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Conheça a banda que faz sucesso com versões ‘norteñas’ para canções de Taylor Swift e Adele

A EZ Band se tornou viral ao colocar instrumentos comuns ao ritmo mexicano em músicas como ‘Blank Space’ e ‘Easy On Me’

Por Jesus Jiménez

THE NEW YORK TIMES - LIFE/STYLE - A versão de Jaime Guevara de Hey There Delilah parece de início mais um cover do original da banda Plain White T’s. Mas, alguns segundos depois, um acordeão entra no arranjo e, em seguida, o cantor muda a voz do inglês para o espanhol.

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Interpretando a letra e o sentimento da canção para um novo público, ele canta: “¿Qué tal, Delilah? Aquí estoy si te sientes sola.”

A música, que foi sucesso da metade para o fim dos anos 2000, de repente se torna uma norteña, balada de um gênero regional mexicano que se apoia em instrumentos acústicos como o acordeão.

Músico de Houston, Guevara e sua EZ Band adaptaram mais de uma dúzia de covers para o estilo norteño, como Creep, do Radiohead, e Easy on Me, de Adele - e têm feito sucesso.

A versão da EZ Band para Hey There Delilah foi tocada mais de um milhão e meio de vezes no Spotify e pelo menos dois milhões de vezes no TikTok. Já a versão de Santeria, da Sublime, chegou a chamar a atenção de uma página de fãs. Mais recentemente, a banda se aventurou na terra dos fãs de Taylor Swift com uma versão de Blank Space, do álbum 1989.

Falando em entrevista sobre o recente aumento de interesse pela EZ Band e pelo álbum Make it Norteño Vol. 1, Guevara, de 33 anos, observou: “Mudou muita coisa na minha vida.” (Usa-se tanto norteña como norteño para descrever os artistas, as canções e os prêmios do gênero, porque os substantivos e adjetivos têm gênero em espanhol; no Grammy, por exemplo, há uma categoria chamada Melhor Álbum Norteño.)

É claro que covers de gêneros diferentes não são novidade. Canções dos Beatles foram transformadas em polca e Hotel California foi tocada com ukulele. Mas a música da EZ Band está expandindo seu público num momento em que a música norteña e outros gêneros regionais mexicanos, como o tumbados, estão se tornando mais populares.

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A mistura de canções que já estiveram em algum momento no top 40 com a música norteña dá aos americanos de várias gerações a oportunidade de se conectar com um patrimônio musical que nem sempre conhecem ou que deixaram para trás, além de apresentar o som único do estilo a novos públicos dos Estados Unidos.

Segundo Celestino Fernández, professor de sociologia aposentado e consultor da Universidade do Arizona, o som da música norteña tem influências da década de 1840, quando os alemães começaram a ocupar o que hoje é o sul do Texas. “Eles trouxeram sua música, e o acordeão era um instrumento fundamental para a valsa e a polca. Depois, os mexicanos criaram o gênero norteño com o violão de 12 cordas.”

Nascido em Monterrey, no México, Guevara disse que seus covers são fruto de sua formação: cresceu ouvindo música norteña graças a seu pai, que tocava nos ônibus mexicanos a troco de gorjetas. Quando se mudou para Houston com a família, aos nove anos, foi exposto a novos gêneros musicais em um novo idioma. Mais tarde, sua esposa, que é de Minnesota, apresentou-lhe um amplo repertório do pop americano. “Minha geração cresceu ouvindo músicas em inglês, mas, ao mesmo tempo, tem família que ouve norteño. Muita gente me escreve dizendo: ‘Você está juntando meus dois mundos’”, contou o músico.

Durante décadas, o norteño foi mais popular em suas regiões de origem: o norte do México, a Califórnia e o sudeste dos EUA. Mas, nos últimos anos, ganhou novo reconhecimento, graças, em parte, à proeminência de outros artistas latinos como Bad Bunny e Peso Pluma. Ambos colaboraram com bandas de norteño.

Desde que Peso Pluma colaborou com a banda regional mexicana Eslabon Armado em Ella Baila Sola (Ela dança sozinha), a canção alcançou a quarta posição na Hot 100 da Billboard, principal ranking da música pop, e foi tocada mais de 380 milhões de vezes no YouTube.

“Eu não imaginava que ela chegaria ao ponto a que chegou. Foi meio surpreendente ver como explodiu”, afirmou Guevara sobre o atual interesse pela música norteña.

Professora de etnomusicologia da Universidade do Norte do Texas, Catherine Ragland disse ter percebido esse interesse no próprio bairro onde mora. Adolescentes que antes escutavam rap e reggaeton no carro estão agora ouvindo música regional mexicana.

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Na opinião dela, ouvir música tradicional pode ser uma maneira de conectar à sua cultura aqueles imigrantes que se mudaram para os Estados Unidos recentemente ou ainda crianças. “É uma maneira de se sentirem mais como mexicanos autênticos e realmente se identificarem com isso. Quanto mais se voltam para esses estilos antigos, mais se sentem de fato ligados a alguma coisa.”

Mas uma explicação mais simples para a popularidade atual do norteño talvez seja o fato de ser cativante e fácil de dançar. “O norteño é música dançante. Nos eventos, as pessoas gostam de dançar - e mexicanos e mexicanos-americanos sempre vão a muitos eventos “, observou Fernández.

Os integrantes da EZ Band em Houston. Foto: Arturo Olmos/The New York Times

Segundo ele, é comum que bandas norteñas sejam contratadas para tocar em batizados, cerimônias de primeira comunhão, casamentos e funerais no México e em partes dos Estados Unidos. Em Houston, a EZ Band já tocou em bares, festas e, mais recentemente, em um show no intervalo de um jogo da Major League Soccer.

Adriana Torres, de 38 anos, de Maryland, disse que conheceu a EZ Band nas redes sociais e foi fisgada pelo som. “Aquilo me fez voltar imediatamente para o passado. Cresci ouvindo músicas norteñas e outros gêneros mexicanos. Esse som toca não só pessoas como eu, mexicanas-americanas, mas todo mundo.”

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