O anúncio de barreiras comerciais em série pelo presidente americano, Donald Trump, parece já estar tendo efeito negativo sobre as expectativas de inflação nos Estados Unidos. De acordo com sondagem da Universidade de Michigan feita com consumidores, a projeção de inflação para cinco anos à frente subiu para 3,5%, o maior patamar desde abril de 1995, em quase 30 anos.
Segundo o economista Alberto Ramos, Diretor de pesquisa econômica para a América Latina do banco Goldman Sachs, esse indicador tende a ser mais volátil, porque faz uma sondagem com os consumidores - que não rodam modelos como os economistas - mas já começa a refletir o noticiário apontando aumento dos preços por conta das medidas de Trump.
“Tem havido muita conversa na mídia sobre tarifas e inflação. Há uma certa expectativa de que o impacto inicial das tarifas talvez seja uma inflação mais alta temporária”, afirmou.
Ramos explica que o Fed, banco central americano, olha para vários indicadores ao mesmo tempo, o que tende a atenuar o efeito desse índice sobre a política monetária.
“Olhando para os microdados, as pessoas estão achando que a inflação está correndo a 10%, 15%. As famílias nem sempre são os agentes mais bem informados sobre a inflação. Elas tendem a se concentrar no processo que veem subir e se esquecem dos preços que não mudaram”, explicou.
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Ainda assim, as medidas de Trump no comércio externo são de fato inflacionárias, porque tendem a encarecer os produtos importados não só pelos consumidores, mas pela indústria americana, que tentará repassar esse aumento de preços.

Outra política que pode gerar inflação são as deportações de imigrantes em massa, que tendem a reduzir a oferta de mão de obra para o setor de serviços.
Para o Brasil, o risco de aumento de inflação nos EUA é uma má notícia, porque tende a deixar os juros mais altos por lá, atraindo investimentos em renda fixa e fortalecendo o dólar em relação ao real.






