ano é possível esperar maior demanda interna?

A produção no Brasil diminuiu, refletindo o consumo. Neste ano, a produção será restabelecida e com aumento do consumo - teremos mais ovos no mercado interno. E a demanda está interessante: o ovo não é mais uma proteína substitutiva ou auxiliar. Hoje não sai mais do cardápio. O preço do frango não influencia mais na demanda do ovo, como no passado, mesmo com o frango mais barato. É até difícil definir o nosso público consumidor, pois todas as pessoas, de todos os perfis e idades, podem consumi-lo.

Em sua visão, quais são os principais desafios para o setor de ovos em 2024?

A gripe aviária é uma preocupação, mas toda a cadeia está trabalhando para evitar que atinja os plantéis comerciais. O segundo desafio é a expansão da produção de galinhas livres. É algo que o mercado está pedindo e é o nosso foco de crescimento com a marca Happy Eggs. O terceiro desafio é superar as barreiras para a exportação. Temos de seguir o caminho do frango e da carne, sendo o País que supre o mundo. O Brasil tem condições para isso.

A alta do preço do milho pode ser um desafio para os produtores de ovos?

As galinhas consomem milho e soja, que compõem boa parte da ração e dos custos. O preço do milho arrefeceu no segundo semestre, mas voltou a subir consideravelmente. Esse é um dos desafios que enfrentaremos em 2024, devido à escalada nos preços do milho. O suprimento não é uma preocupação, pois o País é um grande produtor. A discussão é o preço. O preço alto pressiona as margens das cadeias agropecuárias.

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