
Duas empresárias brasileiras com vivência na Suécia decidiram voltar para o Brasil e abrir um negócio próprio de consultoria e administração de moradias para idosos. A inspiração veio justamente dos países nórdicos, que já estão mais avançados na adaptação dos empreendimentos para atender as necessidades da terceira idade.
A nova empresa foi fundada pela gestora Daline Moura Hällbom, que atua há 17 anos no mercado imobiliário (ex Abyara, Tecnisa e The Coral), e pela arquiteta Beatriz Pons Korsar, com 13 anos de experiência em projetos suecos de asilos e apartamentos para idosos. Juntas, elas lançaram uma empresa batizada de Söderhem, voltada ao desenvolvimento de projetos junto com as incorporadoras e posterior gestão dos imóveis.
O negócio foi aberto em Florianópolis - sonho de consumo da terceira idade pós-aposentadoria - e está prestes a fechar os primeiros dois prédios na cidade, com lançamentos previstos para o ano que vem na região da Lagoa da Conceição e no Centro. O negócio terá parceria da catarinense Embracon, administradora de condomínios.
Segmento ainda é pouco explorado no País
“Estamos tentando trazer para o Brasil um modelo que já é sucesso na Suécia, que é a moradia para idosos com dignidade e autonomia”, conta Beatriz. “Um problema que vamos enfrentar no futuro é o déficit habitacional para as pessoas acima de 60 anos”, complementa Daline, apontando o envelhecimento da população brasileira.
O mercado imobiliário daqui ainda não tem um conceito amplamente estabelecido de habitação para idosos, ao contrário do que acontece na Suécia, por exemplo, onde mais de 20% da população já tem mais de 65 anos. Por lá, é mais comum haver opções de moradias pensadas nas necessidades específicas das pessoas mais velhas.
De acordo com pesquisa de mercado feita pela Söderhem, cerca de 215 cidades suecas (74% do total) têm o chamado senior living, que são apartamentos com adaptações que facilitam o dia a dia, como portas mais amplas, barras de apoio, piso antiderrapante, sensores de queda e móveis planejados, entre outros itens. Já em 176 municípios (60%) há moradias em cujo condomínio existe alguma assistência médica. E em 278 localidades (96%) existem casas de longa permanência, com maior atenção médica (o equivalente aos asilos daqui).
Modelo terá adaptações locais
O foco da Söderhem será o senior living nos moldes suecos, mas turbinando o condomínio com espaços de vivência e bem-estar com jeitinho brasileiro, que vão de horta a ioga, além de eventos que ajudem a promover a socialização dos moradores. “Buscamos criar o senso de comunidade. O prédio é para pessoas que estão no mesmo barco, se aposentaram, os filhos cresceram e às vezes bate a solidão”, diz Daline.
A concepção dos projetos prevê apartamentos de 50 a 80 metros quadrados, com um a dois quartos (os estúdios foram descartados por serem muito pequenos). O modelo de negócios pode ser baseado na venda ou na locação de cada unidade, atraindo desde compradores que vão morar no local ou investir. A administração ficará com a Söderhem para que se possa implementar e manter as atividades comunitárias.
O grande desafio é superar a barreira do preço, já que as unidades devem girar em torno de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão, o que restringe o público-alvo a famílias com renda na faixa dos R$ 40 mil. “Primeiro vamos nos consolidar no mercado. Posteriormente, pretendemos colaborar com o governo para levar esse modelo para o público de média e baixa renda, com projetos que tenham escala”, Daline.
Outras iniciativas
O mercado no Brasil ainda é incipiente, mas alguns empresários também já têm dado seus primeiros passos na área. O dono da Vitacon e da Housi, Alexandre Frankel, anunciou recentemente uma linha própria de moradias para idosos em São Paulo. O acionista e filho do fundador da Tecnisa, Joseph Nigri, também colocou na rua um projeto próprio nessa linha.
Esta notícia foi publicada no Broadcast+ no dia 10/07/2025, às 18:26.
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