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Denúncias feitas ao Ministério Público do Trabalho relacionadas ao calor crescem 381% em dois anos

Em 2022, haviam sido 154 denúncias; em 2024, ano mais quente da história, elas chegaram a 741

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Foto do autor Luciana Dyniewicz
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O número de denúncias no País relacionadas ao calor e ao desconforto térmico feitas ao Ministério Público do Trabalho (MPT) passou de 154 em 2022 para 741 em 2024 — o ano mais quente da história —, um incremento de 381%. No acumulado de 2025 até agosto, porém, houve uma queda discreta, de 1,9%, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

De acordo com Cirlene Zimmerman, procuradora titular da Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho e da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, as denúncias aumentam quando há ondas de calor e são feitas, em grande parte, por trabalhadores que atuam em ambientes fechados cuja climatização não mantém conformo térmico. “Há relatos de pessoas desmaiando em pequenos comércios.”

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Trabalhadores que fazem transporte de carga e de passageiros, da construção civil, de manutenção de redes de telefonia, de entregas e de vigilância também estão entre os que costumam fazer as denúncias, diz Zimmerman.

Diante do aumento de denúncias registrado, o MPT criou uma linha de diálogo entre sindicatos patronais e dos trabalhadores para tratar das consequências do aquecimento global.

Ano mais quente da história, 2024 teve também recorde de denúncias relacionadas ao calor  Foto: Werther Santana/Estadão

Entre as conversas abertas pelo MPT estão as com diferentes sindicatos de vigilantes. Nesse caso, uma das iniciativas é negociar o uso de uniformes mais frescos em dias quentes.

Com base nesse diálogo, o acordo coletivo da categoria do Estado de São Paulo assinado neste ano incluiu uma menção ao uso de bermudas e camisas de manga curta para vigilantes que ficam expostos ao sol. O uniforme, porém, precisa ser aprovado pela Polícia Federal.

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Zimmerman afirma que, hoje, cabe às empresas identificar os riscos e adotar medidas de prevenção, como alterar os horários de trabalho — evitando exposição do funcionário ao Sol nos horários mais quentes —, conceder pausas, fornecer água potável em temperatura adequada e reposição de sais minerais, além de uniformes frescos.

Entre empregadores, porém, a mudança no horário de trabalho é vista com ressalvas. Há acordos coletivos na construção civil, por exemplo, que preveem que, a partir das 17h, é preciso pagar hora extra — o que dificulta uma alteração de jornada.

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