OMS e agências de ajuda humanitária alertam para epidemia de fome em Gaza após 21 mortes em hospital

Declaração conjunta é a mais recente tentativa de chamar a atenção para a crescente crise de fome em Gaza

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Por Redação
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Israel e Hamas se acusam mutuamente de sabotar negociações para trégua em Gaza

Domingo de novos bombardeios israelenses contra a Faixa de Gaza, com mais 20 palestinos mortos confirmados por autoridades do território devastado pela guerra. Crédito: AFP

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LONDRES - Mais de 100 agências humanitárias e grupos de direitos humanos, incluindo a Save the Children e a Médicos Sem Fronteiras, alertaram na quarta-feira que a “fome em massa” estava se espalhando pela Faixa de Gaza, somando-se aos crescentes apelos para que Israel suspenda as restrições à ajuda humanitária ao território palestino.

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A OMS se juntou no início da tarde aos alertas, com o diretor-geral Tedros Adhanom dizendo que e “grande parte” da população da Faixa de Gaza sofre de fome e que o fornecimento de alimentos ao território palestino em guerra está “muito abaixo do necessário”

O alerta ocorre depois de um hospital da região ter relatado a morte de 21 crianças por desnutrição nesta quarta-feira, 23.

A declaração conjunta é a mais recente tentativa de chamar a atenção para a crescente crise de fome em Gaza. A declaração foi divulgada depois que 28 governos, incluindo aliados de longa data de Israel, como Reino Unido, França e Canadá, condenaram na segunda-feira a “distribuição de ajuda a conta-gotas” e afirmaram que o sofrimento dos civis havia “atingido novos níveis”.

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“Não sei mais como podemos descrever o que está acontecendo além de que há pessoas morrendo de fome em massa e isso é causado pelo homem”, declarou Adhanom em uma coletiva de imprensa em Genebra.

A Médicos Sem Fronteiras em Gaza relatou um “aumento acentuado e sem precedentes da desnutrição aguda”. Adultos frequentemente entram em colapso devido à fome, disseram as agências humanitárias, acrescentando que os estoques de alimentos e outros suprimentos de ajuda armazenados fora do território estavam sendo impedidos de chegar às pessoas necessitadas.

Naeema, uma mãe palestina de 30 anos, carrega seu filho desnutrido de 2 anos, Yazan, enquanto eles estão em sua casa destruída no campo de refugiados de Al-Shati, a oeste da Cidade de Gaza. Foto: Omar Al-qattaa/AFP

Israel bloqueou as entregas de ajuda entre março e maio, após o fim do cessar-fogo com o Hamas. Desde então, a Fundação Humanitária de Gaza, um grupo privado apoiado por Israel, administra um novo sistema no qual as pessoas se dirigem a alguns locais predefinidos em horários previamente combinados para receber ajuda.

As Nações Unidas afirmaram na semana passada que mais de 670 pessoas foram mortas nas proximidades dos locais de ajuda, muitas delas em consequência de tiros, e que centenas de outras ficaram feridas em uma série de incidentes quase diários.

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A declaração das agências e grupos de direitos humanos, também assinada pela Anistia Internacional, CARE e Christian Aid, afirma que o sistema liderado pela ONU, que anteriormente entregava ajuda a Gaza, não foi um fracasso, mas sim “impedido de funcionar”.

Eles acrescentaram: “As agências humanitárias têm capacidade e suprimentos para responder em larga escala. Mas, com o acesso negado, estamos impedidos de alcançar os necessitados, incluindo nossas próprias equipes exaustas e famintas.”

O governo israelense afirma que busca impedir o Hamas de roubar ajuda e também culpou as Nações Unidas por não distribuir os suprimentos que já estão em Gaza. Na terça-feira, o COGAT, órgão do governo israelense que supervisiona as políticas em Gaza e na Cisjordânia, informou que quase 4.500 caminhões de ajuda humanitária entraram em Gaza, transportando suprimentos que incluíam farinha para padarias e 2.500 toneladas de alimentos para bebês e alimentos com alto teor calórico para crianças.

“O gargalo na coleta continua sendo o principal obstáculo para manter um fluxo consistente de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, apesar dos esforços proativos de Israel para expandir o volume de caminhões de ajuda humanitária que entram na área”, afirmou o COGAT em um comunicado./ NYT E AFP

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