Pesquisa da Loft avalia o impacto das apostas online no pagamento de aluguel; veja os números

Foram entrevistados 1,3 mil inquilinos, sendo que 13% afirmaram já terem atrasado ou deixado de pagar o aluguel diretamente por causa de apostas

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Foto do autor Breno Damascena
Atualização:

Um a cada três inquilinos relata impacto das apostas no atraso de aluguel

Crédito: Breno Damascena | Estadão

Os gastos com apostas online chegaram ao mercado imobiliário. Uma a cada três pessoas que vivem de aluguel afirma já ter atrasado ou conhecer alguém que atrasou o pagamento do aluguel por causa de jogos de azar. E a perspectiva é que o cenário se intensifique nos próximos anos, principalmente entre os mais jovens.

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É isso que mostra um estudo da Loft, em parceria com a Offerwise, que ouviu 1,3 mil inquilinos, entre 26 de setembro e 6 de outubro de 2025. Entre os entrevistados, 13% afirmaram já terem atrasado ou deixado de pagar o aluguel diretamente por causa de apostas.

Outros 10% disseram ter sentido dificuldade para pagar por causa de apostas online, embora não tenham chegado a atrasar.

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“Ainda que não seja o fator mais determinante quando pensamos em inadimplência, as apostas online já têm efeito na dinâmica do pagamento de contas. É um elemento que precisamos considerar”, analisa Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft.

Somando os que afirmaram ter atrasado o próprio aluguel ou conhecer alguém que passou pela situação, 31% dos entrevistados foram afetados.

“Tínhamos a hipótese de que parte das pessoas entrevistadas não se sentiriam confortáveis em falar que estão perdendo dinheiro e atrasando contas. Por isso, deixamos a pergunta mais abrangente. A pessoa pode realmente conhecer alguém passando pelo problema, mas também pode ser uma forma de dizer que ela mesmo passa por isso”, diz.

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De fato, um estudo da Serasa, realizado no último ano, mostrou que quase a metade (46%) dos 73,1 milhões de inadimplentes já haviam feito aposta online ao menos uma vez na vida. Desses, 44% apostaram com a expectativa de conseguir dinheiro para pagar dívidas.

Além disso, só em 2024, o setor varejista perdeu R$ 109 bilhões devido às apostas, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O levantamento da Loft indica que 37% dos entrevistados que jogam gastam até R$ 50 mensais com os jogos (a faixa com mais respondentes), porém 18% despendem mais de R$ 300. Entre os mais jovens, de 18 a 24 anos, o índice chega a 36%, caindo para 27% entre pessoas de 35 a 44 anos e 24% acima dos 45 anos.

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“O impacto das apostas é transversal, aparece em todas as classes e perfis, afetando algo tão essencial quanto a moradia”, observa Takahashi. Enquanto isso, o faturamento das bets chegou a R$ 17,4 bilhões no primeiro semestre deste ano, de acordo com a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda.

Alessandra Moreira, gestora de cobrança da Lello Imóveis, indica que existe um crescimento consistente no endividamento das famílias, inclusive de aluguéis. “Nos últimos anos, o mercado tem mostrado um comportamento de oscilação seguido de retomada de alta na inadimplência”, pontua.

“É possível que as apostas e jogos online tenham algum peso nesse contexto, mas, por enquanto, isso é apenas uma percepção, não uma evidência”, acrescenta a executiva.

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Ela contrapõe ao dizer que ainda é cedo para pesar o impacto das apostas nesta inadimplência. “É possível que as apostas e jogos online tenham algum peso nesse contexto, mas, por enquanto, isso é apenas uma percepção, não uma evidência. O que vemos de forma concreta é um aumento da exposição ao crédito e um orçamento doméstico mais pressionado”, pontua.

Apostadores recentes e alta inadimplência

A despeito dos debates sobre a regularização das bets no Brasil, a perspectiva do segmento imobiliário é que o cenário de inadimplência se intensifique nos próximos anos por causa das apostas.

Um indicativo disso é que o estudo da Loft mostra que 57% dos inquilinos que apostam começaram há menos de 1 ano e apenas 27% começaram há mais de um ano e meio. “O impacto na moradia pode ainda crescer”, afirma Takahashi.

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Vinte por cento dos apostadores afirmam que perderam até R$ 50 nos últimos 12 meses, mas 21% afirmam que a perda ficou acima dos R$ 500.

Somente 9% afirmaram que não perderam dinheiro. “A falta de instrução formal, a falta de educação financeira e o envolvimento das bets com o futebol formam uma combinação explosiva no País”, comenta Marcelo Pereira de Mello, professor do Departamento de Sociologia e Metodologia e Ciências Sociais da Universidade Federal Fluminense (UFF).

“Assim como a bebida alcoólica e as drogas, uma parte das pessoas que aposta vai se tornar adicto dos jogos de azar. E não há um medicamento ou vacina que cure isso”, acrescenta.

A percepção dos jogos de azar como uma prática nociva para a sociedade também ficou explícita no levantamento da Loft, ao mostrar que metade dos entrevistados (49%) acredita que eles são nocivos e 75% defendem regras mais rígidas para o setor.

Estudo indica que apostas online já impactam um terço dos locatários no País Foto: Joedson Alves/Agencia Brasil

Além disso, 74% dos entrevistados consideram que as apostas aumentam, de fato, o endividamento das famílias. Por outro lado, 37% afirmam que as apostas podem ser um lazer saudável quando feitas com moderação, e 29% as veem como uma forma de ganhar dinheiro extra.

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