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Palmeiras empresta e vende muito, contrata pouco, mas mantém espinha dorsal com Abel Ferreira

Em três anos, clube consegue afastar assédio do exterior e segurar pilares do elenco, como Gustavo Gómez, Raphael Veiga e Rony

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Foto do author Ricardo Magatti
Atualização:

O esforço do Palmeiras em manter o zagueiro e capitão Gustavo Gómez, alvo dos endinheirados clubes árabes na janela de transferência do mês passado, evidencia a dinâmica de vendas e contratações do clube sob a gestão da presidente Leila Pereira e de Abel Ferreira, treinador que tem participação importante nas mudanças do elenco.

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O ex-presidente Maurício Galiotte modificou a política de contratações do Palmeiras depois de demitir o diretor Alexandre Mattos em 2019. Leila Pereira, sua sucessora, deu continuação ao planejamento de apostar na base e mais vender e emprestar do que contratar. Com Abel, comandante do time desde novembro de 2020, portanto há quase três anos, esse pensamento foi reforçado e consolidado.

Os 30 milhões de euros oferecidos pelo Al-Ittihad, que tem em seu elenco o astro francês Karim Benzema, seduziram Gómez, mas Leila Pereira exigiu que os árabes pagassem a multa rescisória do zagueiro, de 50 milhões de euros, o que não aconteceu. Antes, o Al-Nassr, de Cristiano Ronaldo, já havia demonstrado interesse no defensor paraguaio. Quatro times do Oriente Médio também sondaram Rony, de acordo com seu empresário, Hércules Júnior. Equipes de Itália e Espanha fizeram consultas por Raphael Veiga. Nenhum deles saiu.

Neste ano, chegaram propostas também pelo lateral-esquerdo uruguaio Piquerez e pelo versátil meio-campista Zé Rafael. Até o zagueiro reserva Luan teve oferta para deixar o Palmeiras, mas o clube recusou a investida do Krasnodar, da Rússia. Todos esses atletas citados, segundo Abel Ferreira, ficaram alvoroçados “com os muitos zeros” nas ofertas, incluindo o próprio treinador.

Palmeiras segurou Gustavo Gómez, alvo de clubes árabes, e outros pilares do elenco Foto: Cesar Greco/SE Palmeiras

“Os jogadores tiveram e o treinador também teve propostas, mas assinamos um contrato e temos obrigações a cumprir. Se quiser sair, terá de pagar a cláusula rescisória, é simples”, disse o técnico português em entrevista recente.

“Lógico que chegaram ofertas, tem sempre de ser boa para o jogador e também para o clube, mas é isso, nós já passamos por tanta coisa, somos maduros o suficiente mesmo diante das propostas”, reforçou Raphael Veiga, um dos que mais despertam a cobiça de clubes do exterior, principalmente depois de aparecer na seleção brasileira. Vários atletas foram seduzidos pelos milhões de euros oferecidos por clubes estrangeiros, mas decidiram ficar no Palmeiras. A diretoria trouxe apenas dois reforços neste ano - Richard Ríos e Artur - e se desfez de 11 jogadores, mas nenhum deles titular e considerado indispensável.

Aposta na base

Os palmeirenses reclamam da inação dos dirigentes no mercado, mas a estratégia é contratar apenas de forma pontual e segurar os principais jogadores do elenco. E esse movimento de manter os protagonistas, renovando o contrato de alguns deles com aumento, incha a folha salarial e torna mais complicado reforçar o time.

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Além disso, Abel tem o pensamento - muitas vezes externado - de que gosta de trabalhar com um grupo enxuto para manter alto o nível de competitividade e não deixar ninguém encostado. Sem dinheiro em caixa para gastar em novos atletas, o jeito é apostar na prolífica base. Hoje, dez dos 28 jogadores que integram o time profissional foram formados no clube: o goleiro Mateus, o zagueiro Naves, os laterais Garcia e Vanderlan, os meio-campistas Fabinho, Gabriel Menino, Jhon Jhon e Luís Guilherme e os atacantes Kevin e Endrick.

“Não temos dinheiro para pagar 15, 16 milhões de euros em reforços. Então, precisamos acreditar nessa base que temos, e que o clube fez tudo para segurar”, justifica Abel. “Tive de tomar decisões difíceis no início do ano. Saíram nove jogadores, alguns experientes. Outros que queriam jogar, e eu disse que não iríamos contratar”.

Rony recebeu sondagens de quatro times árabes, mas não Palmeiras não quer negociá-lo agora Foto: Amanda Perobelli/ Reuters

Mais saídas do que chegadas

A espinha dorsal foi mantida, com a permanência de Gómez, Zé Rafael, Veiga e Rony, mas o elenco passou por consideráveis modificações nas mãos de Abel. Desde novembro de 2020, quando o técnico fez sua estreia no comando alviverde, a diretoria mais se desfez de atletas, emprestando e vendendo, do que contratou. Em três anos, foram 17 contratações e 27 saídas.

Na era Abel, foram cinco saídas em 2021, 11 em 2022 e o mesmo número neste ano. Chegaram três atletas em 2020, quatro em 2021, oito em 2022, o ano em que a diretoria mais se mexeu no mercado com o início do mandato de Leila na presidência, e apenas dois em 2023 - o meio-campista colombiano Richard Ríos e o meia-atacante Artur.

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Com exceção de Gustavo Scarpa, que quis realizar o sonho de jogar na Europa, a diretoria se mostrou capaz de segurar os protagonistas nesta janela para que o time não se enfraqueça às vésperas de mais uma semifinal de Libertadores - a quarta seguida - e brigando de novo entre os primeiros colocados do Brasileirão. Não se sabe, porém, se o Palmeiras será capaz de manter seus atletas em 2024, quando pode haver uma renovação de peças no grupo. Se não conseguir, deve perder seu treinador multicampeão.

“Espero que segurem. Espero que o Veiga não vá para lado nenhum. Que o Rony, Zé, Gómez não vão para lado nenhum. Se eles começarem a ir para todos os lados, eu também tenho de ir”, afirmou Abel na semana passada. “Não faço milagres. Preciso deles, como eles precisam de mim”.

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