Risco de pânico financeiro reduz ímpeto de Trump para demitir presidente do Fed

Presidente dos EUA voltou a atacar o presidente Jerome H. Powell nesta semana, mas assessores dizem que ele tem se mostrado mais cauteloso em relação a políticas que poderiam reacender uma volatilidade financeira

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Por Colby Smith (The New York Times), Jonathan Swan (The New York Times) e Maggie Haberman (The New York Times)
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retomou nesta semana uma ameaça antiga contra Jerome H. Powell ao acusar o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) de estar “fazendo política” e de agir devagar demais para reduzir as taxas de juros no país. Mas, em privado, segundo pessoas próximas a Trump, o presidente tem consciência há meses de que tentar destituir Powell poderia injetar ainda mais volatilidade em mercados financeiros já nervosos.

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Os investidores já estavam inquietos após um período turbulento desencadeado por uma onda de tarifas anunciadas pelo governo neste mês. Minar a independência política do Fed — algo considerado crucial em Wall Street — poderia provocar um pânico financeiro ainda mais significativo.

“Se eu quiser tirá-lo, ele estará fora bem rápido, acredite”, disse Trump a repórteres no Salão Oval da Casa Branca na quinta-feira, 17, ao ser questionado sobre Powell. O aviso veio logo após uma postagem nas redes sociais, feita pela manhã, em que Trump afirmou: “A demissão de Powell não pode acontecer rápido o suficiente!”

Os conselheiros de Trump o alertaram repetidamente de que demitir Powell seria problemático tanto do ponto de vista legal quanto financeiro — e de que a incerteza poderia causar uma queda significativa nos mercados. Por ora, segundo essas pessoas, Trump pareceu convencido disso.

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Há meses, Trump vem expressando em conversas privadas seu temor de que um evento semelhante à Grande Depressão ocorra sob sua gestão — cenário que ele resume com o termo “1929″. Mas os acontecimentos das últimas duas semanas alarmaram tanto alguns de seus conselheiros mais próximos — incluindo o secretário do Tesouro, Scott Bessent — que o próprio Trump parece ter compreendido quão perto o país esteve de um colapso financeiro.

A decisão de Trump, no início do mês, de anunciar tarifas históricas sobre quase todos os parceiros comerciais do país e de escalar agressivamente sua guerra comercial global mergulhou os mercados financeiros no caos. As ações despencaram, e uma preocupante liquidação de títulos do governo dos EUA e do dólar alimentou temores de que o país começava a perder seu status consagrado como o porto mais seguro do sistema financeiro.

Após a divulgação do escopo das tarifas de Trump, Powell alertou que essas políticas levariam tanto a uma inflação mais alta quanto a um crescimento mais lento. Seus comentários sugeriram que o Federal Reserve exigiria motivos muito fortes para reduzir os juros, após uma série de cortes no ano anterior.

Logo depois, Trump voltou atrás e suspendeu muitas de suas tarifas por 90 dias, citando um mercado de títulos “enjoado”. Mas essa trégua durou pouco: Trump aumentou as tarifas sobre importações chinesas para pelo menos 145%, embora tenha isentado uma série de eletrônicos de consumo mais populares e anunciado acordos comerciais iminentes com outros países. Essa volatilidade constante manteve os mercados financeiros em alerta e pouco fez para aliviar as preocupações de Powell sobre as perspectivas econômicas.

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Presidente do Fed, Powell virou alvo de críticas de Donald Trump Foto: Vincent Alban/VINCENT ALBAN

Em um evento no Economic Club de Chicago na quarta-feira, Powell deixou claro que era “obrigação” do Fed garantir que “um aumento pontual no nível de preços não se transforme em um problema inflacionário contínuo”, ao mesmo tempo em que reiterava seus alertas sobre a possibilidade de crescimento mais lento. Ele também enfatizou que o Fed podia se dar ao luxo de ser paciente antes de tomar novas medidas em relação às taxas de juros, até que houvesse mais clareza sobre o cenário econômico.

Esses comentários, combinados com o fato de que o Banco Central Europeu estava prestes a reduzir suas taxas de juros na quinta-feira, parecem ter desencadeado o ataque de Trump contra Powell.

Mesmo antes da recente turbulência no mercado de títulos, conselheiros já percebiam que Trump estava receoso quanto a demitir Powell. Um assessor afirmou que Trump reclama com frequência de como Powell é “terrível” e acredita que ele está mantendo deliberadamente as taxas de juros altas para prejudicá-lo politicamente. No entanto, o presidente não parecia estar realmente decidido a substituí-lo de forma iminente.

Na semana passada, Scott Bessent — que descreveu a independência do Fed como uma “caixa de joias que precisa ser preservada” — afirmou que a Casa Branca começará a entrevistar candidatos neste outono para substituir Powell. Trump havia nomeado Powell em seu primeiro mandato, e o presidente Joseph R. Biden o reconduziu ao cargo. O mandato de Powell como presidente do Fed termina oficialmente em maio de 2026, embora seu mandato como membro do conselho vá até 2028, o que sugere que ele poderia permanecer no Conselho de Governadores, caso deseje.

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Trump poderá preencher uma vaga pela primeira vez em janeiro, quando expira o mandato de Adriana Kugler, atual integrante do conselho.

O presidente já nomeou Michelle Bowman, também atual governadora, para ser a próxima vice-presidente de supervisão, responsável por regular Wall Street. Esse cargo ficou vago em fevereiro, quando Michael Barr — que continua no conselho — renunciou ao posto para evitar uma batalha judicial prolongada com Trump, que ele temia que prejudicasse o banco central.

Kevin Warsh, ex-governador do Fed e com laços estreitos com Bessent, é visto como um dos principais candidatos a assumir a presidência do Fed. Durante o período de transição, Trump demonstrou interesse em nomear Warsh — que já havia sido considerado para o cargo em seu primeiro mandato — como secretário do Tesouro. Segundo pessoas a par de suas intenções, Trump também cogitou colocá-lo na presidência do Fed antes do fim do mandato de Powell. Na época, Trump chegou a se informar sobre seus direitos legais para demitir Powell e quais seriam os efeitos mais amplos dessa decisão.

Powell tem sido categórico ao afirmar que a lei não permite que um presidente remova o presidente do banco central nem interfira diretamente na instituição. A Lei do Federal Reserve estabelece que os membros do conselho de sete governadores só podem ser destituídos “por justa causa”, o que é interpretado como má conduta grave ou outras violações.

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Quando questionado por repórteres na sexta-feira sobre a possibilidade de demitir Jerome Powell, Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, disse que “o presidente e sua equipe continuarão estudando essa questão.” Mais tarde, no mesmo dia, Trump voltou a pressionar o presidente do Fed a reduzir as taxas de juros, mas não comentou sobre seu futuro no cargo.

A independência do Fed em relação à Casa Branca sempre foi vista como fundamental para a estabilidade da economia e do sistema financeiro global. O Congresso concedeu esse status ao banco central para garantir que ele pudesse tomar decisões de política econômica e do sistema bancário sem interferência política.

O receio é que Trump tente enfraquecer essa proteção. Ele já assinou uma ordem executiva ampla que busca exercer autoridade sobre como o Fed supervisiona Wall Street. As decisões de política monetária foram isentas da ordem, mas seu caráter abrangente levantou dúvidas sobre quanto tempo essa separação será mantida.

Trump também já demitiu integrantes de outras agências independentes, como a Comissão Federal de Comércio (FTC), o Conselho de Proteção dos Sistemas de Mérito (MSPB) e o Conselho Nacional de Relações Trabalhistas (NLRB). Essas demissões motivaram disputas judiciais que estão agora a caminho da Suprema Corte.

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O argumento da administração Trump é que o precedente — estabelecido em uma decisão de 1935, conhecida como Humphrey’s Executor — viola o poder executivo do presidente. Já os defensores da decisão dizem que ela protege agências independentes contra influências políticas indevidas.

Neste mês, o presidente da Suprema Corte, John G. Roberts Jr., autorizou temporariamente as demissões feitas por Trump enquanto os processos seguem em tramitação judicial. Roberts emitiu, por conta própria, uma “suspensão administrativa”, uma medida provisória para dar tempo aos juízes enquanto a Corte analisa o caso com mais profundidade.

Na quarta-feira, Powell afirmou que não esperava que a decisão da Suprema Corte se aplicasse ao Fed, mas que o banco central estava “acompanhando cuidadosamente” a situação. Ele acrescentou que a independência do Fed era uma “questão legal” e algo “muito amplamente compreendido e apoiado em Washington e no Congresso, onde isso realmente importa.”

Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.

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