‘Risco Ormuz’ vai ser repassado ao consumidor antes da campanha?
Subvenções ao diesel acabam em dois meses, caso contrário geram um rombo no Tesouro Nacional; Lula vem sendo alertado que não é possível estender os subsídios. Crédito: Estadão
Gerando resumo
As cotações do petróleo hoje operam próximas da estabilidade nesta terça-feira (23), mas acumulam forte correção depois que o mercado passou a desmontar o prêmio de risco embutido durante a guerra entre Estados Unidos e Irã.
Investidores enxergam uma probabilidade crescente de que o acordo provisório entre Washington e Teerã evolua para um entendimento mais amplo, reduzindo o risco de interrupções no fornecimento global.
Ormuz aberto muda o humor do mercado
O principal símbolo dessa mudança está no Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.
Na segunda-feira, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que as negociações realizadas na Suíça criaram uma “boa base” para um acordo definitivo e confirmou avanços nas discussões sobre segurança da navegação na região.
Já nesta terça-feira, Donald Trump afirmou que decidiu manter Ormuz aberto e suspender qualquer bloqueio naval americano após o que classificou como concessões relevantes do governo iraniano. Segundo o presidente americano, Teerã concordou com inspeções nucleares e com a manutenção do tráfego marítimo na rota.
O governo iraniano, por sua vez, contestou parte dessas declarações e negou que novas inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) já tenham sido autorizadas.
A divergência mostra que as negociações continuam cercadas de incertezas. Ainda assim, para o mercado de petróleo, a simples manutenção do fluxo marítimo já reduz significativamente o temor de uma crise de oferta.
Petróleo iraniano volta ao radar global
Outro fator que pressiona as cotações é a perspectiva de retorno gradual dos barris iranianos ao mercado internacional.
Na segunda-feira, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), ligado ao Tesouro dos EUA, autorizou temporariamente a produção, entrega e venda de petróleo iraniano até 21 de agosto.
A licença também permite a importação para os Estados Unidos de petróleo bruto e derivados de origem iraniana durante o período de 60 dias estabelecido pelas negociações.
O anúncio reforçou a percepção de que parte das restrições comerciais impostas a Teerã poderá ser flexibilizada caso as conversas avancem.
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Alívio para Petrobras e inflação
A queda do petróleo tende a aliviar parte das preocupações com inflação global que ganharam força durante o conflito.
Ainda assim, integrantes do Banco Central Europeu (BCE) alertam que os aumentos recentes da energia já começaram a produzir efeitos indiretos em setores como transporte, alimentos e bens industriais.
No Brasil, a correção da commodity é acompanhada de perto por investidores da Petrobras (PETR3; PETR4).
Os American Depositary Receipts (ADRs), certificados que representam ações da Petrobras negociados na Bolsa de Nova York (Nyse), operavam em queda no pré-mercado nesta terça-feira. O equivalente à ação ordinária da estatal recuava 0,35%, a US$ 16,95, enquanto o equivalente à preferencial caía 0,72%, a US$ 15,15.
A pressão reflete o enfraquecimento do Brent, principal referência para a geração de caixa da companhia, embora a Petrobras tenha anunciado recentemente investimento de US$ 1,2 bilhão em uma nova planta de bioquerosene de aviação e diesel renovável na Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão (SP).
*Com informações do BroadCast




