Lula assiste a desfile militar e faz reunião com Putin na Rússia; veja vídeo

Em gesto ao russo, presidente brasileiro prestigia parada de 80 anos do fim da 2ª Guerra Mundial em Moscou

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Foto do autor Felipe Frazão
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Lula e Janja participam de celebração dos 80 anos do Dia da Vitória

Lula, Maduro e Canel foram os únicos governantes das Américas presentes na cerimônia russa. Crédito: Associated Press

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Enviado especial a Moscou - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta sexta-feira, dia 9, de uma série de eventos a convite do presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou. Lula é um dos únicos líderes de democracias ocidentais presentes na capital russa.

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A viagem do presidente brasileiro tem sido criticada por simbolizar uma espécie de apoio diplomático a um líder autocrata que controla o país com mão de ferro, persegue opositores e invadiu um país vizinho, a Ucrânia, atropelando acordos internacionais.

A lista de participantes inclui o líder da China, Xi Jinping, e chefes de outras 28 nações como Armênia, Azerbaijão, Belarus, Venezuela, Cuba, Bósnia, Burkina Fasso, Congo e Egito.

Lula começou o dia na parada militar de 80 anos do fim da 2ª Guerra Mundial, a celebração do Dia da Vitória, que marca a rendição da Alemanha nazista. Moscou foi toda decorada com bandeiras vermelhas e grandes painéis de led com imagens da guerra para a data.

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O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o Presidente do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, , no Kremlin em Moscou antes do desfile militar dedicado aos 80 anos da vitória sobre a Alemanha nazista  Foto: Alexei Nikolski / Kremlin / RIA Novosti

O desfile militar é tradicionalmente usado por Putin para reforçar o nacionalismo e projetar o poderio militar russo com exibições de equipamentos, como tanques, veículos blindados, peças de artilharia e mísseis - atuais e históricos - e homenagens ao Exército Vermelho soviético. Caças Sukhoi sobrevoaram Moscou.

Putin também busca demonstrar laços políticos amplos com a recepção a líderes estrangeiros. Desde a invasão da Ucrânia em 2022 a cerimônia vinha sendo esvaziada, assim como o relacionamento externo do russo.

Segundo meios de comunicação ligados ao aparato estatal russo, cerca de 30 líderes políticos globais devem participar das celebrações em Moscou - principalmente da Ásia, antigas repúblicas soviéticas e da África.

O Estadão conseguiu contar 23 presentes, mas os russos contabilizam apenas representantes enviados, caso da Nicarágua e Vietnã, e países não reconhecidos internacionalmente.

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Lula ao lado de autocratas e ditadores estrangeiros em parada militar promovida por Putin na Rússia Foto: Alexei Nikolski / Kremlin / RIA Novosti

Após as cerimônias, entre elas uma oferenda floral no túmulo do Soldado Desconhecido, e um almoço oferecido aos chefes de Estado e de governo, Lula vai ao Kremlin para uma reunião reservada com Putin.

Na véspera, Putin recebeu neste formato o presidente chinês, Xi Jinping, o convidado de maior peso político na capital russa, e antes os ditadores da Venezuela, Nicolás Maduro, e de Cuba, Miguel Díaz-Canel, além do presidente da República do Congo, Denis Nguesso.

Lula, Maduro e Canel foram os únicos governantes das Américas presentes na cerimônia russa.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, discursa na Praça Vermelha para líderes mundiais durante a parada militar em homenagem ao Dia da Vitória  Foto: Ilia Pitalev / Kremlin / RIA Novosti

À tarde, o presidente deve discutir com Putin a situação política internacional e a situação da guerra na Ucrânia - tema mais sensível da agenda.

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A presença do petista em Moscou irritou autoridades do governo ucraniano, que por meses tentaram no ano passado levar Lula a Kiev, sem sucesso. A interlocução piorou nos últimos meses. Zelenski chegou a descartar envolvimento do Brasil em negociações diplomáticas, mas depois retomou contato nos bastidores.

A viagem à Rússia, no entanto, tem potencial de degradar ainda mais as relações e render críticas a Lula no Ocidente.

Desde a posse de Donald Trump nos Estados Unidos o cenário mudou e Washington passou a liderar esforços de mediação com Moscou. Os europeus, que antes isolavam a Rússia, passaram a buscado apoio de Lula e outros líderes para defender a posição da Ucrânia e tentar convencer Putin a ceder.

Embora seja visto como mais inclinado a Putin, Lula vinha oficialmente defendendo que a posição do Brasil era levar os dois países à mesa de negociação para chegar à paz.

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Trump e Zelenski assinaram um acordo de minerais raros e concordaram com os termos de um cessar-fogo de 30 dias, mas Putin não aceitou os termos. Há um impasse vigente.

No fim de abril, os russos anunciaram unilateralmente um cessar-fogo de três dias que coincide com as festividades em andamento em Moscou, um gesto chamado de teatral por Zelenski.

A Ucrânia disse que não poderia garantir a segurança de líderes presentes em Moscou e manteve ofensiva aérea com drones nos últimos dias, o que provocou contratempos às viagens áreas para a cerimônia. Por causa dos ataques, o espaço aéreo de Moscou ficou fechado. Segundo autoridades russas, cerca de 60.000 passageiros foram afetados por voos cancelados.

Unidades do exército na Praça Vermelha em Moscou, durante o desfile militar para marcar o 80º aniversário da Vitória na 2ª Guerra Mundial  Foto: Alexander Vilf / Kremlin / RIA Novosti

A ideia de Lula é tratar novamente com Putin da proposta de negociação de paz sino-brasileira, para alcançar, de início um “cessar-fogo abrangente”.

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Lançada em meados do ano passado, a sugestão com seis pontos agradou a Moscou, mas não a Kiev. Ela não exige a retirada das tropas russas do território ucraniano, algo fundamental para o Ocidente.

Recentemente, passou a ser mais aceita a ideia de que tanto os russos quanto ucranianos sejam representados em conferências internacionais destinadas a discutir os planos de paz.

No ano passado, autoridades da China chegaram a falar no apoio de cerca de100 países, mas somente 11, além de Brasil e China, a endossaram em setembro, após encontro nas Nações Unidas, em Nova York.

Lula também quer discutir a relação comercial com Putin. Brasil e Rússia bateram recorde no ano passado, com trocas comerciais estimadas em US$ 12,4 bilhões. No entanto, o Brasil tem amplo saldo negativo de US$ 9,5 bilhões.

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Os principais produtos importados pelo País são o diesel e fertilizantes, considerados insumos essenciais para produção agrícola brasileira. E exporta principalmente café e carne bovina.

Desfile da Vitória

Lula assistiu, ao lado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, à parada militar na Praça Vermelha.

O desfile contou com milhares de militares, alguns trajados com fardamento de época, e unidades de antigas repúblicas soviéticas, como Belarus, Azerbaijão, Uzbequistão e Cazaquistão, entre outros.

Também desfilaram militares de países politicamente próximos a Moscou, entre eles das Forças Armadas do Egito e do Exército de Libertação Popular da China.

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente da China, Xi Jinping, na Praça Vermelha em Moscou, ao lado de veteranos russos na 2ª Guerra, em um desfile militar marcando o 80º aniversário da vitória na 2ª Guerra  Foto: Sergei Bobilev / RIA Novosti

Lula e demais líderes internacionais receberam os cumprimentos de Putin no Palácio do Senado russo, no Kremlin. Na noite anterior, eles foram recebidos para um banquete no Grande Palácio do Kremlin.

O presidente brasileiro também se reunirá com o primeiro ministro da Eslováquia, Robert Fico, no hotel Four Seasons, onde se hospeda em Moscou. No sábado, dia 10, ele se desloca para visita a Pequim, China.

O Brasil sedia o Brics neste ano, com uma cúpula de líderes prevista para julho no Rio, mas a presença de Putin é improvável, por causa de um mandado de prisão contra ele, acusado de deportação ilegal de crianças ucranianas, em nome do Tribunal Penal Internacional.