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Uma compreensão visual e analítica do que está acontecendo no mundo

Uma compreensão visual e analítica do que está acontecendo no mundo

A difícil tarefa que as marcas têm de não ferir os sentimentos do povo chinês; veja no vídeo

No programa Fronteiras, Rodrigo da Silva explica o que fere os sentimentos da nação

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Foto do autor Rodrigo da Silva

Há alguns anos, um funcionário da rede de hotéis Marriott estava de plantão em Omaha, no Nebraska, no meio dos Estados Unidos. O trabalho dele era cuidar das redes sociais da empresa. Numa madrugada, ele curtiu um tweet, de um grupo pró-Tibete, agradecendo a Marriott por listar o Tibete como “país” num questionário enviado a clientes.

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Só isso.

O governo chinês mandou a Marriott tirar do ar seus sites e aplicativos na China por uma semana. A empresa pediu desculpas públicas – em chinês. E demitiu o funcionário, Roy Jones, de49 anos.

Corta para maio de 2026. Longos oito anos depois. A Lululemon, marca canadense de roupa de ginástica, organiza um festival de ioga na Muralha da China para celebrar dez anos no país. Com direito a duas mil pessoas e uma apresentação de tambores.

Tripulantes do navio Qi Jiguang da Marinha do Exército de Libertação Popular da China (PLA) acenam enquanto o navio se prepara para atracar ao lado da bandeira chinesa no Porto de Tanjung Perak, em Surabaya, em 2 de agosto de 2026, em resposta a um convite da Marinha da Indonésia Foto: Juni KRISWANTO / AFP

Dias depois, um percussionista chinês repara num detalhe: o tambor usado no evento parecia um taiko – um tambor japonês –, e não um tambor tradicional chinês.

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A Lululemon teve que pedir desculpas públicas, apagar todo o material promocional e prometer tomar mais cuidado.

Por um tambor.

Há uma expressão em chinês para isso: “ferir os sentimentos do povo chinês”. 伤害 了 中国 人民 的. Há décadas, Pequim utiliza dessa tática como intimidação diplomática. É um instrumento político poderoso. Há até verbete na Wikipedia a respeito.

Segundo o pesquisador David Bandurski, entre 1959 e 2015, o Diário do Povo utilizou 143 vezes da tática “ferir os sentimentos do povo chinês”. O Japão lidera a corrida de ofensas, com 51 acusações. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 35.

Até 2009, 42 países haviam sido acusados de ofensa à China. E não apenas nações desenvolvidas, mas também Guatemala, Malawi, Honduras e Nicarágua.

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Durante as Olimpíadas de Pequim, em 2008, a expressão foi usada tantas vezes que provocou uma onda de posts e artigos nos veículos ocidentais tentando entender por que o governo chinês ficava magoado com absolutamente qualquer coisa.

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Só o Diário do Povo utilizou a expressão “ferir os sentimentos do povo chinês”, acusando nações e organizações de desrespeitar a China, 88 vezes nos meses que antecederam as Olimpíadas de 2008.

Em 2023, o Congresso chinês propôs uma emenda à lei de segurança pública punindo com até 15 dias de detenção, sem julgamento, quem usasse em público roupas ou símbolos que “ferissem os sentimentos da nação chinesa”. Aconteceu o inesperado: a própria sociedade chinesa reagiu. Em uma semana, cerca de cem mil pessoas mandaram críticas ao projeto pelo site do Congresso Nacional do Povo. Juristas chineses perguntaram, publicamente: quem define o que fere os sentimentos da nação? Um policial de esquina?

Na coluna em vídeo acima, no programa Fronteiras, Rodrigo da Silva explica melhor essa história.

Programa fronteiras

O programa Fronteiras é uma coluna em vídeo semanal. Os vídeos inéditos vão ao ar sempre aos sábados, às 5h30, para assinantes do Estadão.

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Cortes do programa são distribuídos ao longo da semana nas redes sociais e na coluna semanal de Rodrigo da Silva, publicada às segundas-feiras, às 20h.

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Opinião por Rodrigo da Silva

É jornalista e criador do canal Spotniks, do YouTube. Em suas colunas, usa texto, vídeo, gráfico, mapa e fotografia para ajudar o público a entender os maiores eventos globais, com clareza e contexto.