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WASHINGTON - A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira, 3, por uma margem estreita, o megaprojeto fiscal do presidente Donald Trump. Por 218 votos a favor e 214 contrários, a aprovação encerra dias intensos de discussão em torno do projeto que diminui impostos para empresários, amplia gastos e reduz a verba de programas sociais.
Apelidado “One Big Beautiful Bill” (Um grande e belo projeto), o projeto deve aumentar a dívida pública dos Estados Unidos em cerca de US$ 3,3 trilhões (R$ 18 trilhões) ao longo dos próximos anos, segundo a estimativa do Escritório de Orçamento do Congresso dos Estados Unidos (CBO, na sigla em inglês).
A votação ocorreu depois de o projeto ser aprovado no Senado e contou com os votos contrários de dois deputados do Partido Republicano, do presidente. Agora, ele segue para a sanção de Trump.

O pacote estende a redução de impostos promulgados em 2017, que expiraria no fim do ano, e reduz a taxação sobre gorjetas e pagamentos de hora extras. Também aumenta os gatos em defesa e segurança de fronteiras e corta quase US$ 1 trilhão do Medicaid, que promove assistência à saúde nos EUA. Programas de assistência alimentar para os mais pobres também foram afetados.
Além disso, Trump também vai eliminar gradualmente créditos fiscais para energia limpa, que foram instituídos pelo governo de Joe Biden.
Também está incluído um aumento de US$ 5 trilhões no limite da dívida - uma medida que os republicanos normalmente não estão dispostos a apoiar, mas que foi necessária para evitar que o governo seja levado a dar um calote ainda este ano.
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A aprovação do projeto foi uma grande vitória para a Casa Branca e os republicanos do Congresso. Os deputados da base, que tiveram discussões acirradas esta semana sobre o pacote, alcançaram um consenso sob pressão de Trump.
Apesar disso, a aprovação é uma aposta política que deixa os republicanos vulneráveis e expostos antes da eleição de meio de mandato no ano que vem.
Pesquisas mostram que o pacote é impopular. Os democratas o denunciaram como uma medida para cortar programas governamentais cruciais para financiar isenções fiscais para os americanos mais ricos. Eles acusaram repetidamente os republicanos de serem tão cativados por Trump a ponto de aprovarem um projeto que prejudicaria seus próprios eleitores.
Durante as discussões em torno do projeto, os republicanos tanto na Câmara quanto no Senado deixaram claro que também estavam profundamente incomodados com algumas medidas. Como se quisesse destacar os riscos, e a intensa pressão interna do partido, o senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, chegou a afirmar esta semana que não buscaria a reeleição no ano que vem e chamou o projeto de desastre para o Medicaid - que Trump havia prometido proteger durante a campanha eleitoral.
O anúncio de Tillis, a quem Trump havia ameaçado com uma primária após se manifestar contra o projeto, foi um lembrete para os republicanos das consequências de contrariar o presidente em relação à medida.
Devido às pequenas maiorias republicanas nas duas câmaras parlamentares dos EUA, as divergências ideológicas entre os republicanos se tornaram evidentes. No final, a Câmara e o Senado aprovaram o projeto por apenas um voto, somente após negociações longas, contratempos e manobras parlamentares.
A Câmara ficou paralisada na quarta-feira e na manhã desta quinta-feira, nas horas que antecederam a votação final, por resistência dos republicanos a votarem a favor.
Trump, que se encontrou com republicanos durante toda a quarta-feira para pressioná-los a apoiar a medida, interveio com postagens furiosas nas redes sociais, ameaçando qualquer um que votasse contra. “(O movimento) MAGA NÃO ESTÁ FELIZ, E ISSO ESTÁ CUSTANDO VOTOS PARA VOCÊS!!!” escreveu na Truth Social, sua rede social.
O presidente se recusou a modificar o projeto - o que teria prolongado as discussões. Após a aprovação, Trump, comemorou em um comício com apoiadores a “vitória fenomenal”.
Trump abriu as comemorações do 250º aniversário da fundação dos Estados Unidos elogiando a lei impopular, que levantou preocupações dentro do próprio Partido Republicano e, segundo pesquisas, entre muitos americanos.
Os temores apontam para um aumento na dívida nacional, uma redução no apoio à saúde, à Previdência Social e à energia limpa, além de um potencial combustível para a onda de repressão à imigração de Trump.
“Não poderia haver melhor presente de aniversário para a América do que a vitória fenomenal que alcançamos há apenas algumas horas”, disse Trump a seus apoiadores em Des Moines, capital de Iowa.
“Simplificando, esta única e bela peça legislativa criaria a fronteira mais forte da Terra, a economia mais forte da Terra, o exército mais forte da Terra e garantiria que os Estados Unidos da América continuassem sendo o país mais forte deste lindo planeta”, acrescentou.
/NYT








