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Justiça ordena prisão provisória de ex-presidente de Honduras

Acusado de traficar cerca de 500 toneladas de cocaína aos EUA, Juan Orlando Hernández foi preso na terça-feira em sua casa

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Por Redação
Atualização:

TEGUCIGALPA - Um juiz da Suprema Corte de Honduras ordenou nesta quarta-feira, 16, a prisão provisória do ex-presidente Juan Orlando Hernández, após sua detenção ontem em Tegucigalpa, em resposta a um pedido de extradição dos Estados Unidos, com base em três acusações relacionadas a tráfico de drogas. Em uma delas, ele é acusado de traficar cerca de 500 toneladas de cocaína aos EUA através de Honduras.

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Na primeira audiência perante um juiz da Suprema Corte, Hernández também teve agendada uma segunda audiência, para apresentação de provas, no dia 16 de março, disse o porta-voz do Judiciário, Melvin Duarte.

O ex-presidente, por resolução do juiz, foi novamente encaminhado para uma unidade especial da Polícia Nacional, para onde foi levado ontem após ser preso em sua casa. O juiz não considerou adequado conceder "prisão domiciliar" a ele, conforme solicitado.

Dezenas de apoiadores do Partido Nacional de Hernández (PN, direita) se reuniram em frente ao tribunal, enquanto partidários do Libertad y Refundación (Libre, esquerda) comemoravam a prisão. Os dois grupos entraram em confronto.

Nesta primeira audiência, o juiz comunicou a Hernández as acusações dos EUA para que ele possa se defender e, em seguida, decidiu sobre a prisão provisória. O processo vai avaliar o pedido de extradição.

Ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández é escoltado por policiais após ser preso em Tegucigalpa, em 15 de fevereiro Foto: Honduras National Police/Handout via Reuters

Para os promotores dos EUA, Hernández foi cúmplice de seu irmão Tony Hernández, um ex-deputado que foi condenado à prisão perpétua por tráfico de drogas em Nova York no ano passado. Eles alegaram que o ex-presidente transformou Honduras em um "narcoestado". 

Durante o julgamento de Tony, os promotores afirmaram que o ex-presidente recebeu milhões de dólares em propinas de traficantes de drogas como Chapo Guzmán, que pessoalmente pagou US$ 1 milhão a Tony para subornar seu irmão. 

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Geovanny Fuentes, outro traficante hondurenho julgado em Nova York e condenado à prisão perpétua em fevereiro, foi acusado pelos EUA de agir em conluio com Hernández. 

O ex-presidente nega as acusações e alega que os Estados Unidos baseiam seus argumentos em declarações de traficantes de drogas e assassinos confessos extraditados por seu governo. 

Hernández é atualmente deputado do Parlamento Centro-Americano (Parlacen), benefício ao qual todos os ex-presidentes da região têm acesso ao deixar o cargo. 

Embora seus advogados afirmem que a posição lhe confere imunidade, os regulamentos do Parlacen não contemplam esse privilégio para quem não goza de imunidade em seu próprio país. 

O Parlacen também pode levantar e suspender as imunidades e privilégios de seus deputados a pedido dos governos dos países que o integram. 

O chefe da diplomacia dos EUA, Antony Blinken, disse na semana passada que Hernández foi incluído em julho em uma lista de pessoas acusadas de corrupção ou de minar a democracia na América Central, e ordenou "restrições de visto ao ex-presidente (...) devido a atos de corrupção"./AFP e EFE

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