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Bastidores do mundo dos negócios

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Bancos veem conversão de dívida da Casas Bahia em ações como provável

Bancos como acionistas não é movimento inédito; o mesmo ocorreu com a Americanas

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Foto do autor Júlia Pestana
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Atualização:
As ações da Casas Bahia acumulam alta de mais de 100% só este ano Foto: Taba Benedicto/Estadão

Os resultados da reestruturação financeira da Casas Bahia tornam provável a conversão de parte da dívida da companhia em ações por parte de Bradesco e Banco do Brasil, que são os dois maiores credores da empresa. Executivos das instituições, que apoiaram o plano de recuperação extrajudicial da varejista, consideram nos bastidores que as mudanças operacionais implementadas pela atual gestão estão dando os resultados esperados, e que a reestruturação do endividamento foi bem-sucedida.

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Se o cenário continuar positivo como agora, é “provável” que a conversão aconteça, de acordo com executivos consultados pela Coluna sob anonimato.

A conversão pode ocorrer durante seis janelas (trimestrais), sendo a primeira em outubro deste ano, e depois, os bancos terão novas datas para exercer essa opção a cada trimestre até o ano de 2027. Os bancos poderão converter em ações parte do que têm a receber da empresa, por terem aderido à recuperação extrajudicial lançada no ano passado.

 Embora os bancos tradicionalmente prefiram não ser acionistas de empresas de outros setores, o movimento não é inédito: foi isso que aconteceu na recuperação judicial da Americanas, onde os credores acabaram sendo forçados a se tornarem sócios da varejista, e há uma chance de que o mesmo ocorra no caso da Braskem, que há alguns anos procura um comprador. Nas áreas, Gol e Azul, credores também devem virar acionistas. A conversão de dívida em ações é uma forma de recuperar o crédito, neste caso, vendendo os papéis no mercado. O que muda agora é que os bancos veem o movimento com bons olhos.

 Caso os bancos optem por converter a dívida, o preço de subscrição das ações será equivalente a 80% do valor médio ponderado dos papéis ao longo dos 90 dias anteriores à conversão.

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Se o processo de retomada continuar correndo como o previsto e a ação subir ao longo dos períodos, os bancos “aumentariam” a recuperação de crédito sob essa fórmula. As ações da Casas Bahia acumulam alta de mais de 100% só este ano, em meio a um desmonte de posições que apostavam contra a recuperação da varejista.

Voto de Confiança

 O empresário Michael Klein, filho do fundador da companhia Samuel Klein, sinalizou este mês apoio ao atual time que comanda a Casas Bahia. Em março, ele se lançou candidato à presidência do conselho de administração da varejista, com a ideia de acelerar o crescimento da empresa. Mas este mês, ele desistiu da candidatura e divulgou uma carta em que afirma que essa atitude representa um “voto de confiança aos esforços adotados pela atual administração, em especial pela diretoria, em busca do saneamento da situação financeira da companhia”.

 A “provável” conversão de parte da dívida em ações surge após este recuo de Klein. Antes disso, quando sua entrada ainda era articulada, uma fonte ouvida pelo Broadcast comentou que o empresário e o Bradesco concordaram em “deixar rolar a dívida” e não ter uma fatia acionária abocanhada pelo banco.

Procurado, o Grupo Casas Bahia afirmou que a conversão “não é uma certeza, é uma opção dos bancos”. O direito de abater a dívida com ações foi adquirido no acordo de reperfilamento e, desde então, a varejista disse que tem acompanhado o tema com “tranquilidade” e que não tem afetado a execução do plano de transformação. O Bradesco e o Banco do Brasil decidiram não comentar o assunto.

O ano de 2025 ainda deve ser de reestruturação financeira da companhia, que planeja voltar a expansão da rede de lojas em 2026. Até agora, 2023 foi considerado um dos anos mais desafiadores da história do grupo, fundado há mais de 70 anos, em meio aos juros altos e os problemas no setor causados pelo rombo da Americanas. Não fosse a ação dos bancos credores, o destino da companhia poderia ter sido bem pior, comenta um interlocutor.

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Esta notícia foi publicada no Broadcast+ no dia 17/04/2025, às 11:19.

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