Enquanto restabelece laços com os Estados Unidos, a Rússia aumentou as críticas ao Reino Unido e expulsou dois diplomatas britânicos acusados de espionagem. As ações levaram a agência de notícias Reuters, sediada no Reino Unido, a afirmar nesta sexta-feira, 14, que Moscou escolheu Londres como o novo inimigo número um.
A afirmação é baseada na declaração de diplomatas, que falaram sob anonimato para a reportagem da agência, após a acusação e expulsão de diplomatas britânicos. Segundo a Reuters, um dos diplomatas afirmou que Londres agora fomenta “o caos e a guerra” na Ucrânia.
As críticas públicas a Londres começaram no dia 10, com a declaração do serviço de inteligência estrangeiro da Rússia, conhecido como SVR. “Londres hoje, como na véspera das duas Guerras Mundiais do século passado, está agindo como a principal ‘belicista’ global”, disse o SVR. “Chegou a hora de expô-los e enviar uma mensagem clara à ‘pérfida Albion’ e suas elites: vocês não terão sucesso”, acrescentou.

Durante a maior parte da guerra, as críticas da Rússia se concentraram nos Estados Unidos, por causa do seu papel no fornecimento de ajuda a Kiev. Com o retorno de Donald Trump à presidência, no entanto, isso mudou.
Enquanto Moscou e Washington agora dialogam para o fim da guerra, a Rússia afirma que o Reino Unido tenta ocupar o lugar de líder do Ocidente na defesa da Ucrânia. A tese é baseada na disposição do primeiro-ministro britânico Keir Starmer de enviar tropas em uma potencial força de manutenção de paz na Ucrânia, que irritaria a Rússia.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, citado pela Reuters, disse que Starmer alimenta as tensões no exato momento em que Trump tenta acalmá-las.
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Expulsão de diplomatas
Além das críticas públicas ao Reino Unido, o serviço de segurança interno da Rússia (FSB) acusou na segunda-feira dois membros da Embaixada britânica em Moscou de serem espiões e os expulsou do país. As alegações foram rejeitadas por Londres.
Segundo a Reuters, diplomatas britânicos dizem que já sabem o que estão enfrentando. Desde o início da guerra, a Rússia tem expulsado diplomatas de forma retaliatória, que já diminuíram a equipe da Embaixada britânica em pelo menos 10 diplomatas.
Em resposta, o Reino Unido convocou o embaixador da Rússia em Londres na quarta-feira e expulsou um diplomata russo e a esposa de um diplomata. “Está claro que o Estado russo está ativamente tentando levar a Embaixada Britânica em Moscou ao fechamento”, disse o Ministério das Relações Exteriores Britânico, citado pela Reuters.
Mídia russa alimenta retórica
Em paralelo às críticas públicas e ações do Kremlin, colunistas da mídia estatal russa também aumentam a retórica contra Londres. Vladimir Kornilov, da agência de notícias RIA Novosti, escreveu nesta sexta-feira que o Reino Unido quer atrapalhar os esforços para o fim da guerra.
Políticos russos têm recorrido a frases do século 19 para descrever a política externa do Reino Unido em relação à Rússia. Outros, como o deputado Viacheslav Volodin, aliado de Putin, defendem sanções contra empresas britânicas que fecharam no país no início do conflito e podem reabrir após um acordo de paz.
Eles também relembram que o Reino Unido oferece treinamento e financiamento à Ucrânia e foi o primeiro país a prometer tanques de guerra, antes mesmo dos EUA. Londres também foi o primeiro a entregar mísseis de cruzeiro de longo alcance em um momento em que outros países hesitavam.
“Se hoje o Reino Unido está atingindo nosso território com seus mísseis da Ucrânia (...) considero isso uma boa razão para o Reino Unido deixar de existir”, disse Andrei Guruliov, um deputado pró-Putin e ex-comandante militar, à TV estatal em janeiro.




