Petróleo hoje testa um novo piso enquanto Washington e Teerã divergem sobre inspeções

Brent cai para a faixa de US$ 77 após sinais de normalização em Ormuz, avanço das negociações nucleares e redução do prêmio de risco

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Foto do autor Igor Markevich
Atualização:

‘Risco Ormuz’ vai ser repassado ao consumidor antes da campanha?

Subvenções ao diesel acabam em dois meses, caso contrário geram um rombo no Tesouro Nacional; Lula vem sendo alertado que não é possível estender os subsídios. Crédito: Estadão

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As cotações do petróleo hoje operam próximas da estabilidade nesta terça-feira (23), mas acumulam forte correção depois que o mercado passou a desmontar o prêmio de risco embutido durante a guerra entre Estados Unidos e Irã.

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Por volta das 9h (de Brasília), o barril do Brent para setembro recuava 0,28%, a US$ 77,30, enquanto o WTI para agosto caía 0,20%, a US$ 73,71.

Na madrugada, o Brent chegou a US$ 76,44 e o WTI caiu para US$ 72,76, aprofundando as perdas iniciadas na semana passada.

Investidores enxergam uma probabilidade crescente de que o acordo provisório entre Washington e Teerã evolua para um entendimento mais amplo, reduzindo o risco de interrupções no fornecimento global.

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Ormuz aberto muda o humor do mercado

O principal símbolo dessa mudança está no Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.

Na segunda-feira, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que as negociações realizadas na Suíça criaram uma “boa base” para um acordo definitivo e confirmou avanços nas discussões sobre segurança da navegação na região.

Já nesta terça-feira, Donald Trump afirmou que decidiu manter Ormuz aberto e suspender qualquer bloqueio naval americano após o que classificou como concessões relevantes do governo iraniano. Segundo o presidente americano, Teerã concordou com inspeções nucleares e com a manutenção do tráfego marítimo na rota.

O governo iraniano, por sua vez, contestou parte dessas declarações e negou que novas inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) já tenham sido autorizadas.

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A divergência mostra que as negociações continuam cercadas de incertezas. Ainda assim, para o mercado de petróleo, a simples manutenção do fluxo marítimo já reduz significativamente o temor de uma crise de oferta.

Petróleo iraniano volta ao radar global

Outro fator que pressiona as cotações é a perspectiva de retorno gradual dos barris iranianos ao mercado internacional.

Na segunda-feira, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), ligado ao Tesouro dos EUA, autorizou temporariamente a produção, entrega e venda de petróleo iraniano até 21 de agosto.

A licença também permite a importação para os Estados Unidos de petróleo bruto e derivados de origem iraniana durante o período de 60 dias estabelecido pelas negociações.

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O anúncio reforçou a percepção de que parte das restrições comerciais impostas a Teerã poderá ser flexibilizada caso as conversas avancem.

Alívio para Petrobras e inflação

A queda do petróleo tende a aliviar parte das preocupações com inflação global que ganharam força durante o conflito.

Ainda assim, integrantes do Banco Central Europeu (BCE) alertam que os aumentos recentes da energia já começaram a produzir efeitos indiretos em setores como transporte, alimentos e bens industriais.

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No Brasil, a correção da commodity é acompanhada de perto por investidores da Petrobras (PETR3; PETR4).

Os American Depositary Receipts (ADRs), certificados que representam ações da Petrobras negociados na Bolsa de Nova York (Nyse), operavam em queda no pré-mercado nesta terça-feira. O equivalente à ação ordinária da estatal recuava 0,35%, a US$ 16,95, enquanto o equivalente à preferencial caía 0,72%, a US$ 15,15.

A pressão reflete o enfraquecimento do Brent, principal referência para a geração de caixa da companhia, embora a Petrobras tenha anunciado recentemente investimento de US$ 1,2 bilhão em uma nova planta de bioquerosene de aviação e diesel renovável na Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão (SP).

*Com informações do BroadCast

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Com o fluxo de petróleo voltando ao Golfo Pérsico, investidores recalculam riscos. Brent ronda US$ 77 e negociações entre EUA e Irã seguem no foco. Foto: Adobe Stock

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