Copom sobe Selic para 15% ao ano e sinaliza fim do ciclo de alta de juros na próxima reunião

Decisão unânime coloca Selic no maior nível desde julho de 2006, governo Lula 1; BC pontua, porém, que ‘poderá prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado’

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Foto do autor Cícero Cotrim
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Atualização:

BRASÍLIA – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aumentou nesta quarta-feira, 18, a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto porcentual, de 14,75% para 15% ao ano. A decisão foi unânime.

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No comunicado, o Copom antecipou que pode interromper o ciclo de alta de juros na próxima reunião do colegiado, no final de julho, para examinar os impactos do ajuste já realizado. O colegiado frisou, porém, que “não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado”.

“Em se confirmando o cenário esperado, o Comitê antecipa uma interrupção no ciclo de alta de juros para examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado, ainda por serem observados, e então avaliar se o nível corrente da taxa de juros, considerando a sua manutenção por período bastante prolongado, é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o comunicado.

Desde setembro, o BC já aumentou a Selic em 4,50 pontos, o segundo maior ciclo de alta dos últimos 20 anos – perdendo apenas para a alta de 11,75 pontos entre março de 2021 e agosto de 2022, que ocorreu após o fim da pandemia.

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Com a decisão desta quarta, o Copom colocou os juros no maior nível nominal desde julho de 2006, no primeiro governo Lula, quando o Copom cortou a taxa de 15,25% para 14,75% ao ano.

O mercado financeiro estava dividido sobre a decisão do Copom – 21 das 48 instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast previa uma alta adicional nesta quarta.

No encontro de maio, quando aumentou a taxa em 0,5 ponto, o colegiado havia mencionado que, devido ao cenário de elevada incerteza em meio ao estágio “avançado” do ciclo de ajustes, haveria “cautela adicional” da atuação da política monetária.

Nova medida para cheque especial foi apresentada ao Banco Central pela Febraban. Foto: Dida Sampaio/Estadão Foto: Dida Sampaio/Dida Sampaio/Estadão

No comunicado, o Copom afirmou que será necessário manter a taxa de juros em um nível “significativamente contracionista” por um período prolongado para assegurar a convergência da inflação à meta, considerando a desancoragem das expectativas.

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“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho”, destacou o colegiado. “O comitê segue acompanhando com atenção como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros”, acrescentou.

Cenário incerto

O Copom avaliou que o ambiente externo segue adverso e particularmente incerto, sobretudo por causa da conjuntura econômica e política dos Estados Unidos, com as mudanças na política comercial e fiscal

“Além disso, o comportamento e a volatilidade de diferentes classes de ativos também têm sido afetados, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário segue exigindo cautela por parte de países emergentes em ambiente de acirramento da tensão geopolítica”, diz o comunicado.

O colegiado ainda avaliou que, considerando o cenário doméstico, o conjunto de indicadores de atividade e mercado de trabalho segue apresentando algum dinamismo, mas houve moderação no crescimento. “Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes mantiveram-se acima da meta para a inflação”, diz.

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Juro real

Com a elevação de 0,25 ponto na Selic, o Brasil passa a ter a segunda maior taxa real de juros do mundo, com 9,53%, segundo ranking do site MoneYou. O País está atrás apenas da Turquia, com 14,44%, e à frente de Rússia (7,63%), Argentina (6,70%) e África do Sul (5,54%).

O BC calcula que a taxa real neutra de juros do Brasil – que não estimula, nem deprime a economia – é de 5,0%.

Inflação

O Copom manteve a sua projeção para a inflação acumulada em 12 meses até o fim de 2026, horizonte relevante da política monetária. A estimativa seguiu em 3,6% no cenário de referência, distanciando-se do teto da meta, de 4,50%.

Apesar da redução, a estimativa ainda indica que a trajetória da taxa Selic embutida no relatório Focus – com juros em 14,75% até o fim deste ano, e caindo a 12,50% no fim do ano que vem – seria insuficiente para fazer a inflação convergir ao centro da meta, de 3%, no período de seis trimestres observado pelo Banco Central (BC).

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Desde a última reunião, de janeiro, a cotação do dólar usada pelo comitê nas suas projeções caiu de R$ 5,70 para R$ 5,60. As medianas do Focus para o IPCA de 2025 e 2026 passaram de 5,53% para 5,25%, e de 4,51% para 4,50%, respectivamente. Os preços do petróleo aumentaram.

A projeção do Copom para o IPCA acumulado em 2025 passou de 4,8% para 4,9%, também acima do teto da meta, de 4,50%.

Todas as estimativas levam em conta a evolução da taxa de câmbio conforme a paridade do poder de compra (PPC), a trajetória de Selic embutida no relatório Focus e o preço do petróleo seguindo a curva futura por aproximadamente seis meses, passando a aumentar 2% ao ano posteriormente.

Também nesse cenário de referência, o Copom ajustou as suas projeções para a inflação de preços livres em 2025 (5,3% para 5,2%) e manteve a projeção de 2026 (3,4%). A projeção para os preços administrados passou de 3,5% para 3,5% este ano e de 4,0% para 4,1% no horizonte relevante.

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