Com grande participação no mercado imobiliário, o Minha Casa Minha Vida (MCMV) responde atualmente por metade dos lançamentos e das vendas de imóveis residenciais novos em todo o País. “Isso mostra a estabilidade do MCMV, mesmo com o aumento da taxa de juros (Selic), que afeta as linhas de crédito, em especial o habitacional”, afirmou o secretário nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Hailton Madureira de Almeida, no Summit Imobiliário, realizado nesta segunda-feira, 30, em São Paulo, dentro do Dia do Mercado Imobiliário Estadão.
De acordo com Almeida, ao longo dos últimos dois anos foram feitos diversos movimentos para melhorar o cenário, entre eles, o secretário destaca a longa discussão no Supremo Tribunal Federal sobre correção do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o alongamento do prazo de financiamento e a redução da taxa de juros. “Hoje, o programa está estável com a expectativa de fazer 600 mil casas este ano e mais 600 mil em 2026.”
Mesmo com o avanço das iniciativas no setor imobiliário, o Brasil ainda observa o déficit imobiliário, em torno de 6 milhões de domicílios. Para Almeida, uma das explicações para essa questão é a baixa relação entre crédito imobiliário e Produto Interno Bruto (PIB), comparado a outros países.
“No Chile, a relação é de 30%, na Alemanha e nos Estados Unidos passa de 50%. Aqui, tínhamos um patamar perto de 5%, e, este ano, chegamos a 10%. No entanto, temos de planejar ir a 20%, para assim, alcançarmos o volume de 5 milhões, 6 milhões de casas.”
Além do déficit habitacional, o Brasil vivencia a inadequação de casas. De acordo com Almeida, são 20 milhões de casas nesse perfil. Pensando nesse público, o Ministério das Cidades irá lançar um programa em breve que irá oferecer crédito para melhorias habitacionais.
“O brasileiro faz uma casa por etapas, de acordo com a disponibilidade do crédito que ele tem. Com isso, é comum observamos famílias vivendo em imóveis inadequados. O Censo mostrou que há 1,3 milhão de famílias vivendo sem um banheiro em casa.”
Almeida salientou que há ainda o desenvolvimento de um programa de locação social que terá como objetivo atender o público da terceira idade, que segundo ele, conta com uma renda fixa, porém, já não tem mais o foco de financiar um imóvel no prazo de 30 anos.
A expectativa é de que os novos programas sigam o mesmo caminho que as últimas novidades do MCMV. Segundo Almeida, entre eles, está o fato de o programa ter conseguido alcançar quem ganha até dois salários mínimos.
“A família que ganha até dois salários mínimos, em São Paulo, por exemplo, provavelmente está pagando aluguel. E se ela está pagando aluguel, ela tem capacidade de pagar uma prestação. Se juntamos esforços com o financiamento da Caixa, o subsídio do MCMV, a parceria entre os governos locais, conseguimos ofertar o crédito que essa família consegue pagar e, assim, viabilizamos o imóvel”, exemplifica.
Prova dessa matemática é que, em 2024, foram feitos 200 mil financiamentos imobiliários nesta faixa. Este ano, esse grupo já representa 40% dos financiamentos. “Em um país diverso como o Brasil, para que seja possível viabilizar a estrutura financeira para a compra do imóvel é fundamental que haja várias iniciativas”, diz o diretor executivo de Habitação da Caixa Econômica Federal, Roberto Carlos Ceratto.
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Outro destaque foi a criação da faixa 4 do MCMV, com foco em atender o público de classe média que ganha de R$ 8 a R$ 12 mil por mês com financiamentos de até 420 meses para aquisição de moradias no valor de até R$ 500 mil, com taxas em torno de 10%.
Segundo Ceratto, o faixa 4 começou em maio e é um produto que ainda está sendo adequado, mas já apresenta resultados expressivos. “Tivemos mais 560 mil simulações no site. Além disso, já temos 12 mil unidades que estão com o processo de financiamento em andamento.”
O Dia do Mercado Imobiliário Estadão tem patrocínio da AW Realty Incorporadora e do QuintoAndar e apoio da CDHU.




