Quando a figurinha repetida do álbum vira gesto de solidariedade na Copa

Projeto de estudantes arrecada cromos repetidos e álbuns para crianças em situação de vulnerabilidade social

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Atualização:

Troca de figurinhas da Copa do Mundo muda rotina nas escolas

Popular entre as crianças, atividade favorece a socialização, mas necessita de regras. Crédito: Estadão

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

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Quando descobriu que dois pacotinhos de figurinha custavam quase o valor de um litro de leite em 2022, o estudante Allan Gora Cohen, percebeu que essa tradição da Copa do Mundo estava distante de muitas famílias. A partir desse incômodo, ele criou o projeto “Figurinha Para Todos”, com a ajuda do melhor amigo, Felipe Len. Os dois tinham 15 anos à época; hoje, têm 19.

A iniciativa arrecada figurinhas, pacotes fechados e álbuns para distribuir a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. As doações atuais já estão superando os dados de 2022:

  • Em 2022, o projeto fechou a campanha com 157 mil figurinhas arrecadadas, 650 álbuns distribuídos e atendimento a 12 instituições sociais.
  • Em 2026, os organizadores estimam já ter arrecadado entre 150 mil e 160 mil figurinhas, praticamente igualando ou superando o total da Copa anterior antes mesmo do encerramento da campanha.

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Hoje são mais de 40 postos de coleta (estabelecimentos comerciais) em seis estados brasileiros, além das escolas parceiras. Em 2022, o projeto era essencialmente concentrado em São Paulo. Em 2026, a iniciativa se expandiu para Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

Existem atualmente mais de 70 instituições cadastradas em um formulário de solicitação de doações. Mais do que a doação de figurinhas, a iniciativa permite que crianças participem, ainda que de forma simbólica, da experiência da Copa.

Os estudantes Allan Cohen e Felipe Len (no centro) doam kits para crianças do Ceuzinho Jabaquara em São Paulo Foto: Andrea Cohen

Todas as doações são distribuídas para instituições de caridade como hospitais, escolas e organizações não governamentais. Allan e Felipe fazem questão de realizar as entregas pessoalmente para explicar a dinâmica do álbum e estimular as trocas entre as crianças. Eles descrevem esses encontros como os momentos mais emocionantes do projeto.

“Uma figurinha já faz diferença e pode ajudar a completar o álbum de uma criança que talvez nunca tivesse acesso a essa experiência”, destaca Allan, que estuda Administração na FGV EBAPE (RJ).

Uma das instituições beneficiadas foi o Projeto Ceuzinho Jabaquara, que há mais de duas décadas beneficia crianças e jovens em situação de vulnerabilidade por meio do futebol e de ações sociais na zona sul. No dia 8 de junho, os estudantes do Lar das Crianças da CIP receberam uma doação de 18 álbuns e 7.830 figurinhas.

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Potencial educacional do álbum

Felipe acredita que, mais do que uma brincadeira, o álbum funciona como uma forma de participar da Copa do Mundo. Completar páginas, abrir pacotinhos e trocar figurinhas repetidas são rituais que ajudam a construir um sentimento de pertencimento a um evento mundial.

“Uma coisa muito simples e que acaba proporcionando para crianças participar da Copa de alguma forma”, afirma Len, estudante de Comunicação na ESPM (SP). “Existia um problema e nós encontramos uma solução”.

Algumas instituições optaram por usar o álbum coletivamente em sala de aula, em vez de entregar um exemplar para cada criança. No Lar das Crianças da CIP, em São Paulo, e na Casa Santa Inês, no Rio, os álbuns foram utilizados como recurso educacional para ensinar geografia, história, matemática e cultura geral.

A identificação de bandeiras, capitais e continentes, por exemplo, pode servir como ponto de partida para discussões sobre diferentes países e costumes. Já as trocas de figurinhas incentivam convivência e socialização. As instituições relataram que as figurinhas serviram como ferramenta de aprendizagem e integração entre os alunos.

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Trabalho escolar

A iniciativa surgiu em 2022 como uma atividade extracurricular da escola Beit Yaacov, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Allan ainda cursava o Ensino Médio.

Os jovens Allan Cohen e Felipe Len separam os kits para doação do projeto Figurinha para Todos Foto: Andrea Gora Cohen

Outra fonte de inspiração para o início do projeto foi a história de João Gabriel, menino de Goiânia que viralizou nas redes sociais ao desenhar e pintar com lápis de cor o próprio álbum da Copa por não ter condições de comprar as figurinhas.

Allan e Felipe são melhores amigos desde sempre. Cursaram os mesmos colégios desde o maternal. Só se separaram agora, na vida universitária. A amizade virou empreendedorismo social: Felipe cuida da comunicação; Allan, da logística. Ambos relatam dificuldades para conciliar faculdade e projeto, chegando a responder mensagens e organizar ações durante os intervalos das aulas.

O projeto estudantil virou uma operação familiar: as respectivas mães dos dois estudantes também estão envolvidas no projeto.

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Para divulgar a ideia no início, Allan criou uma página no Instagram e gravou um vídeo pedindo doações, inicialmente compartilhado apenas com familiares e amigos.

O que parecia uma mobilização pequena ganhou proporção. Em poucas semanas, o projeto recebeu apoio de jogadores profissionais, como Tchê Tchê, atualmente no Botafogo, e o goleiro Carlos Miguel, hoje no Palmeiras, que gravaram vídeos incentivando as doações. “A gente achou que o projeto ia ficar apenas no nosso círculo de amigos”, relembra Allan. “Não imaginávamos que teria essa repercussão”, diz Felipe.

A ação viralizou neste ano. Vídeo publicado alcançou mais de 1,5 milhão de visualizações e foi apontado pelos organizadores como o principal ponto de virada da campanha.

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  • Desde o relançamento do projeto em março, o perfil acumulou mais de 2,8 milhões de visualizações no Instagram.
  • O perfil saltou de cerca de 2 mil seguidores na Copa anterior para 15 mil seguidores nesta edição.

O projeto atraiu diversos apoiadores que se tornaram locais de coleta. “Receber o Figurinha para Todos é uma forma de mostrar que um gesto simples pode transformar a experiência de uma criança elevar o espírito da Copa para quem talvez não tivesse acesso a ela”, Bernardo Dinardi, CEO da tm1, responsável pela concepção e organização da Casa CazéTV, espaço de entretenimento que possui urnas para doação no São Paulo e no Rio.

O impacto do projeto já ultrapassou as fronteiras brasileiras. De acordo com Felipe Len, a iniciativa foi destaque em veículos de imprensa de 15 países, entre eles Arábia Saudita, México, Estados Unidos e Malásia.

Como doar

Como você pode contribuir com o Figurinha Para Todos?

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  • Doando figurinhas, pacotinhos e álbuns nos 40 pontos de coleta em São Paulo ou via Correios
  • Contribuindo via Pix: figurinhaparatodos@gmail.com
  • Os pontos de coleta são:
  • Av. Brigadeiro Faria Lima, 1826 - conjunto 101 - Jd. Paulistano - 01451-908
  • Rua Visconde de Pirajá, 303 - cj 1301 - Ipanema - 22410-001
  • Mais informações na página Figurinha para Todos no Instagram