Dinheiro não compra felicidade — e as novas gerações estão levando essa ideia a sério dentro das empresas. Para muitos jovens, a vida parece curta demais para sacrificar a saúde mental em troca de uma carreira tradicional.
É o que mostra um novo estudo global sobre longevidade e bem-estar no trabalho: metade da geração Z e dos millennials nos Estados Unidos — contra apenas um quinto dos baby boomers — afirma que aceitaria um corte salarial se o empregador demonstrasse um real compromisso com o bem-estar dos funcionários.
A pesquisa também revelou que os membros da geração Z são os mais insatisfeitos com suas carreiras.

O levantamento, divulgado em abril pelo Oxford Longevity Project em parceria com a plataforma de bem-estar Roundglass, ouviu 14 mil pessoas em 25 países para analisar percepções sobre envelhecimento, ambiente corporativo e qualidade de vida.
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“Descobrimos que a saúde mental hoje é uma das três maiores prioridades das pessoas em todo o mundo”, afirmou Gurpreet Singh, fundador da Roundglass, em comunicado.
“Os funcionários não querem mais sacrificar seu bem-estar em nome do trabalho. E, se as empresas não levarem isso a sério, vão comprometer seus resultados financeiros. Para atrair e reter talentos, investir na saúde mental dos colaboradores se tornou uma exigência.”
Saúde mental como prioridade global
Pesquisas anteriores já haviam apontado que muitas companhias falham em apoiar seus funcionários diante dos altos índices de solidão, burnout e pressão por retorno ao trabalho presencial.
Um levantamento da Gallup publicado no ano passado mostrou que menos de um quarto dos trabalhadores acredita que sua empresa se importa de fato com sua saúde mental — uma percepção que especialistas associam a maiores riscos de rotatividade.
E essa realidade se confirma também em outros países: segundo o estudo global, quase três quartos dos trabalhadores no Egito (73%) e na Índia (71%) disseram considerar o bem-estar mais importante que o salário.
Os entrevistados também indicaram que os benefícios corporativos são um termômetro importante para medir o real compromisso das empresas. Nos Estados Unidos, 67% dos millennials apontaram os benefícios voltados à saúde física como essenciais.
“Boomers e geração X são os que mais precisam cuidar da saúde, mas são os millennials e a geração Z que estão puxando essa mudança, abraçando o conceito de verdadeira longevidade saudável”, afirmou Leslie Kenny, cofundadora do Oxford Longevity Project.
“Os jovens estão levando o autocuidado mais a sério não apesar da idade, mas porque viram pais e avós envelhecerem enfrentando doenças crônicas.”
Um desafio para reter talentos
Esses dados servem de alerta para empresas que queiram atrair e reter trabalhadores jovens — especialmente considerando que o estresse crônico eleva os riscos de problemas de saúde mental e doenças cardíacas, entre outras condições.
Atualmente, os millennials representam mais de um terço da força de trabalho nos Estados Unidos. E o estudo revelou que cerca de um terço deles leva em conta políticas de apoio à saúde mental ao escolher onde trabalhar.
Especialistas em bem-estar corporativo ouvidos anteriormente pela revista Fortune reforçam que, além de oferecer benefícios inclusivos, é fundamental cultivar uma cultura organizacional colaborativa, onde os funcionários sintam-se ouvidos, engajados e encorajados a se expressar — afinal, a cultura da empresa é tudo.
Muitas vezes, são os pequenos gestos de apoio e comunicação que fazem o trabalhador se sentir valorizado e conectado.
“Benefícios escolhidos apenas pelo apelo de marketing raramente atendem às verdadeiras necessidades dos funcionários”, disse Gene Hammett, coach de liderança e apresentador do podcast Growth Think Tank, em entrevista à Fortune.
“Sem uma cultura organizacional sólida e uma liderança genuína, até os melhores benefícios soam vazios e artificiais.”
Esta matéria foi publicada originalmente na Fortune.com
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