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Argentina ganhou prêmio quase 10 vezes maior que o da Espanha por título da Copa do Mundo; entenda

Jogadoras, porém, recebem premiação individual no Mundial feminino; saiba o que a Fifa tem feito para diminuir diferença entre homens e mulheres em suas competições

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Foto do author Marcos Antomil
Por Marcos Antomil
Atualização:

Argentina e Espanha ostentam os títulos de melhores seleções do mundo no futebol masculino e feminino. Enquanto, os sul-americanos, liderados por Lionel Messi, faturaram o troféu no Catar em novembro de 2022, as espanholas chegaram à glória no último fim de semana, na Austrália. Apesar da magnitude das conquistas, a diferença nos valores da premiação recebida pelas duas equipes ainda é muito grande.

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A Federação Internacional de Futebol (Fifa) distribuiu para a seleção argentina masculina um total de US$ 42 milhões (aproximadamente R$ 210 milhões, na cotação atual). Já a seleção espanhola feminina receberá como premiação US$ 4,3 milhões (cerca de R$ 21,5 milhões). A diferença entre os valores é de quase 10 vezes.

Para minimizar tais efeitos, a Fifa também entregará premiações individuais para cada atleta participante da Copa Feminina. As 23 campeãs levam US$ 270 mil (R$ 1,35 milhão). No total, a entidade máxima do futebol desembolsará US$ 110 milhões (R$ 548 milhões), um aumento de cerca de 300% em relação ao último Mundial, disputado na França, em 2019.

Aitana Bonmatí foi eleita a melhor jogadora da Copa do Mundo feminina. Foto: Rick Rycroft/ AP

Para efeito de comparação, a Copa do Mundo na Austrália e na Nova Zelândia gerou uma arrecadação de US$ 570 milhões (R$ 2,84 bilhões), enquanto a versão masculina, no Catar, acumulou R$ 7,5 bilhões (R$ 37,4 bilhões) para os cofres da Fifa.

“Algumas vozes se levantaram para dizer que a Copa Feminina custaria muito, que não temos tantas receitas e teríamos de subsidiar. Se tivermos que subsidiar, vamos fazer. Mas, na verdade, essa Copa do Mundo gerou mais de US$ 570 milhões em receitas. Nós não tivemos prejuízo e geramos a segunda maior renda da história de qualquer esporte, atrás apenas da Copa do Mundo masculina. Não há muitas competições, mesmo no futebol masculino, que gerem mais de meio bilhão em receita”, afirmou o presidente da Fifa, Gianni Infantino, antes da final do Mundial, em que a Espanha superou a Inglaterra.

Apesar da valorização que Infantino fez do Mundial feminina, uma frase não caiu muito bem e foi tida como uma gafe. “(Mulheres) Escolham as batalhas certas. Vocês têm o poder de convencer a nós, homens, sobre o que nós temos de fazer e o que não temos de fazer. Apenas façam. Vocês vão encontrar as portas abertas na Fifa”, disse o mandatário. Críticos apontaram que a frase inicial coloca sobre as mulheres a responsabilidade sobre as decisões tomadas pelos homens do futebol.

Jennifer Hermoso comemora título mundial com a seleção espanhola na Austrália. Foto: Amanda Perobelli/ Reuters

Em março de 2023, Infantino fez uma avaliação sobre medidas necessárias para equilibrar os ganhos de seleções masculinas e femininas. Segundo o mandatário, os primeiros passos dizem respeito a igualdade de condições de preparação, como acomodações, translado e equipamentos. Depois, a Fifa prevê uma intensa estratégia de marketing para fomentar o futebol feminino e buscar equilibrar as premiações no Mundiais de 2026 (masculino) e 2027 (feminino).

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Além da Fifa, porém, as federações nacionais têm papel crucial para diminuir a desigualdade. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foi uma das precursoras neste ciclo a anunciar que os times masculino e feminino ganhariam os mesmos valores. A medida, adotada anteriormente na Austrália, foi seguida pela campeão mundial, Espanha.

Relatório da Fifa aponta evolução em alguns aspectos

Há alguns dias, a Fifa divulgou a terceira edição do relatório “Setting the pace” com um panorama sobre o desenvolvimento do futebol feminino em 34 campeonatos nacionais, incluindo o Brasil. “Na Fifa, nos dedicamos a apoiar clubes e ligas, juntamente com quaisquer outras partes interessadas em impulsionar o crescimento do futebol feminino, com acesso a dados para formar estratégias e processos de tomada de decisão, abrangendo áreas chave, como aspectos esportivos, questões de governança, finanças e engajamento dos torcedores e dos jogadores. Assim, podemos promover a inclusão, a igualdade e a excelência dentro do jogo”, afirma Infantino.

Entre os principais dados, se destaca o fato de que as ligas com uma estratégia de negócios definida tiveram uma receita comercial maior (US$ 2,7 milhões em média) em comparação às que não tinham (US$ 1,1 milhão). Outro dado interessante diz respeito ao aumento de 12% no número de espectadores por jogo, ficando na média de 1.127 na temporada 2021-22. Já o salário médio das atletas aumentou de US$ 14 mil para US$ 16.825.

O documento também revela que 76% dos clubes oferecem ajuda às atletas que têm dupla profissão, como flexibilidade nos horários de treinamentos, acesso a cursos e postos de trabalho.