Brasileirão é a liga mais desequilibrada na divisão dos direitos de TV; veja comparativo
Rodrigo Capelo mostra os dados de campeonatos europeus, como Inglaterra e Espanha, e sul-americanos, como o do Chile; veja. Crédito: Isabel Lima (imagens) | João Abel (edição de vídeo)
Gerando resumo
Passadas 11 rodadas, o Brasileirão registra média de público de 22,4 mil torcedores. O Flamengo é o time que mais levou torcida ao estádio. O clube carioca lidera o ranking até o momento, com média de público de 57,9 mil,
Bahia e Corinthians, segundo e terceiro, respectivamente, têm 36,98 mil e 32,6 mil de média de público. São Paulo (30 mil) e Fluminense (28,27 mil) completam o top 5. O Flamengo é dono do maior público no Brasileirão. A vitória por 3 a 1 sobre o Santos foi assistida por 68.615 torcedores no Maracanã.
O campeonato apresenta queda de 13,2% de média de público em relação à à edição anterior, na qual, a esta mesma altura, 25,8 mil era a média. Somente quatro equipes têm levado mais de 30 mil espectadores por jogo neste ano – foram dez clubes em 2023, nove em 2024 e seis em 2025.
O São Paulo foi um dos únicos que registrou maior presença do torcedor em 2026, com alta de 25% no MorumBis em relação à média de 24 mil em 2025. No total, o time tricolor levou mais de 150 mil pessoas aos seus jogos do Brasileirão.
O Palmeiras teve queda expressiva de público porque jogou três dos cinco confrontos como mandante na Arena Barueri, estádio com capacidade de público inferior à do Allianz Parque, embora apresente uma das taxas mais altas de ocupação do estádio: 67,34%. O clube, que está no 12º lugar, com 19,5 mil, voltou a jogar recentemente em sua arena.
Vasco, Chapecoense e Santos, que jogam em estádios com capacidade de público pequena, registram alta taxa de ocupação. O time carioca lidera nesse quesito (86,4%), seguido do Bahia (77%), enquanto catarinenses e paulistas têm 71% cada um.
O que explica a queda dos números?
Entre os principais motivos citados por especialistas para a menor adesão do público do Brasileirão em 2026 está o início antecipado do torneio nesta temporada, em janeiro, o que provocou acúmulo de jogos nas primeiras semanas de 2026, com partidas também dos Estaduais.
O atual patamar dos preços dos ingressos também se destaca entre os fatores que podem justificar tal cenário, aponta Fábio Wolff, sócio-diretor da agência de marketing esportivo Wolff Sports.

“A mudança nos horários tradicionais, com jogos mais cedo durante a semana e à noite, nos fins de semana, também influencia o comportamento do torcedor. Soma-se a isso o alto custo dos ingressos, sobretudo nos grandes centros, o que pode levar à escolha por partidas específicas, como confrontos de mata-mata ou jogos do próprio Brasileirão”, diz.
André Dalto, vice-presidente de administração do Internacional, que tem média de 21 mil torcedores e está na 11ª posição do ranking, tem raciocínio semelhante.
“Temos cerca de 150.000 sócios que contam com vantagens e ingressos a partir de R$ 10, visando diminuir o impacto financeiro. Outra questão é sobre os horários e logística: jogos realizados em horários tardios dificultam o transporte público, impactando principalmente os torcedores da região metropolitana de Porto Alegre”, argumenta.
A obrigatoriedade do acesso aos estádios por meio do reconhecimento facial, imposta aos locais com capacidade de pelo menos 20 mil pessoas desde junho de 2025, e que torna os ingressos intransferíveis, também pode ter colaborado com a redução do público.

Em Itaquera, por exemplo, o Corinthians tem tido dificuldade em manter as médias de outros tempos, próximas à casa dos 40 mil.
Tironi Paz Ortiz, CEO da Imply, empresa responsável pela implementação do reconhecimento facial em 10 estádios no país, acredita que esse cenário deve ser revertido, de modo que a tecnologia pode ser importante para levar mais público às arenas.
“O sistema é capaz de autenticar o usuário em poucos segundos, o que possibilita reduzir consideravelmente o tempo de espera e evitar aglomerações nas entradas. Consequentemente, é possível proporcionar maior conforto, comodidade e uma experiência muito mais positiva aos espectadores”, afirma.
Bruna Simões, CEO da Thunder Games, empresa desenvolvedora de soluções gamificadas, aponta uma mudança de comportamento dos torcedores mais jovens, especialmente da Geração Z, em que já há, por exemplo, a preferência pelo consumo de esportes por meio das redes sociais (56%) em detrimento da TV aberta (54%), segundo o estudo conduzido pela empresa MindMiners.
“A nova geração consome esporte de forma digital, fragmentada e altamente interativa. E formatos gamificados conseguem capturar essa atenção, na medida em que aliam competição, entretenimento, criadores e comunidade em uma única experiência. Esse modelo dialoga diretamente com a forma como o público jovem se informa, se conecta e passa o tempo hoje”, pontua.





