Gerando resumo
Um áudio vazado, atribuído a um ex-integrante do governo argentino, acusou a secretária-geral da Presidência, Karina Milei - irmã mais nova e braço direito do presidente da Argentina, Javier Milei - de cobrar propina de indústrias farmacêuticas.
Diante das acusações, Javier demonstrou apoio a Karina, ao posar sorridente ao lado dela na primeira aparição pública após as denúncias, nesta segunda-feira, 25.
Os irmãos sempre foram próximos. Um dia após a posse como novo presidente da Argentina, Javier publicou no Diário Oficial do país uma alteração em um decreto de restrição à nomeação de parentes na administração pública para empossar a sua irmã como secretária-geral da Presidência.

Formação
Karina nasceu em Buenos Aires em 1972, dois anos depois de Javier. Antes de embarcar com o irmão na vida política, ela se formou em Relações Públicas na Universidade Argentina de Empresa e estudou Publicidade na Universidade de Belgrano, além de ter trabalhado na gestão de empresas e vendido bolos.
Chamada por Javier de “El Jefe” (Chefe), ela começou a trabalhar com o irmão na época em que ele fazia palestras como economista. Apesar de ter sido a líder da campanha presidencial de Javier em 2023, Karina sempre atuou nos bastidores e evita dar entrevistas.
A investigação sobre a suposta cobrança de propina de indústrias farmacêuticas não é a primeira polêmica na qual ela se envolve. Em fevereiro deste ano, Javier fez uma publicação na qual apontou que a criptomoeda $LIBRA incentivaria o crescimento da Argentina e deixou um link para o investimento. Após a mensagem, o ativo teve um aumento de 10 vezes em seu preço, mas despencou nas horas seguintes, fazendo com que milhares de investidores perdessem dinheiro investido. Milei então apagou a mensagem e disse que não estava ciente de detalhes do projeto.
Na época, o jornal argentino La Nación afirmou que um dos fundadores da $LIBRA disse em uma mensagem de texto para outro investidor que estava pagando Karina para que Javier fizesse o que ele precisava.
Leia mais
Milei abandonou perfil liberal e mostrou sua face esotérica, diz biógrafo de presidente da Argentina
Argentina tenta atrair brasileiros de volta ao país após queda acentuada no turismo
Como a Argentina de Milei articula um acordo militar secreto com o Reino Unido
Suspeita de cobrança de propina
O atual escândalo repercutiu na semana passada, após um áudio vazado do ex-integrante do governo argentino Diego Spagnuolo, que acusou Karina e o subsecretário de Gestão Institucional, Eduardo “Lule” Menem, de cobrar até 8% do faturamento de empresas farmacêuticas para obter contratos com o governo. O esquema renderia cerca de US$ 800 mil (R$ 4,3 milhões) mensais.
O primeiro áudio contra Karina vazou no dia 20 e teve repercussão imediata na Justiça e no governo da Argentina. A queixa na Justiça foi apresentada por Gregorio Dalbón, advogado da ex-presidente Cristina Kirchner, e ocorre no momento em que o Congresso acaba de anular o veto de Javier a uma lei que declarava emergência para pessoas com deficiência e fornecia mais financiamento para o setor. Ele fala em uma “matriz de corrupção”.
O Parlamento estuda abrir uma CPI para investigar as denúncias contra Karina, o que aumentaria o desgaste político.



