O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou destaque no pronunciamento de fim de ano do presidente Lula e reacendeu discussões no Congresso e na sociedade sobre a viabilidade econômica da medida. A proposta, defendida por movimentos trabalhistas e por parte da base governista, passou a ocupar espaço central na agenda pública.
No Chama o Nery desta semana, o colunista do Estadão Pedro Fernando Nery fala sobre o assunto e lembra as críticas da deputada Erika Hilton a um estudo do economista Daniel Duque, da FGV, que estima uma possível perda de 3% a 7% do PIB a depender do formato da mudança na jornada de trabalho. Para a deputada, o trabalho simplifica excessivamente a dinâmica econômica ao usar uma “fórmula inventada” para calcular os impactos.
Nery destaca, entretanto, que o estudo se baseia, na verdade, em uma identidade clássica do PIB, que considera número de trabalhadores, jornada média e produtividade. Essa decomposição, longe de excluir ganhos potenciais, permite justamente avaliar compensações possíveis, como aumento de produtividade, novas contratações e mudanças setoriais decorrentes de mais tempo livre para os trabalhadores.
Leia também
A economia precisa de menos escândalos?
O que o Texas tem que falta ao Brasil para crescer de forma sustentada
Há algo em comum entre as pessoas envolvidas no escândalo do INSS: eram defensoras dos aposentados
O principal nó do debate, contudo, é a falta de clareza sobre a proposta em discussão, diz Nery. Há uma diferença relevante entre apenas substituir a escala 6x1 por 5x2 mantendo 44 horas semanais e reduzir a jornada máxima para 36 ou até 32 horas. Sem definição precisa, especialistas alertam que qualquer projeção de impacto econômico permanece limitada e sujeita a interpretações divergentes.





