Quais foram os bairros onde os imóveis mais se valorizaram em SP e Rio? Veja lista e entenda motivos

Áreas nobres têm apartamentos que chegam a custar duas vezes mais do que a média de preços de imóveis das cidades; confira mapa interativo

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Foto do autor Lucas Agrela

Os preços dos imóveis em São Paulo subiram, em média, 6,19% em 2024, de acordo com dados da FipeZap, que monitora mensalmente o mercado imobiliário nacional. Mas alguns bairros da capital paulista têm valores que chegam a ser 180% acima do patamar da cidade.

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No topo do ranking, Vila Nova Conceição, Cidade Jardim e Ibirapuera registraram preços do metro quadrado (m²) acima de R$ 20 mil.

No Rio de Janeiro, os valores avançaram 2,8% no ano, mantendo Leblon e Ipanema no topo do mercado, também com custo acima de R$ 20 mil por m² (veja nos mapas interativos abaixo).

Segundo especialistas, as áreas têm preços elevados devido a fatores como:

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  • Proximidade dos principais eixos comerciais da cidade, como a Faria Lima e a Vila Olímpia;
  • Oferta de infraestrutura de serviços, como bares e restaurantes;
  • Lançamento de projetos imobiliários novos, que naturalmente chegam ao mercado custando mais caro do que os mais antigos.

Para Paula Reis, economista da DataZap responsável pelo levantamento, o aumento de preços nas duas capitais em 2024 ocorreu por motivos semelhantes e relacionados à demanda por moradia em áreas desejadas.

“O processo de urbanização de São Paulo e do Rio de Janeiro, assim como em outros grandes centros urbanos no Brasil e no mundo, resultou no adensamento da população nas áreas com melhor infraestrutura, gerando, nos dias atuais, escassez de terrenos e, consequentemente, preços mais elevados dos imóveis localizados nessas regiões”, afirma.

Praça Pereira Coutinho, na VIla Nova Conceição, é um dos pontos que mais valorizam imóveis na cidade de São Paulo Foto: Felipe Rau/Estadão

A Vila Nova Conceição, que fica entre a Av. República do Líbano e a Av. Brigadeiro Faria Lima, fica próxima do parque Ibirapuera e dos edifícios corporativos mais caros da cidade, que abrigam algumas das maiores empresas com escritórios em São Paulo.

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A área tem projetos de empresas como Barbara, Diálogo e Tegra. De acordo com levantamento da imobiliária de luxo Mbras, a Praça Pereira Coutinho, localizada no bairro, é um dos pontos que impulsionam a valorização dos imóveis do entorno na cidade.

Já a Cidade Jardim tem como principal projeto o da JHSF, que está expandindo seu complexo residencial e misto no entorno do Shopping Cidade Jardim e deve transformar a região em uma versão paulistana de Puerto Madero (região turística de Buenos Aires).

O residencial Reserva Cidade Jardim, já em construção, por exemplo, tem preços que podem chegar a R$ 100 mil o m². A inauguração mais recente do projeto de expansão da JHSF foi a Casa Fasano, tradicional espaço de eventos da capital paulistana, que tem capacidade para receber mil pessoas. O Shopping Cidade Jardim também está entre os pontos que mais valorizam propriedades em São Paulo.

Valorização dos imóveis no Rio

No Rio, o mercado imobiliário tem características diferentes das de São Paulo para a valorização das propriedades. “No Rio de Janeiro, os bairros com apartamentos residenciais mais caros também têm preços acima da média nacional e da média da cidade, tanto para venda quanto para locação. Trata-se de regiões com boa infraestrutura urbana, porém, diferentemente de São Paulo, não são tão próximas do distrito central de negócios”, diz Paula.

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A capital fluminense teve um ano de 2024 marcado por grandes negócios. A Cyrela, junto ao Safra, vendeu mais de R$ 630 milhões nos condomínios chamados Ox e Woods Park Design by EDSA, localizados na Barra da Tijuca, na zona oeste.

Outro negócio que deve mexer com o mercado imobiliário da cidade foi a compra, no fim de novembro, de quase todas as unidades do edifício A Noite pela gestora Brookfield. Reconhecido pelo valor histórico de ser o primeiro arranha-céu do Brasil, o prédio terá seus apartamentos colocados para locação de curta temporada para aproveitar o potencial turístico da região. Ele está em reformas e deve ficar pronto em 2027.

O que causa aumento de preços de imóveis?

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De acordo com Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos de construção do FGV IBRE, o preço dos imóveis novos envolve diferentes fatores, como o custo da construção. Esse indicador, diz, foi impactado no último ano pela falta de profissionais em obras devido à pujança do mercado imobiliário no País. Já a valorização dos imóveis antigos vem a reboque dos novos.

“O preço final do imóvel é resultado de uma composição, que tem desde o preço do terreno e o custo de construir e, no final das contas, a demanda, que é o que vai validar ou não um preço mais elevado. O próprio preço do terreno já está relacionado com essa demanda”, afirma.

Entre os impulsionadores da demanda, segundo Ana, estão o desejo por proximidade a regiões com opções de lazer, educação e trabalho, além do sonho de morar em determinado bairro, como o Itaim Bibi ou a Vila Nova Conceição. Com isso, uma consequência observada nessas regiões é o encolhimento dos apartamentos, que chegam a custar mais de R$ 1 milhão em tipologias de apenas um dormitório.

“A pessoa poderia morar num imóvel de dois dormitórios numa região mais afastada, como Pinheiros, mas prefere sacrificar o espaço e estar nessa localidade, especialmente quando mora sozinha ou, no máximo, um casal”, diz Ana.

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