Apesar do pedido de Lula, Putin não faz parte da delegação russa para negociações com a Ucrânia

Lula incentivou Putin a participar das conversas com Zelenski, mas nome do presidente russo não aparece na delegação listada pelo Kremlin

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Por Redação
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MOSCOU - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ligou para Vladimir Putin e incentivou que ele participasse das negociações com Volodmir Zelenski para o fim da guerra na Ucrânia. Putin, no entanto, não consta na delegação do Kremlin para as conversas que ocorrem nesta quinta-feira, 15, em Istambul.

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O governo brasileiro confirmou a conversa por telefone entre Lula e Putin, mas reconheceu que “a composição das delegações de negociadores é uma prerrogativa soberana dos chefes de Estado”.

Lula havia expressado otimismo sobre as negociações ao falar com a imprensa ontem em Pequim. Ele disse que conversaria com Putin e esperava que russos e ucranianos começassem a “trocar palavras em vez de tiros”.

Lula e Vladimir Putin durante encontro no Kremlin em 9 de maio. Foto: Maxim Shemetov/Associated Press

Foi o próprio Putin quem sugeriu as conversas em Istambul como contraproposta ao cessar-fogo de 30 dias defendido pela Ucrânia e seus aliados. A Rússia não quis confirmar se o presidente estará presente na Turquia, mas seu nome não aparece na lista de negociadores divulgada pelo Kremlin.

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Zelenski, por outro lado, confirma presença em Istambul. Em mensagem divulgada nesta quarta-feira, ele acusou a Rússia de prolongar a guerra e agradeceu aos países que estão pressionando Moscou para que bombardeios cessem e negociações significativas ocorram.

Nas últimas semanas, a Ucrânia pediu ao Brasil e à China que tentassem convencer a Rússia a aceitar o cessar-fogo para então dar início às negociações pelo o fim da guerra, como mostrou o Estadão.

Lula levou o apelo ao presidente russo quando esteve na Rússia para as celebrações do Dia da Vitória. A data marca o triunfo da antiga União Soviética sobre a Alemanha Nazista na 2ª Guerra, mas foi apropriada por Vladimir Putin.

De Moscou, o presidente brasileiro seguiu viagem para Pequim, onde participou da Cúpula Celac-China e se reuniu com Xi Jinping.

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Em declaração conjunta, Lula e Xi expressaram apoio às negociações e defenderam o diálogo como “única forma de pôr fim ao conflito”. O documento, no entanto, não cita o cessar-fogo ou as garantias de segurança para Ucrânia.

A Rússia quer retomar as negociações a partir da proposta que apresentou em 2022, nas conversas diretas que teve com a Ucrânia no começo da guerra, mas que acabaram sendo abandonadas.

Por essa proposta, o poder militar ucraniano seria drasticamente reduzido e a Rússia teria poder de veto sobre qualquer assistência militar futura à Ucrânia. Além disso, Kiev não poderia aderir à Otan. Na prática, o país seria incapaz de se defender de novos ataques russos./COM AFP