Gerando resumo
BRASÍLIA - O Banco Master segue em negociações com “vários grupos”, de acordo com interlocutores ligados ao banco, sobre o desfecho dos seus ativos que não serão comprados pelo banco BRB, de Brasília. Entre eles, está a família Batista, do grupo J&F, que foi ao Banco Central na última quinta-feira, 1, para falar de assuntos “regulatórios”. Isso porque o presidente do Banco, Gabriel Galípolo, está em período de silêncio por conta da reunião do Copom na próxima semana, e, por isso, está impedido de ter conversas sobre qualquer assunto relativo à política monetária.
Além da J&F, também já teriam avaliado os ativos do Master os bancos Safra e BTG, além da Prisma Capital, como informado pelo jornal O Globo, e a Jive Mauá, segundo o Valor Econômico, e confirmados pelo Estadão.
Procurado, o Banco Master não se manifestou.

O Master ainda aguarda o fim da auditoria que está sendo feita pelo BRB em seus ativos. Por isso, a expectativa, agora, é de que o negócio seja analisado pelo BC até o fim de maio, e não mais “nos próximos dias”. O BC ainda precisa esperar o término dessa análise e só então ter um quadro completo sobre o desenho dessa operação pelo banco público.
Nessas reuniões, Galípolo tem dito que não cabe ao BC desenhar a proposta, mas que aguarda um modelo completo que resolva em definitivo o caso do Master.
Ontem, após a reunião, conforme apurou o Estadão/Broadcast, diretores do BC não negaram que as conversas entre Joesley Batista tenham sido sobre a compra do Master. O diretor de fiscalização, Ailton Aquino, um dos ouvidos na saída, respondeu apenas que a reunião foi “boa”. Este foi o terceiro encontro entre integrantes da família Batista e o Banco Central nos últimos 30 dias.
Apesar de ser apontado como possível comprador, conforme mostrou o Estadão, o BTG emitiu nota oficial, após ser provocado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) negando que esteja em negociação com o Master. Fontes a par das conversas, de toda forma, afirmam que o banco avalia ativos e pode fazer proposta, a depender das condições das negociações.
Master tem risco dos dois lados
Após um crescimento exponencial nos últimos anos, o Banco Master passou a despertar atenção de analistas e do próprio Banco Central. De um lado, o Master passou a captar recursos por meio da emissão de Certificado de Depósito Bancário (CDS) com juros muito acima dos praticados pelo mercado. Esse passivo do banco torna o cenário à frente desafiador, já que terá bilhões em dívidas para honrar nos próximos meses e anos.
Ao mesmo tempo, o banco usou esses recursos para investir em ativos de alto risco e de baixa liquidez, como, por exemplo, empresas com problemas, precatórios e direitos creditórios. É esse “espólio”, que não despertou interesse do BRB, que está agora em negociação com bancos e fundos privados.
Leia também
Banco da Amazônia comprou R$ 40 milhões em títulos sem garantia do Banco Master
Banco Master informou ter mais de 700 mil clientes de CDBs, em apresentação a investidores
No mercado, contudo, esses ativos, principalmente os precatórios e direitos creditórios (dívidas que o governo tem a pagar, após decisão judicial) têm preço. A dificuldade é que cada papel tem uma característica diferente e precisa de uma análise em separado.
Quem comprar esses ativos precisará ter fôlego para aguardar as datas de pagamentos, que podem atrasar, mas, ao mesmo tempo, ter grande rentabilidade. Por isso, como informou o Estadão, o Master pode vender um pedaço ao BRB, outros pedaços a diversos grupos, e ainda manter parcerias.
Para um banco como o Master, contudo, essa falta de liquidez e incerteza é um problema, diante do calendário de pagamentos dos CDBs.
Os três principais bancos privados do País, como mostrou o Estadão, temem que o caso Master aumente o “risco moral” no sistema financeiro, por isso relutam em autorizar o uso do FGC como suporte a uma operação de socorro. O Itaú, maior banco privado do País e maior financiador do FGC, está à frente dessa posição.





