Intenção de compra de imóveis bate recorde no País; veja os principais desejos

Desemprego baixo, volta aos escritórios e vontade de morar em residências melhores puxam interesse em adquirir imóveis mesmo com taxa de juros elevada

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Foto do autor Lucas Agrela
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Como será o prédio residencial mais alto de SP, assinado pela grife que desenha modelos da Ferrari

Empreendimento terá 210 metros de altura e terá vista para o Jardim Europa; saiba preços. Crédito: Reprodução/Instagram: @alvarengacyrela

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A intenção de compra de imóveis no Brasil atingiu um recorde, com 49% dos entrevistados planejando adquirir um imóvel nos próximos dois anos, segundo a Brain. Jovens da geração Z e famílias de alta renda lideram o interesse, com preferência por apartamentos. A alta rentabilidade dos imóveis, mesmo com a Selic a 15%, impulsiona o mercado. A faixa 4 do Minha Casa Minha Vida busca atender a classe média, mas enfrenta desafios. Renée Silveira, da Plano&Plano, destaca o aumento do interesse por imóveis próximos a universidades.

A intenção de compra de imóveis atingiu patamar histórico no País. Uma nova pesquisa da consultoria de inteligência de dados Brain mostra que quase metade dos entrevistados, 49%, pretende adquirir um imóvel nos próximos 24 meses. O número é o mais alto já registrado na série histórica da consultoria, que começou em 2020. O estudo considerou pessoas com renda mensal igual ou superior a R$ 2,5 mil.

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Os grupos com maior intenção de compra são os jovens da geração Z, as famílias com renda acima de R$ 20 mil e os moradores do Sudeste. O apartamento continua sendo o tipo de imóvel mais desejado, mas as casas em rua seguem bem próximas, principalmente no interior do País.

Para o consumidor de alta renda, com salário acima de R$ 20 mil mensais, a intenção de compra chega a 58%, sendo a mais alta de todas as faixas do estudo. Esse público é o que menos deseja morar em casas de rua (24%). A preferência é por apartamentos (48%), casas de condomínio fechado (20%) e loteamentos fechados (8%).

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Do primeiro para o segundo trimestre deste ano, os imóveis com preços de R$ 600 mil a R$ 800 mil ou acima de R$ 800 mil tiveram crescimentos expressivos de, respectivamente, 166% e 50%.

Mercado imobiliário tem atraído mais compradores no País Foto: Werther Santana/Estadão

Os principais motivos apontados como motivadores para comprar um novo imóvel são um momento de transição na vida (45%), como sair do aluguel, comprar primeiro imóvel ou casamento, a troca por residência maior e melhor (34%) e investimento (15%). Para Fabio Tadeu Araujo, CEO da Brain, o momento é favorável para aquisição de imóveis e o consumidor percebe que existe uma oportunidade de melhorar de vida ao comprar uma moradia própria, maior ou numa localização melhor.

“As pessoas querem comprar melhor. O desemprego está abaixo de 6% (5,8%). É um recorde na renda do brasileiro. As empresas estão tendo recorde de resultados na bolsa de valores. A economia real cresceu, embora esteja desacelerando. O atual momento tem sido muito positivo para o consumidor e ele não quer perder essa oportunidade”, diz Araujo.

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O especialista lembra que a taxa de juros, a Selic, em 15% desafia o mercado imobiliário, especialmente as incorporadoras, mas não se reflete igualmente nas taxas de financiamento, que estão hoje entre 11% e 12% ao ano.

Segundo Araujo, a principal razão para a maior intenção de compra entre indivíduos de alta renda é que existe o desejo de adquirir imóveis com finalidade de investimento, seja para revenda ou para ter renda com aluguel.

A rentabilidade de investimento em imóveis pode superar a atual taxa de juros. De acordo com um estudo feito pelo FGV IBRE em parceria com o QuintoAndar, a rentabilidade média nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte foi de 19,1% em 2024 — 6,2% são do aluguel e 12,9% são do aumento do valor de venda da propriedade. “Com a taxa de juros alta, o consumidor pode diminuir o quanto quer investir no mercado imobiliário, mas continua investindo porque acredita que é bom para ele”, afirma Araujo.

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Mesmo com o número expressivo de intenção de compra, segundo a pesquisa, a maioria das pessoas ainda não começou a busca de fato. Só 9% já pesquisam online e apenas 4% estão visitando imóveis. “O grupo que ainda não iniciou a busca (36%) representa um estoque de demanda que tende a entrar gradualmente no mercado, caso haja produto e condição compatíveis”, diz Thiago Yaak, CEO da Liquid, plataforma de transparência de dados para incorporadoras.

Para o diretor de locação e pesquisa da CBRE, Felipe Giuliano, a volta ao trabalho presencial e a taxa baixa de desemprego no País têm fomentado o mercado de escritórios e, como consequência, as pessoas querem morar perto do trabalho, despertando desejo de aquisição de projetos residenciais. “O mercado acaba criando residências próximas dos escritórios para executivos e suas famílias morarem”, afirma Giuliano.

Lacuna no mercado

O estudo da Brain mostra ainda que existe um vácuo no mercado para pessoas que têm renda entre R$ 5 mil e R$ 20 mil, público que se enquadra como classe média. Para eles, a Selic elevada encarece o financiamento e, por vezes, a parcela não cabe no orçamento. A solução para isso é aumentar o valor dado de entrada, o que acaba por ampliar o período de poupança e adiar a aquisição da propriedade.

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Uma solução recente para esse problema veio do governo federal, que criou a faixa 4 do programa Minha Casa Minha Vida, voltada para famílias com renda de até R$ 12 mil e imóveis de até R$ 500 mil. Porém, os projetos no escopo dessa nova faixa ainda estão em fase inicial e devem levar de um a dois anos para terem grande oferta no mercado.

“A renda acima de R$ 20 mil garante mais conforto para comprar, enquanto a faixa até R$ 5 mil depende fortemente dos programas habitacionais. Entre essas duas, existe uma lacuna que pode ser preenchida por produtos da chamada faixa 4, tendência que deve ganhar força nos próximos trimestres”, afirma Yaak.

O tamanho dos imóveis também tem sido um ponto importante na decisão de compra. Entretanto, a renda é um fator limitante, especialmente no caso de lançamentos. Os imóveis mais antigos tendem a oferecer mais espaço do que os novos. Mas nem toda cidade tem imóveis tão pequenos quanto São Paulo. Na capital paulista, a média de um apartamento do Minha Casa, Minha Vida é de 33 m² a 35 m², enquanto no Nordeste a média é de 45 m², conta Araujo.

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Área de lazer do empreendimento Viz, no Campo Belo, feito pela Plano&Plano Foto: Divulgação/Plano&Plano

Segundo o executivo da Brain, diante da falta de opções de lançamentos para os consumidores que desejam comprar um imóvel de até R$ 400 mil agora, muitos acabam optando por adquirir casas e apartamentos usados.

As incorporadoras têm enfrentado dificuldades para viabilizar projetos no escopo da faixa 4 do Minha Casa Minha Vida. Ao mesmo tempo, as vendas têm crescido e viabilizado projetos para algumas empresas, como é o caso da Plano&Plano. A empresa já estava em uma fase de ampliação de atuação para faixas de renda mais elevadas. Exemplo disso é o NID, projeto lançado em Alphaville, com preços de R$ 1 milhão por apartamento.

“Em 2024, o faixa 4 representava 3% das nossas vendas. Em 2025, que nem terminou, ele já chega a quase 6%. Essas novas regras possibilitaram que mais gente dessa faixa de renda consiga comprar. Como já era uma estratégia nossa e estávamos nessa diversificação de produto, unimos o útil ao agradável”, afirma a diretora de incorporação da Plano&Plano, Renée Silveira.

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Renée Silveira, diretora de Incorporação da Plano& Plano, diz que empresa tem ampliado vendas na faixa 4 do Minha Casa Minha Vida Foto: Felipe Rau/Estadão

A companhia tem empreendimentos dessa faixa em São Paulo em bairros como Saúde, Limão, Alto da Boa Vista, Campo Belo e Brás, além de projetos que ficam em Campinas e em São Bernardo do Campo.

Renée conta que o faixa 4 também aumentou o apetite dos investidores, uma vez que os projetos são próximos ao metrô ou têm localização privilegiada por seu entorno. “O Viz (em Santo Amaro) tem essa característica pela quantidade de universidades que têm cursos de medicina no entorno. Tem muita gente que vem do interior para estudar, então o potencial de aluguel naquela região para um dormitório é muito grande”, diz Renée.

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