PUBLICIDADE

Professor Titular de inteligência artificial na Faculdade de Saúde Pública da USP

Professor Titular de inteligência artificial na Faculdade de Saúde Pública da USP

Três anos do marco zero da IA moderna: reflexões sobre o aniversário do ChatGPT

Do resumidor perfeito da internet ao sonho de um descobridor do que ainda não sabemos

PUBLICIDADE

Foto do autor Alexandre  Chiavegatto Filho

Três anos do marco zero da IA moderna: reflexões sobre o aniversário do ChatGPT

Do resumidor perfeito da internet ao sonho de um descobridor do que ainda não sabemos. Crédito: Estadão

Há datas que funcionam como pontos de inflexão na história. Em 30 de novembro de 2022, um chatbot deixou o laboratório, invadiu bares, salas de aula e sessões do Senado e a inteligência artificial (IA) nunca foi a mesma.

O que torna essa data ainda mais interessante é que ela pegou os próprios pesquisadores de IA de surpresa. Até 2022, a pesquisa em IA era dominada pela IA preditiva. Estávamos focados em classificar imagens, predizer a incidência de doenças e estimar novas vendas. A IA generativa era vista como uma curiosidade acadêmica, algo que estava no radar, mas ainda era considerada muito distante de uma aplicação prática massiva.

ChatGPT completa três anos  Foto: Alice Labate/Estadão

PUBLICIDADE

De repente, o futuro chegou. Diferentemente de outras grandes invenções, como a lâmpada ou o telefone, identificar quem criou o ChatGPT é um desafio complexo. Não houve um único momento de eureca, mas sim uma construção coletiva de décadas, culminando em um algoritmo que apareceu sem um pai ou uma mãe.

Talvez a maior ironia desses três anos seja o Teste de Turing. Durante décadas, acreditamos que o momento em que uma máquina conseguisse se passar por um humano seria o maior marco da nossa civilização. Aconteceu, passamos por ele, e ninguém pareceu se importar. O evento que deveria parar o mundo foi apenas uma terça-feira comum na internet.

Hoje, a onipresença da IA generativa é inegável. Praticamente todos usam, embora muitos ainda não admitam, mantendo a IA como uma ferramenta secreta para e-mails difíceis ou relatórios complexos.

Publicidade

Isso reflete uma mudança importante no mercado de trabalho, em que estamos migrando da era da execução para a era da direção. O valor profissional deixou de estar na capacidade de escrever o texto ou o código na mão e passou a estar na habilidade de orientar o algoritmo, julgar o resultado e guiar o produto final para o melhor caminho.

Com a chegada do Gemini 3 na semana passada, já estamos nos aproximando do limite de qualidade dos grandes modelos de linguagem (LLMs) treinados com dados existentes. Já temos, na prática, o resumidor perfeito da informação disponível na internet e do conhecimento humano acumulado.

O desafio para os próximos anos será ir além. Agora precisamos de novos algoritmos de IA que deem o próximo passo lógico e tenham a capacidade de gerar novas descobertas. O próximo grande marco não será um chatbot que escreve melhor, mas um sistema que nos ajude a curar doenças inéditas, descobrir novos medicamentos e resolver teoremas matemáticos que, até hoje, permanecem sem solução.

Se isso acontecer, talvez daqui a algumas décadas olhemos para 30 de novembro de 2022 não apenas como o dia em que a IA aprendeu a conversar, e sim como o primeiro passo para a humanidade trabalhar em parceria com as máquinas e transformar essa colaboração em novas descobertas.

Vale ler também
Coluna da Broadcast
Mercado vê oferta de ações voltarem apenas após sinalização de ajuste
Coluna da Broadcast
Lei de resseguros exigirá ajuste no balanço e trará competitividade, diz CEO do IRB
Pedro Fernando Nery
Sidônio, Brasil precisa de 3 salários mínimos: comunicação pode destravar impasse da desvinculação
Opinião por Alexandre Chiavegatto Filho

Professor Titular de inteligência artificial na Faculdade de Saúde Pública da USP.