Colômbia escolhe um novo presidente
Colombianos vão às urnas em 31 de maio no primeiro turno das eleições para suceder Gustavo Petro. Crédito: Reportagem: Carolina Marins; Edição: Amanda Dantas
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BOGOTÁ - Um advogado milionário, de personalidade desinibida e que adotou na campanha o apelido de “El Tigre”, é a grande novidade das eleições presidenciais da Colômbia.
Abelardo de la Espriella tirou a direita tradicional da contenda com um discurso antissistema e de desprezo pela esquerda.
Aos 47 anos, o advogado com propostas de direita aspira pela primeira vez a um cargo público após anos dedicado a defender múltiplas personalidades do país, incluindo paramilitares, narcotraficantes e estrelas de futebol.
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No segundo turno em 21 de junho, enfrentará o senador de esquerda Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro.
Praticante da fé judaico cristã, caribenho e admirador de Donald Trump, De la Espriella deixou para trás sua vida de luxo na cidade italiana de Florença.
Radicalmente contra o primeiro governo de esquerda do país, apresenta-se como um comerciante próspero: “Eu não sou um vendedor de ilusões, sou um empresário de realidades”, disse à AFP durante a campanha.
Seu objetivo: “que a empresa mais importante do país, que é o Estado, seja gerida por pessoas que na vida criaram riqueza”, disse em sua sede de campanha em Bogotá, um prédio protegido por dezenas de soldados, policiais e seguranças. Na campanha, denunciou ameaças de morte e fazia discursos atrás de um vidro à prova de balas.
Inspiração em Trump, Milei e Bukele
Para alcançar seu objetivo, inspira-se nos mandatários Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele, pois acredita que “a política precisa de mais empresários e menos políticos”.
Ele aposta em enterrar o tribunal surgido do acordo de paz com a guerrilha das FARC em 2016, que julga os piores crimes do conflito armado.
Cantor de ópera amador, costuma vestir ternos impecáveis sem gravata e mocassins.
Na corrida eleitoral, recebe questionamentos sobre a origem de sua fortuna. Antes de aspirar à presidência, o advogado ostentava em suas redes sociais viagens em aviões privados, ternos de alfaiataria, chapéus e óculos de sol de luxo.
Durante a campanha presidencial, foi criticado por declarações consideradas machistas e homofóbicas, que no entanto não afetaram sua popularidade.
Quem é Abelardo de la Espriella
Pai de quatro filhos e apaixonado por golfe, afirma que tem “os culhões” para governar com “mão de ferro” o país com maior produção de cocaína do mundo.
“No meu governo, bandido que não se submeter (à Justiça) será eliminado”, sustentou. Para combater as máfias, quer aliar-se militarmente com os Estados Unidos e Israel.
De la Espriella se apresenta como uma pessoa destemida, que chegou “tarde à repartição do medo” e está disposto a fazer um “sacrifício” pela “pátria”.
Redes sociais e marca de roupas
Em várias de suas publicações nas redes sociais, sua figura se transforma em um felino de dentes afiados graças à inteligência artificial.
Em algumas fotografias, aparece fumando tabaco ou promovendo seus negócios de vinhos e runs. Além disso, tem sua própria marca de roupas chamada “De la Espriella Style”.
Defende o porte de armas, a redução do tamanho do Estado em 40% e quer construir megaprisões onde os presos estejam a “dez andares subterrâneos” alimentados “com pão e água”.
Até agora, o advogado se afastou da direita tradicional liderada pelo influente Álvaro Uribe (2002-2010), cuja candidata naufragou no primeiro turno.
Em fevereiro, afirmou que tinha “uma grande amizade” com o ex-presidente, com quem falava “quase todos os dias”. Mas perto das eleições enfrentou o partido de Uribe, considerado uma peça-chave para derrotar a esquerda no segundo turno.
Contrarrevolução cultural
De la Espriella chegou a se considerar ateu, mas diz que viveu um processo de transformação espiritual que o levou a se aproximar de Deus.
Embora constitucionalmente a Colômbia seja um país laico, a religião tem um forte peso eleitoral.
Na entrevista à AFP, o candidato reiterou seu desejo de realizar uma “contrarrevolução cultural” às ideias de esquerda para que o país possa “regressar a Deus”.
De la Espriella assegura que leva “a cor do Caribe”, onde cresceu “no estilo de Tom Sawyer”, pescando e brincando no campo.
Declarações polêmicas
Embora se destaque diante dos meios de comunicação, sua forma descontraída de falar lhe causou problemas. Em uma ocasião, afirmou que na Colômbia deveriam “esganar” a esquerda, declarações pelas quais depois pediu desculpas.
Em outra entrevista, contou que na juventude se divertia amarrando pólvora a gatos para fazê-los voar pelo ar, e sugeriu que os animais morriam. Posteriormente afirmou que se tratava de uma brincadeira. /AFP


