Mauro Beting reage à lista da Ancelotti para a seleção brasileira; assista
Colunista avalia como 'boa' a primeira convocação do técnico, mas faz algumas ressalvas; veja quais.
Um jogador de história na seleção brasileira prefere não comentar a respeito da muito bem-vinda chegada de Carlo Ancelotti. Não pelo treinador, que ele considera um dos melhores da história, mas pelo fato de um estrangeiro assumir o futebol pentacampeão mundial.
Não é xenofobia. Mas ele entende que o Brasil ainda ensina futebol, ainda dá aula, ainda dá gosto, embora não dê mais tanto resultado, liga e tanto show. Ele é um dos que tentam reconstruir um futebol que não aprendeu como devia no 1 a 7 no Mineirazen – a versão 2.0 do Maracanazo de 1950.

Não é o Brasil que desaprendeu a jogar, os outros estão jogando melhor. A partir do penta, em 2002, quando a família Scolari foi a última vencedora 100% em sete partidas de Copa, há um rodízio de campeões que nunca havia acontecido desde 1930. Depois do penta, a Itália foi tetra em 2006.
A Espanha ganhou o seu primeiro título em 2010 (e hoje é a melhor seleção para tentar o bi em 2026). Em 2014, a Alemanha foi tetra. Em 2018, a França foi bi e só não conseguiu o tri em 2022 porque parou nos pênaltis diante da tri Argentina (co-hermanos de grande escola e nomes como Messi em 2022, Maradona em 1986, e Videla em 1978...).
Hoje, não tem mais só o Brasil que ganha e que “perde” Copas. É muita prepotência e arrogância nossa achar que nós ganhamos cinco canecos e perdemos 17. Embora ainda seja o maior vencedor e o único país a disputar todos os Mundiais desde 1930, em muitos deles os rivais foram melhores. E não só quando o Brasil foi vice. Também em outras Copas em que a canarinho não foi longe, mesmo podendo, como em 1982.
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Cada vez mais gente sabe jogar bola, sabe estudar futebol, sabe marcar os rivais e também ter a riqueza étnica que parecia ser patrimônio brasileiro, como Gilberto Freyre já destacava, em 1938. A França, nos últimos dois mundiais, tinha mais de 15 atletas não nascidos no país (ou com ascendentes do Caribe, África, Ásia e de outros países da Europa).
Alemanha e Itália também. Mas potências campeãs têm cada vez mais gente de outros países fazendo seleções mais fortes e ricas, como quase sempre foi o escrete verde e amarelo - e mulato, preto, cafuzo, branco, indígena. Brasil de filhos de italianos, de netos de alemães, de bisnetos de portugueses, de tataranetos da África.
Cada vez mais o esporte é globalizado e multinacional em ligas, clubes e mesmo seleções. Um treinador antenado, cosmopolita, mundial e extremamente vencedor como Ancelotti só faz bem. Mas não é ele que entra em campo.






