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Juro de 15%, contas públicas precárias e insegurança fiscal marcarão o início de ano eleitoral

Já complicado, o quebra-cabeça financeiro enfrentado pela equipe econômica poderá tornar-se mais desafiador; um alívio dos juros, talvez a partir de fevereiro, poderá facilitar seu jogo

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Foto do autor Rolf Kuntz

O presidente Lula vai iniciar o último ano do atual mandato — e o novo período eleitoral — com as contas públicas em condição precária, insegurança fiscal e juros básicos de 15%, os mais altos desde julho de 2006, quando a taxa caiu de 15,25% para 14,75% ao ano.

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Implantados em junho, os juros atualmente em vigor foram mantidos nas quatro reuniões seguintes do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, formado por diretores da instituição.

No informe distribuído logo depois de sua última reunião, no início da noite de quarta-feira, o Comitê destaca a insegurança gerada pelo governo dos Estados Unidos, a “resiliência” da inflação de serviços e — como em outras ocasiões — a “desancoragem” das expectativas no mercado brasileiro.

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Uma política da equipe econômica com foco em contenção poderá prejudicar as condições de emprego, atualmente favoráveis ao governo Lula, e complicar a campanha petista Foto: Wilton Junior/Estadão

Sem meios de interferir na política do presidente Donald Trump, o governo brasileiro dispõe de poucos meios, além do câmbio e da própria taxa de juros, para reduzir o efeito inflacionário das condições externas.

Essas e outras medidas prejudiciais ao crescimento econômico são especialmente difíceis, para o governo da União, num período de campanha eleitoral. O presidente Lula já indicou interesse em reeleger-se e uma política de aperto anti-inflacionário será para ele um desafio adicional.

Dificilmente, no entanto, o poder federal conseguirá frear a alta de preços, a partir de agora, sem alguma contenção de gasto e, portanto, sem alguma limitação à estratégia eleitoral do presidente.

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Projeções do mercado apontam inflação acima de 4% — e próxima do teto da meta. 4,5% — em cada um dos próximos dois anos. Uma política de contenção poderá prejudicar as condições de emprego, atualmente favoráveis ao governo, e complicar a campanha petista.

O presidente Lula dispõe, no entanto, do programa de benefícios fiscais aos grupos de baixa e de média rendas e poderá usá-lo politicamente, se conseguir sustentar seu custo. Já complicado, o quebra-cabeça financeiro enfrentado pela equipe econômica poderá tornar-se mais desafiador. Um alívio dos juros, talvez a partir de fevereiro, poderá facilitar seu jogo.

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Análise por Rolf Kuntz

Jornalista