O mundo da bola e o futebol pelo mundo

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Os 10 maiores técnicos da história da seleção brasileira, com Ancelotti no top 5

Ranking tem campeões mundiais e treinadores que passaram perto, mas não deixaram de marcar época com a equipe nacional

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Foto do autor Mauro  Beting
Atualização:

Mauro Beting: os 10 maiores treinadores da seleção brasileira

Italiano Carlo Ancelotti chega ao comando do Brasil nesta segunda-feira, 26.

A minha lista dos 10 melhores (mais do que maiores) treinadores nos 111 anos de história da seleção brasileira:

10º Flavio Costa

Talvez foi o treinador que mais apitou e mandou no futebol brasileiro. Talvez até mais do que deveria. Comandou o Brasil que deu show na Copa América de 1949. Fez ótima Copa até a virada final do Uruguai no Maracanazo. Merece respeito pelo trabalho na Seleção e também no Vasco.

9º Vanderlei Luxemburgo

Foi tão bom treinador em clube como Telê. Se não foi melhor. Ganhou fácil a Copa América de 1999 contra o sub-23 uruguaio e contra o time C da Argentina. Teve grandes vitórias e atuações contra excelente seleção albiceleste de Bielsa. Mas caiu feio com a Olímpica em 2000 contra nove camaroneses. E saiu por problemas pessoais do cargo em 2000, fazendo parte da campanha campeã.

Vanderlei Luxemburgo em convocação para a disputa do Pré-Olímpico - 21/12/1999. Foto: Fabio Motta/AE

8º Tite

Chegou à seleção em 2016 com atraso de ao menos dois anos. Transformou uma seleção sexta colocada em líder absoluta do torneio, com direito a coro do Mineirão lotado em grande vitória sobre a Argentina. Contra a Bélgica, o Brasil não teve um pênalti marcado, criou mais chances do que qualquer outra seleção em 2018, mas parou em Courtois e na pane inicial de meia hora de jogo. Passou fácil nas Eliminatórias do Catar contra a futura campeã Argentina, mas se perdeu nos desatinos individuais em 2022. Errou ao sacar antes Vini, ao não escalar antes Neymar nos pênaltis, ao não ficar com o grupo eliminado contra a Croácia. Mas merece muito mais reconhecimento do que tem.

Tite durante a convocação da seleção para Copa do Mundo do Catar na sede da CBF, zona oeste do Rio - 11/2022. Foto: Pedro Kirilos/Estadão

7º Vicente Feola

Fez quase tudo errado em 1966. Mas o primeiro treinador campeão mundial tem enormes méritos. Mesmo quase perdendo Garrincha por birra em 1958, mesmo tendo demorado a escalar Pelé na Suécia, soube compor elenco e ambiente muito bons, dando espaço a quem merecia.

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Vicente Feola marcou época no futebol brasileiro e conduziu a seleção ao título mundial. Foto: Arquivo/AE

6º Carlos Alberto Parreira

Estreou na seleção em 1983 expiando pecados da era Telê e da dor de Sarriá. Voltou excessivamente cobrado em 1991, foi xingado até 1993, quando enfim trouxe Romário, e o Baixinho nos trouxe o tetra. Merecidamente. De 2003 a 2006, ganhou emocionante a Copa América com time B em 2004, deu show na Copa das Confederações de 2005, mas decepcionou nas quartas de 2006. Ainda assim o saldo é mais do que positivo.

Carlos Alberto Parreira faturou o tetra com a seleção brasileira nos Estados Unidos - 22/05/1994. Foto: Masao Goto Filho/AE

5º Aymoré Moreira

Foi um dos melhores estrategistas da história. Em 14 meses conseguiu ser bi mundial em 1962, mantendo 14 do elenco de 1958, valorizando Garrincha, e superando a lesão de Pelé no segundo jogo. E ainda ajudando a CBD em outros momentos de transição.

Técnico Aymoré Moreira foi um dos mais importantes da história da seleção. Foto: Agilberto Lima/AE

4º Carlo Ancelotti

Estreia como um dos maiores treinadores da história do futebol. O melhor e maior treinador do Brasil dos clubes – Real Madrid. Maior vencedor da história do Brasil dos torneios continentais – a Champions. Conhecedor e fã do futebol e do atleta brasileiro, Carletto chega como quarto “melhor”. E pode ir além, mesmo com as limitações da nossa seleção em 2025.

Ancelotti chega à seleção brasileira com a missão de levar o time ao Mundial de 2026. Foto: Cristina Quicler/AFP

3º Luiz Felipe Scolari

Pegou a seleção em crise como quarto treinador nas Eliminatórias. Em um mês perdeu de Honduras na Copa América de 2001. Em menos de um ano foi 100% na Copa na Ásia. Voltou em 2012, em 2013 ganhou bonito no Brasil a Copa das Confederações, e perdeu horroroso no Mineirazen. Ainda assim o saldo é campeão.

Luiz Felipe Scolari levou o Brasil ao último título mundial, em 2002. Foto: Sebastião Moreira/AE

2º Telê Santana

Conquistou o mundo, mas não ganhou a Copa, em 1982. Como a Holanda de 1974 e a Hungria de 1954, o planeta bola perdeu com essas derrotas. Ainda mais a do Brasil na Espanha, alijado até das semifinais. Aquela derrota impregnou a praga pragmática que infelicitou o futebol mundial. Telê também foi eliminado nas quartas de 1986. Mas invicto, ainda que sem o mesmo brilho de quatro anos antes, também por problemas de relacionamento do treinador com o elenco e com membros da comissão técnica.

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O técnico da seleção brasileira, Telê Santana (e), e o preparador físico, Gilberto Tim (d), durante jogo amistoso do Brasil contra Portugal, no Estádio João Castelo, em São Luís (MA) - 05/05/1982. Foto: AE/Arquivo

1º Zagallo

Não é melhor treinador do que Telê Santana – biografias incomparáveis em nível de clubes a favor do mineiro. Mas o alagoano ao assumir a seleção de João Saldanha em 16 de março de 1970, e Zagallo mudar goleiro, zagueiro-direito, improvisar volante na zaga, trocar o lateral-esquerdo, segurar um pouco mais Gérson, improvisar Rivellino mais aberto, e enfim aceitar Tostão e Pelé juntos (como haviam dado liga nas Eliminatórias), em 16 de junho de 1970 ele foi campeão com a melhor seleção de todas as Copas. Zagallo ainda foi vice mundial em 1998. Quarto colocado em duríssima Copa de 1974. Muito importante como coordenador-técnico em 1994. E menos influente até as quartas de 2006. Não tem como não ser o maior nome. E treinador do melhor Brasil de todos – na opinião de Pelé, que jogou tanto em 1958 quanto em 1970.

O técnico Mario Jorge Lobo Zagallo segura bola durante treino da seleção brasileira na Copa de 1970, no México. Foto: Arquivo/AE

Zagallo completa a minha lista onde também caberiam Oswaldo Brandão (de ótimos resultados), Cláudio Coutinho (“campeão moral” de 1978) e João Saldanha (1969 e 1970).

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Opinião por Mauro Beting

Comentarista SBT, TNT, Xsports, N Sports e BandNews FM. Escritor e documentarista. Curador do Museu Pelé e do Museu da Seleção Brasileira.