TURNBERRY - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 28, que estabeleceu um novo prazo de “10 ou 12 dias” para que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, concorde com um cessar-fogo na Ucrânia.
“Vou estabelecer um novo prazo, de cerca de 10 ou 12 dias a partir de hoje. Não há motivo para esperar. Eram 50 dias, eu quis ser generoso, mas simplesmente não vemos nenhum progresso sendo feito”, disse Trump, durante uma reunião em Turnberry, na Escócia, com o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer.
No dia 14 de julho, o presidente americano havia dado um prazo de 50 dias para que Moscou e Kiev concordassem com uma trégua. Durante a coletiva de imprensa, Trump afirmou estar “decepcionado” com Putin por não ter encerrado a guerra na Ucrânia.

O republicano apontou que conversou diversas vezes com o presidente russo desde que retornou a Casa Branca em janeiro e está frustrado com os resultados das conversas. “Depois das nossas ligações o Presidente Putin sai e começa a lançar foguetes em alguma cidade como Kiev e mata muitas pessoas em um asilo ou seja lá o que for. Você tem corpos espalhados por toda a rua. E eu digo que não é assim que se faz.”
Os oficiais ucranianos foram rápidos em agradecer Trump por encurtar o prazo para a Rússia terminar a guerra na Ucrânia. Andriy Yermak, chefe de gabinete do presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, disse em uma publicação nas redes sociais que os comentários do republicano demonstravam que ele estava comprometido com a “paz através da força”. “Putin respeita apenas o poder — e essa mensagem é alta e clara.”
Questionado por jornalistas, o presidente americano disse que não se encontraria com Putin neste momento.

Ultimato de Trump
Essa é a segunda vez que Trump ameaça punições a Moscou se o país optar por continuar a guerra na Ucrânia. Dessa vez, o republicano não mencionou quais seriam as retaliações americanas, mas no dia 14 de julho Trump disse que poderia aplicar taxas de 100% contra produtos russos.
A ameaça de Trump se refere a tarifas diretas, o que teria um impacto mínimo em Moscou, pois a Rússia vende muito pouco para os Estados Unidos (menos de US$ 5 bilhões em 2024).

Mas Trump também ameaçou com tarifas secundárias, que puniriam o setor energético da Rússia e seus clientes - essa seria uma sanção grave, que afetaria países como Índia, China e até o Brasil, um dos maiores compradores de óleo diesel russo.
“Tarifas secundárias são muito poderosas. Espero que dê certo”, disse Trump, citando taxas de até 100%. A Rússia está sob sanções ocidentais desde a invasão da Ucrânia.
Crise humanitária em Gaza
Durante a coletiva de imprensa ao lado de Starmer, Trump também disse que os Estados Unidos irão aumentar a ajuda humanitária para a Faixa de Gaza. “Queremos ajudar e precisamos alimentar as crianças”.
O presidente americano destacou que não concorda com a recente afirmação do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, de que não havia fome em Gaza e reclamou que ninguém lhe agradeceu por fornecer ajuda ao território palestino, depois que o governo Trump aprovou um financiamento de US$ 30 milhões para ajuda humanitária.
Saiba mais
Trump dá ultimato a Putin, exige trégua na Ucrânia em 50 dias e ameaça com ‘tarifas severas’
Como Trump mudou seu tom em relação a Putin e à guerra na Ucrânia
Por que a tática de Trump de pressionar Putin pode dar certo dessa vez?
Os dois líderes disseram que irão conversar sobre a crise humanitária no território palestino. Eles devem realizar uma reunião no clube de golfe de Trump em Turnberry, na Escócia, e depois irão jantar em um outro clube de Trump, em Aberdeen.
Londres e Washington também vão discutir maneiras de resolver discordâncias sobre as tarifas de 25% dos EUA sobre o aço e o alumínio do Reino Unido. Em junho, os dois países assinaram um acordo comercial./com NYT e AP




