O que está por trás dos protestos na Bolívia contra Rodrigo Paz?
Escassez de alimentos e risco de violência ampliam crise provocada pelos bloqueios. Crédito: Fotografia e som: Léo Souza | Edição: Rafael Nogoceke
Gerando resumo
O presidente boliviano, Rodrigo Paz, apresentou um projeto de lei para regulamentar o estado de emergência no país. Se em vigor, a medida permitiria que o exército atuasse na remoção dos bloqueios de estradas ao longo de todo o território nacional. O movimento deu início a uma escassez de alimentos, remédios e combustível em várias cidades, e ao menos sete pessoas já morreram por falta de atendimento médico.
O anúncio foi feito nesta quarta-feira, 3, durante a apresentação do novo ministro da Defesa da Bolívia, Ernesto Justiniano. Na semana passada, a Câmara dos Deputados do país revogou uma lei de 2020 que exigia a aprovação do Congresso Nacional para declarar estado de emergência, que pode afetar ainda o direito de ir e vir e também o direito à reunião.

O novo chefe da pasta justificou a medida como uma forma de “restabelecer a normalidade”. “O diálogo está sempre aberto, mas aqueles que se recusam a dialogar não podem paralisar o país”, disse.
Mas apesar da proposta e da declaração de Justiniano, no mesmo dia, Paz voltou a propôr o diálogo como forma de resolução da crise política e econômica. Segundo ele, a participação das Forças Armadas na suspensão dos bloqueios seria uma ação “humanitária”.

Agricultores, trabalhadores, mineiros, caminhoneiros e professores, que inicialmente exigiam uma solução para a pior crise econômica do país dos últimos 40 anos, agora pedem a renúncia de Paz, no poder há quase de sete meses.
Devido à continuidade dos bloqueios, a escassez, que afetava La Paz, a capital do governo, e a cidade vizinha de El Alto, se espalhou para outras regiões. Os preços da carne e de vegetais dobraram nos mercados. A prefeitura de La Paz tem distribuído frango para tentar conter a escassez de alimentos.

Em algumas áreas de La Paz, o lixo se acumula e filas de veículos se formam em postos de gasolina. A capital do governo declarou estado de emergência sanitária nos centros médicos, priorizando o atendimento a pacientes em estado grave e emergências. /AFP




