Chama o "VAR" na economia e discute como tornar o Brasil melhor

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Da fila do INSS à fraude no CNU: a maldição que persegue o Ministério da Gestão

Gabaritos vendidos por até R$ 500 mil levantam dúvidas sobre a segurança do processo seletivo e podem levar a judicialização das provas

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Foto do autor Pedro Fernando Nery
Atualização:

O Ministério da Gestão e Inovação parece amaldiçoado. Já são 3 anos da sua criação. Contas públicas descontroladas com juros nas alturas. A fila do INSS quebrou recordes. Quem conseguiu seus benefícios, viu-os serem roubados por descontos. Agora, a menina dos olhos do Ministério, o 1º Concurso Nacional Unificado (CNU), está envolto em suspeitas de fraude, com consequências ainda imprevisíveis.

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Gabaritos foram vendidos por até R$ 500 mil. Por ora, apenas uma das dezenas de carreiras que participaram do CNU foi afetada. Mas é razoável supor que bandidos teriam acesso a apenas um gabarito?

É possível que os que não foram aprovados judicializem suas provas, pedindo novo certame. É possível que a geração de servidores que ingressou no CNU seja vista com desconfiança. E, se o problema for isolado, apenas na carreira de auditor do trabalho, descoberto pouco antes da posse dos novos servidores, demos muita sorte. Evitamos picaretas em um cargo importante que lida com arrecadação de tributos e até direitos humanos. O CNU teve 2 milhões de inscritos e vinte órgãos participantes.

O concurso nacional sempre foi uma ideia arriscada. O Ministério da Gestão investiu em uma missão nova, enquanto era atacado por outras crises. Foi durante a existência do MGI que a gestão do INSS desandou de vez. Que os supersalários saíram totalmente do controle. Que até honorários retroativos de terço de férias foram pagos para advogados do Executivo. Que a reforma administrativa, talvez pela 1ª vez na história, foi capitaneada pelo Congresso, e não pelo Governo.

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O concurso unificado reduzia custos, mas concentrava riscos. Foi saudado como o Enem dos concursos, o Uber dos concurseiros, uma ideia tão boa que fazia pensar como ninguém imaginou nisso antes. Mas imaginaram isso antes. Só parecia um equívoco. Ao contrário do Enem, concursos estão associados a um valor presente enorme em salários, frequentemente vão parar no Judiciário e, às vezes, na polícia. Problemas no exame de um órgão contaminariam todos os demais.

Provas do Concurso Nacional Unificado (CNU) 2025 foram aplicadas no domingo, 5 Foto: Werther Santana/Estadão

A prova unificada realmente deu um azar enorme: a maior tragédia climática da história do País nos dias que antecediam a aplicação. Um azar tão grande para o MGI quanto ter Carlos Lupi na frente da Previdência. O Ministério terminou adiando as provas, tendo de partir quase do zero. O barato saiu caro.

Agora, a venda de gabaritos, que pode macular toda a empreitada. Por que o MGI foi criado? Há um pecado original. Foi por um objetivo mesquinho: tirar poder do Ministério do Planejamento. Qual será o destino do MGI?

Opinião por Pedro Fernando Nery

Professor de economia do IDP. Autor do livro "Extremos - Um Mapa para Entender as Desigualdades no Brasil"