Governo cria tarifa social de energia e joga conta nas costas da classe média, já sobrecarregada
No ‘Fala, Duquesa!’ desta semana, colunista comenta sobre a MP que reforma o setor elétrico e reduz a conta de luz para 100 milhões de pessoas.
BRASÍLIA - A escalada dos preços da energia elétrica e do gás natural nos últimos 25 anos foi uma das principais responsáveis pela inflação superior à meta no Brasil, afetando diretamente o custo de vida das famílias e comprometendo a competitividade da indústria. É o que mostra um estudo divulgado nesta quinta-feira, 3, pela Abrace, associação que representa os grandes consumidores de energia.
Conforme o estudo, o aumento de preços de diversos bens e serviços decorreu principalmente do repasse dos custos de produção e distribuição de energia. Entre 2000 e 2024, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado foi de 326%, o custo unitário da energia elétrica cresceu 1.299% e o do gás natural 2.251% — quatro e sete vezes a inflação, respectivamente.
Entre os alimentos, o pão francês subiu 509% no período, sendo 85% disso atribuído à energia. O mesmo ocorre com o leite longa-vida (86%) e o queijo (92%). A lista segue com cimento (31,6%), gás de botijão (53,1%) e ônibus urbano (19,9%). O estudo foi elaborado pela Ex Ante Consultoria Econômica.

Para além da inflação ao consumidor, o estudo alerta para impactos indiretos na perda de dinamismo industrial, a compressão de margens, a retração de investimentos, além de efeito negativo sobre o emprego.
“Essa pressão silenciosa da energia sobre os preços tem sido um dos principais obstáculos à estabilidade econômica do País”, afirma o presidente da Abrace, Paulo Pedrosa.
Críticas à MP
Para a Abrace, a MP da reforma do setor elétrico (1.300/2025), em debate no Congresso Nacional, tem potencial de piorar o quadro e encarecer mais os custos de energia.
A MP propõe, entre seus itens, redistribuir encargos para os consumidores do mercado livre, incluindo a indústria, para, entre os objetivos, custear a nova política de redução de tarifa aos mais pobres.
O estudo projeta que, se aprovada sem alterações, a MP provocará um repique inflacionário de até dois pontos porcentuais no IPCA ao longo dos próximos anos.
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“Trata-se de uma transferência ineficiente e injusta de custos, que penaliza os setores produtivos e agrava o custo dos produtos essenciais, justamente aqueles que mais afetam a população de baixa renda”, afirma Pedrosa.
A Abrace defende que os subsídios sociais sejam custeados por instrumentos de política pública, como o Orçamento Geral da União, e não por repasses à cadeia produtiva. A entidade reforça que o País só poderá aproveitar plenamente sua vantagem competitiva em energia limpa e renovável se resolver suas distorções tarifárias e regulatórias.




