Antigo ‘terror’ de brasileiros na Libertadores vive crise, rejeita SAF e está à beira de nova queda

Equipe argentina corre risco de não jogar o principal torneio pelo segundo ano consecutivo

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Foto do autor Leonardo Catto
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Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

O Boca Juniors enfrenta um momento crítico na Libertadores, precisando reverter uma derrota de 1 a 0 para o Alianza Lima na Bombonera. Se não avançar, ficará fora do torneio por dois anos consecutivos, algo que não ocorre desde 2010-2011. A pressão recai sobre o presidente Riquelme, criticado por desmandos e perdas de jogadores. O técnico Fernando Gago conta com o retorno de Cavani e Advíncula para superar o Alianza. O resultado pode afetar a continuidade de Gago e aumentar a pressão sobre Riquelme.

Jogar contra o Boca Juniors já foi sinônimo de medo no futebol sul-americano. Era o caso até mesmo para os brasileiros, que dominam a Libertadores nos últimos sete anos. Entretanto, o clube vive um momento difícil e pode protagonizar um revés que só aconteceu uma vez neste século: ficar fora do principal torneio continental por dois anos seguidos.

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Em 2010 e 2011, foi a última vez em que isso aconteceu – e única a partir de 2000. Depois o Boca Juniors chegou a ficar ausente mais duas vezes (2014 e 2017). Desde o último título, em 2007, o clube chegou a três finais (2012, 2018 e 2023) e a quatro semifinais (2008, 2016, 2019 e 2020).

Nesta terça-feira, o time precisa reverter uma derrota de 1 a 0 para o Alianza Lima para conseguir ir à terceira fase. A ideia é contar com a força da Bombonera, o estádio mais temido do mundo. Se não conseguir avançar, contudo, o Boca Juniors iguala a marca negativa de 14 anos atrás, enquanto o presidente e ídolo Riquelme lida com pressão do torcedor.

Queda na prévia da Libertadores pode impulsionar demissão de Fernando Gago, no comando técnico desde outubro de 2024. Foto: Alejandro Pagni/AFP

O ano de 2024 já foi ruim. Além de estar fora da Libertadores, o clube passou sem títulos. A classificação a fase prévia do torneio veio somente com o título argentino do Vélez Sarsfield, que “abriu” uma vaga a mais ao terceiro colocado na classificação geral.

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“Tem a pressão sobre o Riquelme. Imagino que, se sair da Libertadores, vai sair maior ainda. Ele ganhou a última eleição, além de ser um ídolo, teve relacionado ao fato de que, com ele, havia a certeza de que o clube seguiria sendo social e que o projeto do Macri, que apoiava o candidato de oposição, tinha interesse de abrir para investimento externo”, explica o repórter Cristiano Munari, especialista em futebol argentino.

Enquanto as SAFs se multiplicam no Brasil, a Argentina vive uma relação diferente. Clubes grandes como Boca Juniors, River Plate, Racing, Independiente e San Lorenzo rejeitam a ideia das chamadas Sociedads Anónimas Deportivas (SAD). As agremiações funcionam fortemente como clubes sociais e, além do futebol, contam com outras modalidades esportivas e espaços vistos como ambientes de socialização.

Isso garantiu o apoio a Riquelme para a eleição, mas não impede que a torcida esteja descontente com o presidente. A crítica ao ídolo não é favorável a SAD, mas flerta com o grupo político de Macri.

“O nome do Riquelme vem sendo bastante contestado pelos resultados recentes, pela série de desmandos no clube, troca de treinador, jogadores que o Boca perdeu”, diz Munari, citando o goleiro Agustín Rossi (hoje no Flamengo), o zagueiro Valentini (Hellas Verona, da Itália), e os meias Valentín Barco (Strasbourg, da França) e Cristian Medina (Estudiantes). Todos esses ou saíram de graça em fim de contrato, ou por multas rescisórias baratas.

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Queda na Libertadores não seria condizente com ambiciosa janela de transferências

Com o Mundial de Clubes na mira, o Boca Juniors fez uma janela ousada. O principal reforço foi Alan Velasco, meia que estava no FC Dallas e que custou US$ 9,6 milhões (cerca de R$ 55 milhões). Foi a segunda contratação mais cara da história do Boca, atrás somente da compra de Riquelme junto ao Villareal, em 2008, por US$ 14 milhões (R$ 26 milhões, na época).

Além de Velasco, chegou, sem custos, o meia espanhol Ander Herrera, com passagem por Manchester United e PSG. Com o goleiro Marchesín, o zagueiro Ayrton Costa, os meias Battaglia e Alarcón e o atacante Palacios, o clube gastou mais US$ 14,6 milhões (cerca de R$ 80 milhões).

“Financeiramente (ficar fora da Libertadores) não é o assunto mais importante. Mas o grande impacto que vai ter se o Boca cair fora é ficar fora de duas Libertadores seguidas”, diz Munari, lembrando que, se forem eliminados pelo Alianza Lima, os argentinos sequer disputam a Sul-Americana, como em 2024.

A competição “secundária” foi encarada com desdém pelo Boca Juniors, eliminado pelo Cruzeiro, nas oitavas de final. Para Munari, uma queda na segunda fase da Libertadores pode impactar na possível demissão do técnico Fernando Gago, além do aumento de pressão em Riquelme.

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Alianza Lima tem vantagem, conquistada na vitória por 1 a 0, com gol de Pablo Ceppelini. Foto: Martin Mejia/AP

Time conta com retorno de Cavani para avançar na Libertadores

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O Boca lidou com cobranças na vitória sobre o Aldosivi por 2 a 1 pela Liga Argentina, no fim de semana. A equipe empatava até sete minutos antes do fim da partida, quando Merentiel garantiu a vitória.

O atacante foi titular no jogo de ida contra o Alianz Lima, mas deve dar lugar a Cavani, que retorna após uma lesão na coluna. Aos 38 anos, o uruguaio, que chegou em 2023, tem dificuldade em repetir desempenhos que teve nos tempos de Napoli e PSG.

No clube francês, sua média de gols por jogo foi de 0,66. Já em Nápoles, chegou a 0,75. Com 24 gols em 58 jogos com a camisa xeneize, a média atual é de 0,41.

Apesar do vice-campeonato da Libertadores em 2023, Cavani não consegue ter o mesmo sucesso, na Argentina, que o compatriota Luis Suárez teve no Brasil, por exemplo. Foto: Alex Silva/Estadão

Quem também não jogou na ida e deve retornar é o lateral Luis Advíncula. Ele estava suspenso por causa de uma expulsão, contra o Cruzeiro, ainda pela Sul-Americana do ano passado. Foi dele o primeiro gol na vitória contra o Aldosivi.

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“Digo a vocês que esta equipe dará tudo de si para tentar o resultado positivo, com convicção e confiança no que significa entrar na Libertadores. É uma final”, disse Gago na entrevista coletiva de sábado, após o triunfo.

“Eu sei o que significa jogar na Bombonera, nossa gente, quando o time tem momentos de situações positivas e incríveis que vivi como jogador e não vivi em nenhum outro estádio. Vamos aproveitar isso”, projeta o técnico.

Do outro lado, o Alianza Lima é comandado pelo argentino Néstor Gorosito., o qual foi meia do River Plate na conquista da tríplice coroa de 1986 (Liga Argentina, Libertadores e Mundial). Também ciente do que é enfrentar o Boca no estádio do rival, o técnico provocou.

“Os torcedores não jogam. Nenhum jogador foi morto lá. Não acontece nada, são 11 contra 11. A situação no campo do Boca é tudo bobagem, um mito“, disse Gorosito em entrevista à Rádio La Red, de Buenos Aires.

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Aos 40 anos, Barcos é um dos líderes do elenco do Alianza Lima e já marcou duas vezes nas fases prévias desta Libertadores. Foto: Martin Mejia/AP

À sua disposição, o técnico conta com veteranos no ataque. No jogo de ida, o ex-Palmeiras Hernán Barcos foi o titular. Ele marcou na ida e na volta da primeira fase, ante o Nacional do Paraguai. Para o jogo de volta, o peruano Paolo Guerrero também é uma opção. O ex-corintiano se recuperou de dores no tornozelo e chegou a marcar no fim de semana pelo Campeonato Peruano.

O vencedor entre Boca e Alianza avança à terceira fase, a última antes dos grupos. O adversário sai do duelo entre o Deportes Iquique e o Independiente Santa Fe, no qual os chilenos carregam a vantagem de 2 a 1. A partida também é nesta terça-feira.