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Com lojas menores, livrarias deixam as megastores para trás

Redes reduzem espaço de unidades e cortam custos para garantir viabilidade; mineira Leitura assume a liderança do mercado

Foto do author Fernanda Guimarães
Foto do author Fernando Scheller
Por Fernanda Guimarães e Fernando Scheller
Atualização:

O perfil das livrarias no Brasil mudou de vez. Assim como ocorreu no exterior, as grandes redes viram sua influência minguar – por aqui, tanto Saraiva quanto Cultura estão em recuperação judicial. As megastores, que vendiam de tudo e tinham a intenção de ser um “ponto de destino” para o apreciador de literatura, praticamente sumiram.

Com um mercado muito menor nas mãos, já que boa parte do consumo migrou para o online, a austeridade virou agora a palavra de ordem no setor. 

Seibel, da Livraria da Vila, tem aberto novas lojas, ocupando espaços como o do Shopping Eldorado Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Depois de chegar a 114 unidades, a endividada Saraiva tem hoje 40 unidades em operação – muitas delas com dificuldades para encher as prateleiras de livros.

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A Cultura, conhecida pelas lojas bem decoradas, só tem cinco operações. Desta forma, o posto de maior livraria do País acabou caindo no colo da mineira Leitura. 

Papelaria atrai público

Comendo pelas bordas, a rede do empresário Marcus Teles é forte nas regiões Norte e Nordeste. Com um crescimento na base do “devagar e sempre”, a empresa criada em 1967 está próxima da marca de cem unidades.

Além dos livros, a rede tem um forte foco em papelaria – no Shopping West Plaza, em São Paulo, é o material escolar que domina a entrada, e não os livros mais recentes.

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Seguindo os passos da Leitura, a Livrarias Curitiba tem hoje 25 lojas. A companhia está preparando no momento um plano físico de expansão. Entre os planos para fechar as contas está a criação de mezaninos, que garantem mais espaço de venda sem acréscimo no aluguel, conta Marcos Pedri, diretor comercial da Curitiba. 

A estratégia também tem sido a de usar itens de papelaria para atrair o público. Apesar de deixar claro que seu principal negócio é vender livros, a empresa identificou que 60% dos compradores de livros entram na loja atrás de papelaria. “O cliente acaba sendo fisgado. Foi uma forma encontrada para atrair o público”, diz Pedri.

A paulistana Livraria da Vila tem conseguido crescer e acelerou o passo na pandemia. Desde o ano passado, seis lojas foram abertas, elevando o total a 15. Para o presidente da Livraria da Vila, Samuel Seibel, as inaugurações atendem a regiões que ficaram “órfãs” de livrarias, como o Shopping Eldorado, antigo reduto da Saraiva.

“Lojas grandes não são a nossa cara. Nas menores, é possível ter mais cuidado com a curadoria dos livros. E, claro, os custos são menores”, diz Seibel, dono da varejista fundada em 1985 na Vila Madalena, bairro boêmio de São Paulo.

Caminho será a atuação em nichos

Para o especialista em mercado editorial, o consultor Eduardo Villela, o mercado está em meio a uma transformação. “O custo operacional das megalojas inviabiliza o modelo, que vejo fadado a acabar.”

Ele diz que até as livrarias que hoje seguem em pé precisarão passar por mudanças para enfrentar as gigantes Amazon, Magalu e Americanas. Aos poucos, em sua visão, as livrarias serão direcionadas a certos nichos, como literatura infantil, feminina ou LGBTQIA+. 

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