Selic a 15%: O Banco Central acertou ao aumentar o juro? O que respondem analistas do mercado

Economistas consultados pelo ‘Estadão/Broadcast’ avaliam o porcentual de alta da taxa básica e o tom do comunicado, além de dizer o que projetam para o restante do ano na política do BC

PUBLICIDADE

Foto do autor Redação
Por Redação
Atualização:
Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

Gerando resumo

Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aumentou nesta quarta-feira, 18, a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,25 ponto porcentual, de 14,75% para 15% ao ano. Quais foram as reações dos analistas de mercado?

Leia a seguir como foi recebida a decisão e o que economistas de diferentes instituições consultados pelo Estadão/Broadcast projetam para os próximos meses em relação à política monetária, que tenta retomar o controle da inflação, no momento fora do teto da meta estabelecida pelo governo o centro da meta é 3% ao ano, com margem até 4,5% (em 12 meses, até maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou 5,32%).

O Banco Central tem o desafio de trazer a inflação para a meta Foto: Dida Sampaio/Estadão

‘Por ora, esperamos que o Copom mantenha Selic em 15% até o início de 2026’

PUBLICIDADE

O Itaú Unibanco avalia que o Copom vai manter a Selic em 15% até o início de 2026 e, então, dará início a um ciclo de cortes, que terá orçamento total de 200 pontos-base (2 pontos porcentuais). O banco esperava taxa mantida em 14,75% na reunião desta quarta-feira.

“O Copom afirmou que os juros precisarão permanecer em nível contracionista por período bastante prolongado e que pode retomar o ciclo de alta, caso necessário. Se isso ocorrerá ou não, os dados dirão. O fato é que, historicamente, uma vez pausado um ciclo de alta, o Copom leva de 4-5 reuniões antes de se mover na direção oposta”, pontua o banco, em relatório.

Publicidade

O Itaú diz ainda que uma valorização da taxa de câmbio pode antecipar a queda da Selic, ao passo que dados mais fortes do que o esperado da atividade econômica podem adiar o início do ciclo de queda.

‘BC entende que juros já estão em patamar suficiente para levar à desinflação’

O Bradesco avalia que o Copom, que hoje elevou a taxa Selic de 14,75% para 15% ao ano, sinalizou em seu comunicado a interrupção do ciclo de alta dos juros para “examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado”.

“A mensagem de interrupção de ciclo indica que o Banco Central entende que os juros já estão em patamar suficientemente contracionista para fazer o trabalho de desinflação, caso fique nesse nível por bastante tempo”, afirma o Bradesco, cujo time de economistas é comandado por Fernando Honorato Barbosa.

Para o Bradesco, em um cenário de taxa Selic estável, os modelos do Banco Central vão apontar para inflação ao redor da meta (3%) no primeiro trimestre de 2027, que passará a ser o horizonte de relevante das duas próximas reuniões do Copom, em julho e setembro.

Publicidade

“Esperamos corte da Selic em dezembro, provavelmente encerrando o ano em 14,50%. Iremos reavaliar o nosso cenário nos próximos dias”, afirma o banco.

‘Decisão do Copom foi de certa maneira mais hawkish (dura) do que o esperado’

O Citi avalia que a decisão do Copom de elevar a taxa Selic de 14,75% para 15% ao ano foi de certa forma mais “hawkish” que o esperado, dado que o comitê entregou uma alta de 0,25 ponto porcentual quando boa parte do mercado e o próprio banco esperava manutenção.

“Além disso, o Copom optou por uma pausa condicionada em vez de deixar a porta aberta, reduzindo seus graus de liberdade para os encontros futuros”, afirma o Citi, para quem o comitê adotou uma postura “wait-and-see” (esperar para ver) para avaliar melhor os efeitos cumulativos do ciclo de alta da taxa básica. “O Copom sinalizou que o cenário atual demanda uma política contracionista por um período bastante prolongado”.

O Citi afirma que, de forma geral, o Copom reforça no comunicado divulgado nesta quarta-feira à noite seu comprometimento com a reancoragem das expectativas de inflação, mostrando novamente disposição para manter a taxa Selic elevada pelo tempo que for necessário.

Publicidade

PUBLICIDADE

“Vamos esperar a ata do encontro e o relatório de política monetária do segundo trimestre antes de ajustar nosso cenário. Mas já indicamos de antemão que a probabilidade de o Copom cortar os juros no primeiro trimestre de 2026, que é nossa previsão atual, diminuiu”, afirma o Citi, acrescentando que um ciclo de cortes poderia começar apenas no segundo trimestre do ano que vem.

‘Decisão do Copom não é surpresa, mas foi hawkish (dura)’

A decisão do Copom de elevar a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, para 15% ao ano, não é uma surpresa, mas foi mais hawkish (dura), considerando que as expectativas do mercado estavam divididas entre a alta de 0,25 ponto porcentual e a manutenção. A avaliação é da economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, destacando que o nível dos juros é o maior desde 2006.

“No comunicado, o Copom antecipa a pausa no ciclo de alta, mas espera que a taxa de juros permaneça no patamar restritivo por um período bastante prolongado. Apesar dos sinais de moderação da atividade e taxa de câmbio mais favorável, a expectativa de inflação desancorada ainda é o principal fator de preocupação para o comitê”, diz Vitória, em relatório.

A expectativa do Inter é de que a Selic seja mantida em 15% ao ano até o fim de 2025. “A inflação dá os primeiros sinais de queda mas segue em patamar bem acima da meta, que é de 4,5%. O esfriamento da atividade ocorre de maneira moderada e, mesmo com a contribuição favorável do cambio nos reajustes de preços de bens comercializáveis, a política monetária deve se manter restritiva por um período longo, até uma sinalização maior da convergência das expectativas”, justifica.

Publicidade

Segundo Vitória, a condução da política fiscal será fundamental para a determinação do início do ciclo de flexibilização monetária. Para a economista-chefe, caso haja um novo aumento de gastos e uma indicação de orçamento mais expansivo em 2026, o Copom pode postergar cortes de juros até uma queda mais significativa da inflação corrente.

‘Copom não surpreende porque economia continua resiliente’

Para o economista-chefe e sócio da Equador Investimentos, Eduardo Velho, a decisão do Copom de elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual, para 15% ao ano, não surpreende, pois os indicadores de atividade e emprego ainda mostram uma economia resiliente e crescendo acima de seu potencial, .

“A comunicação é relevante no regime de metas. Consideramos que a última ata do Copom não preparou, tampouco sinalizou, que a elevação da taxa Selic para 14,75% teria sido a última desse ciclo restritivo da política monetária”, afirma o economista em nota enviada à redação do Estadão/Broadcast.

Velho lembra que o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) cresceu 0,16% em abril na comparação com março e que a economia avançou por três meses consecutivos.

Publicidade

Isso mostra que o hiato do produto (nível de produção que a economia pode alcançar sem gerar pressões inflacionárias) segue positivo, com o Produto Interno Bruto (PIB) efetivo crescendo acima do potencial, em linha com uma taxa de desemprego inferior à taxa natural (Nairu). “Estimamos que esse hiato seguirá positivo até o início do primeiro trimestre de 2026”, afirma.

O economista também ressalta que as expectativas de inflação para 2026 e 2027 seguem desancoradas e que os impulsos fiscais vêm ganhando relevância nas decisões do governo, mesmo em um ambiente de frustração como a aumento da arrecadação, com medidas barradas pelo Congresso.

“Teremos déficit primário (saldo negativo entre as receitas e despesas, fora os juros da dívida), e a dívida pública tende a aumentar nos próximos meses, e estimamos também que o grau de persistência inflacionária, como se fosse uma inflação estrutural, estaria rodando a casa de 4,6% ao ano, superior inclusive ao teto de 4,5% da meta central de 3%”, afirma o economista da Equador.

“É fato que o dólar já devolveu metade do choque (overshooting cambial) de dezembro, com queda em torno de 10% em 2025, e evitou que a inflação atingisse um nível superior à 6,5%. Mas se deve lembrar que as atuais decisões do Copom não devem dar relevância à dinâmica mais favorável dos últimos índices de preços e à sazonalidade favorável da inflação agrícola entre maio e agosto, pois o horizonte das decisões de juros pelo Copom está mirando a inflação de 2026, e não a de 2025”, concluiu.

Publicidade

‘Estratégia do BC de anunciar previamente fim do ciclo é bastante incomum’

A Monte Bravo avalia que a estratégia do Copom de anunciar previamente o final do ciclo de aperto monetário é “bastante incomum, pois tira muito do impacto desejado de uma alta”.

Em relatório, a corretora afirma que, na prática, as curvas futuras de prazos superiores a um ano deverão cair, da mesma forma que ocorreria se o Copom tivesse mantido os juros em 14,75% ao ano.

“O anúncio antecipado do final do ciclo de alta fere a tradição de fazer um comunicado que ainda deixa a porta aberta, com o texto usual de ‘monitorar atentamente’, a opção do BC dá segurança ao mercado sobre o fim do ciclo e, portanto, deve sancionar um fechamento dos juros nos termos intermediários”, acrescenta.

A consideração é feita com a ressalva de que o comitê enfatiza que “seguirá vigilante” e que “os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado”.

Publicidade

Para a Monte Bravo, por fim, a mensagem que o BC passa é de que manterá uma postura contracionista por um período prolongado, a fim de assegurar a convergência inflacionária.

‘Decisão e comunicado do Copom são levemente hawkish (duros)’

A escolha do Copom e o comunicado foram levemente mais “hawkish” (duros), considerando a divisão do mercado — entre manutenção do juro em 14,75% ao ano ou elevação para 15,00% ao ano — sobre qual seria a decisão, avalia o economista Leonardo Costa, do ASA.

“O Banco Central elevou a taxa Selic para 15% na reunião de junho, em linha com a nossa expectativa e perante um mercado dividido, fechando a porta para novas altas e indicando a manutenção da taxa básica em patamar restritivo por um período bastante prolongado”, afirma, em nota.

Costa destaca também que o comunicado retirou o peso do risco oriundo da guerra comercial, enquanto a autarquia segue observando desaceleração da atividade doméstica, com balanço de riscos equilibrado.

Publicidade

Assim, a expectativa do ASA é de que a taxa Selic continue no nível de 15% ao ano até dezembro de 2025, quando o BC deve começar o ciclo de flexibilização monetária, avalia o economista.

‘BC acertou, e comunicado reforça compromisso com cumprimento do mandato’

O estrategista-chefe da BGC Liquidez, Daniel Cunha, elogiou a decisão do Copom e também o teor do comunicado. “O BC optou por uma decisão acertada, entregando um aumento da taxa de juros acompanhado de uma comunicação que reforça a expectativa em uma autoridade monetária independente, comprometida com o cumprimento de seu mandato”, avalia, em nota.

A despeito do plano de manter a Selic no atual nível por um período “bastante prolongado”, monitorando efeitos acumulados ainda não observados, “o Comitê enfatizou sua vigilância, afirmando que as futuras decisões de política monetária permanecem flexíveis e que não hesitará em retomar o ciclo de aumento de juros, se necessário.”

Na visão do estrategista, a sinalização do Copom deve aumentar a confiança nos ativos brasileiros, particularmente no real, “e apoiar um achatamento da curva” de juros.

Publicidade

‘Copom pesou a mão para afastar apostas de cortes precoces de Selic na curva’

O economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, avalia que o tom do comunicado do Copom foi tão duro que justificaria alta até mais robusta da taxa Selic do que a elevação e 0,25 ponto porcentual, para 15% ao ano.

“Se a autoridade não tivesse sido explícita ao indicador a interrupção do ciclo de alta, o texto poderia ser interpretado como sinalização de continuidade do ciclo”, afirma Sanchez, em nota. “O intuito do BC ficou claro: pesar a mão para afastar cenários de cortes de juros precoces na curva.”

Sanchez destaca, entre as partes do comunicado que vê como mais duras, o trecho em que o Copom afirma que “seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado”.

O economista prevê que o Copom manterá a taxa Selic em 15% até meados do ano que vem. “Com uma comunicação tão austera, fica difícil antecipar um ciclo baixista de juros”, afirma Sanchez. “Seguiremos vigilantes à comunicação do BC, que, apesar de ter sido duríssima nesta reunião, interrompeu o ciclo de alta”, afirma.

Publicidade

‘Acreditamos que Selic seguirá estável até o final de 2025’

O economista-chefe do Banco Bmg, Flávio Serrano, diz em nota que, com a sinalização desta noite do Copom, espera que a Selic seguirá estável provavelmente até o fim de 2025. “Acreditávamos que o BC manteria a taxa estável em 14,75% ao ano nesse encontro de junho”, aponta o economista, referindo-se ao aumento de 0,25 ponto porcentual, para 15% ao ano.

“Apesar da alta, a sinalização prospectiva aponta para uma interrupção no ciclo de elevação da Selic, em se confirmando o cenário esperado daqui até a próxima reunião”, acrescenta Serrano. “Os membros querem agora examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado e, assim, avaliar se o nível atual é suficiente para assegurar a convergência da inflação para a meta.”

Ele observa também que o comitê, “como sempre”, enfatizou no comunicado que continuará vigilante, e que a taxa básica de juros poderá ser ajustada caso julgue apropriado. Apesar dessa ressalva, “acreditamos que esse movimento marcou o final do processo de ajuste da taxa básica de juros”, ressalta o economista.

‘Alta da Selic para 15% foi surpresa, e Copom deve cortar juros no fim do ano’

A decisão do Copom de elevar a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 15% ao ano, foi uma surpresa para a Empiricus Asset, que esperava manutenção da taxa em 14,75%. “A decisão de elevar a Selic para 15% nos surpreendeu, dada a visão mais positiva dos preços da economia no curto prazo, a visão mais construtiva sobre o câmbio e a atual conjuntura restritiva”, afirmou o CIO da gestora da Empiricus, João Piccioni.

Na avaliação dele, o ciclo de aumento deve ter se encerrado e o próximo movimento será de queda de juros. O executivo-chefe de investimentos espera um corte na taxa básica ao final de 2025, para 14,75%.

Para o fim de 2026, a expectativa é que a taxa esteja ao redor de 12,5%. “O início do ciclo de redução deve acontecer na última reunião do ano, em dezembro, a um ritmo inicial mais lento de 25 pontos-base (0,25 ponto porcentual), que depois deve se acelerar”, comentou.

Para o CIO da Empiricus Asset, a ponta curta da curva de juros — ou seja, os vencimentos entre 2026 e 2027 — devem começar a mostrar quedas dos juros na sexta-feira, com a zeragem de apostas de novas altas. Já a ponta intermediária (vencimentos de 2029 e 2031) deve ficar “relativamente estacionada, apresentando leve queda”.

‘Comunicado do Copom mostra muito provavelmente o fim do ciclo’

O Copom indicou o fim do ciclo de alta dos juros e a manutenção da Selic no patamar atual, de 15%, por muitos meses. Essa é a leitura feita pelo economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, do comunicado divulgado nesta quarta-feira pelo colegiado.

Ao anunciar a elevação de 0,25 ponto porcentual da taxa, o Copom adiantou que vai interromper o ciclo se tudo sair mais ou menos dentro do esperado até a próxima reunião, marcada para os dias 29 e 30 de julho. Por outro lado, o comitê considera a manutenção dos juros altos por período “bastante” prolongado.

“O Copom muito provavelmente parou. Na verdade ele diz que parou, a não ser que tenha alguma evolução do cenário que divirja muito do cenário prospectivo que ele tem”, comenta Adauto, lembrando da ponderação feita pelo comitê de que, se necessário, não haverá hesitação em seguir com o ciclo de aperto.

“Ao enfatizar o período ‘bastante’ prolongado, o Copom mostra que o trabalho para trazer a inflação para a meta vai requerer uma manutenção dessa taxa em 15% por muitos meses”, observa o economista-chefe da Western Asset, que diz não ver corte dos juros até o primeiro trimestre do ano que vem. “Talvez algum início de corte no segundo trimestre ou ao longo do segundo semestre de 2026. É claro que se tivermos uma reancoragem das expectativas isso ajuda o trabalho do BC”, afirma Adauto.

O economista frisa que o Banco Central precisa de um alivio da atividade econômica, que segue crescendo acima do potencial, o chamado hiato do produto, ou de algum choque positivo de preço para que a inflação passe a convergir mais rápido em direção à meta central de 3%.

“A batalha das expectativas segue sendo a principal, a meu ver, para o Banco Central. Até aqui ele não conseguiu reancorar as expectativas, acho que muito mais pela percepção da política fiscal à frente do que pela própria condução da política monetária”, conclui Adauto.

‘Selic deve parar em 15%, mas desinflação lenta pode retomar o aperto’

A economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, considera que a Selic deve permanecer em 15% nos próximos encontros do Copom, mas, caso o processo de desinflação se torne “mais lento do que o esperado”, novas altas não podem ser descartadas.

Em nota, Benedito avaliou como “adequada” a decisão do BC de manter a política monetária em território significativamente contracionista por período prolongado. “O comunicado indica que o estágio atual do ciclo exige cautela adicional, com o Comitê adotando postura vigilante e flexível”, pontuou.

O Copom decidiu, de forma unânime, elevar a Selic de 14,75% para 15% nesta quarta-feira. No comunicado que seguiu à decisão, o colegiado ressaltou que, em se confirmando o cenário esperado, deverá haver uma interrupção no ciclo de alta de juros “para examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado”, e avaliar se a manutenção do juro neste nível “é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”.

‘Tom do comunicado do Copom foi entre neutro e hawkish, nunca consideraria dovish’

O tom do comunicado do Copom do Banco Central (BC) foi entre neutro e hawkish (duro), adequado ao pausar o ciclo de aperto monetário, avalia o sócio e economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio Leal.

“Nunca consideraria que BC foi dovish (de alívio)”, disse Leal, frisando que o comunicado “dá a entender que a decisão atual é um fim de ciclo misturado com pausa — ou seja, deixa a porta aberta, dando a entender que se as condições mudarem (para pior) não há um impeditivo para que volte a subir juros”.

Segundo o economista, o tom do comunicado foi adequado para a situação, considerando que “o BC coloca o pé no freio, enquanto o governo coloca o pé no acelerador”.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Leal reitera que o comunicado do Copom não é de alívio, adotando um tom “muito preocupado” por mencionar a desancoragem das expectativas de inflação por período prolongado e ao manter a projeção para o IPCA de 2026, horizonte relevante da política monetária, em 3,6%.

“Um ponto que talvez tenha sido surpresa: achava que o BC poderia dizer que o balanço de riscos está equilibrado, mas ele preferiu manter a mesma frase do comunicado anterior — apontou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual”, disse o economista.

A G5 Partners projeta que o início de flexibilização monetária por parte do BC ocorra na primeira reunião de 2026. “Se eu errar, é porque o início dos cortes nos juros ocorrerá depois, e não antes”, acrescenta.

Em relação ao comportamento dos ativos domésticos na sexta-feira, a expectativa de Leal é de que haja um leve ajuste na ponta curta da curva de juros, com abertura. Considerando apenas o Copom, sem o ambiente externo, o tom mais duro do comunicado poderia levar à apreciação do real e uma desvalorização da Bolsa brasileira — principalmente de ações consideradas mais sensíveis ao ciclo econômico, avalia.

‘Com juro real a 9,5%, leio indicação de pausa do BC como encerramento de ciclo’

Para a economista-chefe para Brasil da Galapagos Capital, Tatiana Pinheiro, a sinalização de pausa no ciclo de alta de Selic feito pelo Copom no comunicado que se seguiu à reunião encerrada na noite desta quarta-feira é lida como o fim do ciclo de alta. E ela diz que faz essa leitura pelo fato de a taxa de juros real, que é que importa para a economia, ter chegado aos 9,5%.

A elevação da Selic em 0,25 ponto porcentual já era esperada pela economista desde que o BC falou que elevaria a taxa para o final do ano. A dúvida de Tatiana era sobre se o governo iria interferir, ou não, no trabalho do BC — o que não ocorreu.

“Eu achava, nesse call de 15%, que o cenário inflacionário para junho ia ser muito próximo ou idêntico ao de maio, e é por isso que eu fiquei com 0,25 ponto porcentual”, disse a economista da Galapagos Capital, para quem essa alta da Selic em junho, de 0,25 ponto porcentual, é uma calibragem.

“Ele (Copom) já estava no final do ciclo, podia tanto ter parado no 14,75%, quanto podia ter subido para os 15%. Pesou a questão de o cenário ainda não ter dados contundentes de desaceleração da atividade econômica, desaceleração da inflação. A gente sabe que a sazonalidade da inflação agora é favorável, que ela vai ser menor em julho e agosto, quando a alimentação dá sempre uma aliviada. Mas não tem dados contundentes de desaceleração da atividade econômica”, reforçou Tatiana.

E há também, segundo ela, toda incerteza do mercado internacional. “Tinha melhorado, mas agora a gente tem adicionalmente o conflito no Oriente Médio. Então, acho que essas coisas pesaram. No cenário inflacionário, que mudou muito pouco, faltam dados contundentes de desaceleração da economia”, diz. ”O cenário de incerteza internacional permanece, e agora com esse adicional: temporário ou não, temos o conflito entre Israel e Irã”, pontuou a economista da Galapagos, afirmando que achou importante esse ajuste que o BC fez na taxa de juros.

Para Tatiana, os sinais contundentes de desaceleração da economia deverão começar a aparecer no segundo semestre, quando os primeiros aumentos da Selic, que agora completaram 4,5 pontos porcentuais, passarem a impactar a atividade. Seguindo essa linha de raciocínio, Tatiana acredita que em dezembro o BC poderá fazer sua primeira redução da Selic.

‘Tom duro do Copom reforça compromisso com atingimento da meta’

A decisão do Copom do Banco Central, de elevar a Selic a 15% ao ano e indicar que ainda há chance de ela subir, traz um tom duro e positivo que “reforça o compromisso do Comitê com o atingimento da meta no horizonte relevante”, diz o diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, em nota.

Ele destaca como pontos principais do comunicado do Copom a menção à necessidade de manter a política monetária contracionista por um período prolongado, e a decisão do grupo de impor como condição para o fim do ciclo de aumento da Selic a confirmação do cenário econômico esperado pelo Banco Central.

“Acreditamos que o real deve ser beneficiado com o aumento do juro real e que a parte longa da curva de juros deve reduzir prêmio”, acrescenta.

‘Inflação do BC para o 1º trimestre de 2027 deve ter caído a 3,3%, dando conforto para guidance (tendência)’

A projeção do Banco Central para a inflação no fim do primeiro trimestre de 2027 deve ser agora de 3,3%, na avaliação do economista para área de política monetária do Santander Brasil, Marco Antonio Caruso.

O número, mais próximo da meta de 3,0% foi o que provavelmente deu conforto à autoridade monetária para anunciar o fim do ciclo no comunicado desta quarta-feira, após elevar a Selic a 15%, de acordo com o economista.

“Iremos ver no Relatório de Política Monetária (RPM) esse IPCA perto de 3,3% no primeiro trimestre de 2027, que já é baixo. Rodando o cenário alternativo (de Selic parada nesse nível) que o BC não vai publicar, o número deve estar mais perto da meta ainda. Isso deve ter dado um razoável conforto para já sinalizar a pausa agora”, afirma Caruso.

Para ele, o comunicado que se seguiu à decisão de hoje deixou menos espaço para uma continuidade das altas na Selic do que ele imaginava inicialmente.

Caruso considera que algumas falas do presidente do BC, Gabriel Galípolo, após a reunião de maio, colocaram de volta na mesa a possibilidade de aumento do juro em junho. “Se ele reabriu essa discussão, é porque o BC está com dúvidas. Se ele estava com dúvidas, só uma alta de 0,25 ponto é suficiente para saná-la? Eu acharia que não, então esperava uma alta agora e um comunicado mais em aberto”, diz o economista.

Caruso atenta ainda para o fato de que a projeção de inflação do BC para 2026 segue em 3,6%, mesmo nível do comunicado da reunião de maio. “É o mesmo gap de 0,60 ponto em relação à meta, mas agora ele subiu o juro em 0,25 ponto e antes foi 0,50”, afirma o economista, acrescentando que isso reforça a leitura de um comunicado dovish.

No comunicado, o BC escreveu que deverá manter a Selic parada por período bastante prolongado. Para Caruso, o principal gatilho para uma retomada do afrouxamento monetário à frente é o fechamento do hiato do produto. “A inflação corrente está vindo com uma cara melhor e o câmbio tem querido ajudar. O que está faltando é o hiato”, diz.

‘Copom fez uma alta dovish (indicando alívio) ao sinalizar pausa’

A economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal, afirma que o Copom, ao elevar a taxa Selic de 14,75% para 15%, promoveu uma alta “dovish” (sinalizando alívio) dos juros. “Foi uma alta um pouco ‘dovish’ pois já sinalizou a pausa e mostrou um pouco mais de convicção na desaceleração da atividade”, afirma a economista, que esperava manutenção da taxa básica em 14,75%.

Ela observa que o comitê fala em “algum” dinamismo do mercado de trabalho e que troca a palavra “incipientes” por “certa” ao qualificar os sinais de desaceleração da economia.

Victal destaca também o trecho no qual o Copom afirma que, com a interrupção do ciclo de alta, vai avaliar “se o nível corrente da taxa de juros, considerando a sua manutenção por um período bastante prolongado, é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”.

Segundo a economista, ao usar a expressão “bastante prolongado” o Copom “tenta inibir” uma antecipação das previsões de cortes na taxa Selic ao mesmo tempo em que reforça a estratégia de “higher for longer” — juros mais altos por mais tempo.

Victal projeta taxa Selic em 15% até o fim de 2025 e cortes “apenas” no primeiro trimestre de 2026.

‘BC não deu brecha para que se antecipe discussão de corte de juros’

Em nota, a economista-chefe da B.Side Investimentos, Helena Veronese, diz que no comunicado desta noite o Copom fez bem em “fechar brecha” para que se antecipasse discussão sobre o momento em que os juros começarão a cair no País. Não apenas o Copom decidiu elevar a taxa básica a 15% ao ano, como também optou por uma postura “mais dura”, em cenário que, segundo ela, ainda exige juros restritivos.

“Selic deve ficar no atual patamar de 15% até o final deste ano. BC não deu brecha para que se antecipe a discussão de corte de juros”, enfatiza Helena, para quem, também, o ciclo de altas da Selic está “declaradamente encerrado” pelo Copom.

“Inflação cheia e medidas subjacentes ainda estão acima da meta. Expectativas seguem desancoradas e projeções de inflação, elevadas. E, apesar da moderação, atividade e mercado de trabalho mostram dinamismo”, argumenta a economista.

‘Tom do Copom é misto, mas com inclinação dovish (apontando para alívio)’

O comunicado do Copom trouxe elementos mistos, mas com inclinação dovish, segundo a economista da Neo Investimentos, Laura Moraes.

Da parte dovish, Moraes destaca que o BC indicou que o ciclo de aperto monetário se encerrou. “Claro que o Copom fez uma ressalva, de que não fechou totalmente a porta para novas altas — seria bem contraproducente, então indica que se for surpreendido com novos dados, pode ter uma reação. Mas nossa leitura é de que a barra está alta para que volte a elevar juros”, disse, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

A economista crava que a decisão do Copom de manter a projeção para o IPCA de 2026, horizonte relevante para a política monetária, em 3,6%, também foi dovish. “Se o BC colocasse na conta tudo de hiato do produto — considerando que o mercado tem uma estimativa elevada — e a alta do petróleo, a projeção para a inflação deveria ser maior do que 3,6%”, avalia.

Já o elemento hawkish, segundo Moraes, é que “o BC tentou passar a mensagem de que vai manter o juro parado por muito tempo — mais tempo, provavelmente, do que o que tem sido precificado pelo mercado”.

Neste sentido, a Neo Investimentos espera que o Copom só inicie o ciclo de flexibilização monetária em meados de 2026, mais especificamente na reunião de junho. “O mercado tem a visão de cortes no começo do ano que vem, nosso cenário é diferente, porque temos receio de que a atividade não consiga desacelerar tanto por conta do fiscal, portanto projetamos que a inflação não vai conseguir cair muito, principalmente por inflação de serviços alta por mais tempo”, disse a economista.

Para o desempenho dos ativos domésticos, Moraes considera que pode haver um fechamento da ponta curta da curva de juros futuros. “Dado que o BC indicou fim de ciclo, mercado pode começar a pensar em corte da Selic”, avalia.

‘Copom acerta em comunicado mais duro’

Diante das expectativas de inflação desancoradas, com os núcleos do IPCA ainda bastante elevados, a economista do C6 Bank Cláudia Moreno entende que o Copom acertou ao divulgar hoje um comunicado mais duro.

“Foi uma decisão correta fazer esse ajuste de 25 pontos-base (0,25 ponto porcentual) e em ter uma comunicação mais dura. Os núcleos de inflação estão bastante elevados, e isso não vai mudar no curto prazo, nem no médio prazo, porque temos um mercado de trabalho bastante aquecido”, comenta a economista. Segundo Cláudia Moreno, a desaceleração apenas gradual da atividade econômica não vai ser suficiente para levar a inflação em direção à meta de 3%.

Além da elevação dos juros, o que contraria a expectativa de parte do mercado, já que havia uma divisão nas projeções para o Copom desta semana, a economista do C6 considera que a manutenção, em 3,6%, do prognóstico para a inflação no horizonte relevante da política monetária, apesar da valorização do real, confere um tom mais hawkish ao comunicado de hoje.

“Em função da valorização do câmbio desde a última reunião, achávamos que essa projeção poderia cair um pouquinho, mas ela permaneceu estável em 3,6%”. Além disso, acrescenta a economista ao elencar os elementos hawkish do comunicado, o Copom anunciou que considera manter os juros altos por período “bastante prolongado”, assim como avisa no comunicado que, se preciso, seguirá subindo os juros, ainda que tenha indicado o fim do ciclo.

‘Ciclo de corte de juros é assunto fora da mesa do Copom’

O Copom indicou em comunicado que o corte na Selic é “assunto fora da mesa”, mas sinalizou também que será necessária uma deterioração “importante” no cenário econômico previsto pelo Banco Central para que a taxa volte a aumentar em 2025. A avaliação é de Julio Cesar Barros, economista do Banco Daycoval.

Em nota, ele diz que a decisão do Copom, de elevar a Selic de 14,75% para 15,00% ao ano, “teve um tom mais duro do que o esperado” e destacou o trecho do comunicado em que o colegiado menciona a necessidade de manter a taxa em nível contracionista por período bastante prolongado.

“Ou seja, o ciclo de corte de juros é assunto fora da mesa. Isto, de certa forma, vai em linha com nossa expectativa de retomada dos cortes de juros apenas em 2026”, afirma Barros.

‘Ponto de atenção agora é ver comportamento da curva de juros’

Em nota, o estrategista da RB Investimentos, Gustavo Cruz, observa que o comunicado desta noite divulgado pelo Copom, logo após a decisão de elevar a Selic de 14,75% para 15% ao ano, reforça os desafios enfrentados pelo Banco Central tanto com relação ao cenário doméstico como ao global.

“Há riscos inflacionários em ambas as direções e as expectativas seguem pressionadas, tanto para 2025 quanto para 2026”, aponta Cruz. “O grande ponto de atenção agora é observar, até o fim do mês, o comportamento da curva de juros e das expectativas de inflação. Se o Boletim Focus e o mercado começarem a ajustar para baixo as projeções de 2026 e 2027, pode haver algum alívio”, acrescenta.

“Hoje, o Brasil opera com uma curva de juros considerada ‘não saudável’: mesmo com juros elevados no curto prazo, os vértices mais longos seguem altos — reflexo direto da desconfiança fiscal. Ou seja, o mercado interpreta que, sem avanços consistentes na área fiscal, será necessário manter juros altos por mais tempo”, conclui o estrategista.

Segundo ele, o “ideal” seria que esse choque de juros atual impactasse as pontas longas da curva, “o que indicaria maior confiança nas medidas do Banco Central”. “Caso isso não ocorra nos próximos dias, o efeito prático da alta de hoje, especialmente na tentativa de ancorar expectativas, pode acabar sendo limitado. Esse será o principal ponto de atenção daqui para a frente”, enfatiza.

‘Copom não fechou ciclo oficialmente, mas elevou a barra para novas altas’

A leitura do comunicado do Copom sugere que a autoridade monetária não encerrou oficialmente o ciclo de alta da Selic, mas elevou bastante a barra para novos aumentos. A avaliação é do economista-chefe da Azimut Wealth Management, Gino Olivares.

Para o economista, o comunicado não trouxe maiores esclarecimentos com relação à decisão de elevar os juros em 25 pontos-base (0,25 ponto porcentual), para 15%, “mas houve a sinalização (forward guidance, ou tendência) de que, em se confirmando o cenário esperado, fará ‘uma interrupção do ciclo de alta para examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado’.”

“O Copom não fala de fim de ciclo, mas de interrupção; porém, resulta difícil justificar isso quando ele não consegue projetar inflação na meta com a Selic a 15%”, afirma Olivares. Ele acrescenta que, implicitamente, o Comitê aceita que a manutenção da Selic a 15% por período bastante prolongado não é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta.

Olivares comenta que o argumento de “interrupção para avaliação” parece sugerir que o Copom avalia que os impactos acumulados do ajuste já realizado sejam maiores aos que aparecem na projeção. “Mas, se isso fosse verdade, o balanço de riscos deveria aparecer explicitamente como sendo assimétrico para baixo”, opina.

‘Copom indica juro parado em 15%, mas não justifica alta de 0,25 ponto porcentual na Selic’

O Copom deixou claro em seu comunicado que a Selic vai ficar estacionada no nível atual de 15% por bastante tempo, mas não os motivos que levaram à decisão de aumentar a taxa em 0,25 ponto porcentual. A avaliação é de Denis Ferrari, sócio e gestor de renda fixa local da Kinea Investimentos. “Não tem justificativas. As projeções de inflação não subiram, o texto não deu maior peso a qualificações como atividade ou inflação, e o balanço de riscos ficou igual ao anterior”, afirmou Ferrari em entrevista ao Estadão/Broadcast.

“Ficou um pouco confuso o motivo que levou o Copom a decidir pela alta”, disse o gestor. E agora, se o cenário permanecer constante, a barra ficou bastante elevada para uma continuidade do ciclo de aumento, observou Ferrari. “O que ficou claro é que o BC quer deixar o juro parado por muito tempo para avaliar os impactos. A sensação é que o juro vai ficar um tempão parado.”

Nas projeções da Kinea, a taxa básica de juros permanecerá em 15% até o final de 2025. “Não vai ser 10 centavos (a mais) de câmbio que vai fazer o Copom mudar de ideia”, aponta Ferrari. Após uma elevação, o histórico do Copom indica que a Selic fica parada por três ou quatro reuniões, diz o gestor. A expectativa, agora, é que o chamado cenário de “high for long” — juro alto por mais tempo — dure mais do que isso. “Não coloco corte de juros este ano (no cenário)”.

Para o gestor de renda fixa da Kinea, o Copom vai começar a reduzir a Selic em janeiro de 2026. Os cortes devem ser iniciados na magnitude de 0,25 ponto porcentual, acelerando posteriormente para 0,5 ponto, diz Ferrari. Em suas estimativas, a taxa deve terminar o próximo ano em 12,50%.

Sobre o impacto na curva de juros futuros, o sócio e gestor da Kinea avalia que a ponta curta, com vencimento em janeiro de 2026, deve passar por uma correção na sexta-feira, abrindo entre 6 e 7 pontos-base, para cerca de 14,94%. /Com Antonio Perez, Caroline Aragaki, Daniel Tozzi Mendes, Denise Abarca, Eduardo Laguna, Francisco Carlos de Assis, Gustavo Nicoletta Luis Eduardo Leal e Mateus Fagundes