Vorcaro deixa a cadeia com tornozeleira eletrônica e impedido de realizar operações financeiras

Banqueiro carregava uma bíblia na mão e testou a tornozeleira antes de entrar no carro e saiu sem falar com a imprensa. Habeas corpus liberou outros quatro executivos do banco. Vorcaro é acusado de fraudes de R$ 12,2 bilhões. Master foi liquidado extrajudicialmente pelo BC

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Foto do autor Pepita Ortega
Por Pepita Ortega (Broadcast) e Beatriz Rocha
Atualização:

Daniel Vorcaro deixa a cadeia

Banqueiro foi solto neste sábado, 29. Crédito: TV Estadão

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O controlador do banco Master, Daniel Vorcaro, foi solto na manhã deste sábado, 29, por volta das 11h50, após passar 11 dias preso na Operação Compliance Zero. O banqueiro deixou o Centro de Detenção Provisória 2 de Guarulhos, onde estava desde a segunda-feira, vestindo camiseta branca, calça jeans, boné e com uma bíblia na mão. Ele não parou para falar com a imprensa. Deu risada, testou a tornozeleira e entrou direto no carro.

Vorcaro e outros quatro executivos investigados pela Polícia Federal por crimes financeiros na gestão do Master foram soltos graças a um habeas corpus do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A decisão foi assinada pela desembargadora Solange Salgado. “Não obstante a presença inicial dos elementos justificadores do decreto prisional, cumpre destacar que os delitos atribuídos ao paciente (Vorcaro) não envolvem violência ou grave ameaça à pessoa”, anotou.

Daniel Vorcaro deixa o Centro de Detenção Provisória em Guarulhos Foto: Fábio Vieira/Estadão

A magistrada converteu a ordem prisão em medidas alternativas. Determinou que os quatro sejam submetidos as seguintes restrições:

  • uso de tornozeleira eletrônica;
  • comparecimento periódico em juízo;
  • proibição de manter contato com outros investigados;
  • proibição de ausentar-se da Comarca;
  • recolhimento domiciliar no período noturno;
  • proibição de exercer atividade financeira;
  • entrega do passaporte com proibição de sair do País.

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No caso de Vorcaro, a Polícia Federal já havia retido seu passaporte. O banqueiro foi preso no último dia 17 quando tentava embarcar em um jatinho particular com destino ao exterior. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, menos de um dia depois de o Grupo Fictor ter indicado o interesse em comprar a instituição.

A investigação contra Daniel Vorcaro e o Banco Master

Daniel Vorcaro é acusado de fraudes financeiras de R$ 12,2 bilhões. Segundo as investigações da Polícia Federal, o Banco Master teria vendido carteiras falsas de crédito ao BRB, com o objetivo de cobrir o rombo nas suas contas.

O Master argumenta ter agido de boa fé no negócio com o BRB, por isso permitiu que o banco público substituísse as carteiras de crédito por outros ativos, com o objetivo de impedir um prejuízo.

Em março, o BRB, banco do governo do Distrito Federal, fez uma oferta de compra pelo Master. Após cinco meses de análise e intensa disputa nos bastidores, o Banco Central vetou a transação.

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No dia 18 de novembro, junto com a prisão de Vorcaro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master. Na véspera, um consórcio formado pelo Grupo Fictor e investidores dos Emirados Árabes Unidos teria indicado o interesse em comprar o Master.