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Amazon está pronta para vendas diretas no Brasil, diz BTG

Ações de varejistas locais como Magazine Luiza e B2W caem com a notícia; relatório aponta que empresa americana terá competição à altura no Brasil

Por Agências
Atualização:
Empresa está perto de iniciar vendas diretas de categorias como eletrônicos no Brasil, dizem analistas Foto: Mike Segar/Reuters

A gigante Amazon está pronta para avançar com as vendas diretas de mercadorias no Brasil, após atrasos desencadeados principalmente por uma estrutura logística insuficiente e pela complexidade do sistema tributário brasileiro, informaram nesta segunda-feira, 21, analistas do BTG Pactual em relatório.

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A publicação do banco de investimento fez as ações de varejistas brasileiras figurarem entre os destaques negativos da bolsa paulista. "Conforme nosso canais de checagem, após um atraso de mais ou menos três meses, a Amazon lançará sua plataforma de venda direta (1P) no Brasil para um amplo portfólio de itens hoje ou nesta semana", escreveram Fabio Monteiro e Luiz Guanais.

Na avaliação deles, o foco maior da Amazon no segmento de venda direta significa que a empresa está pronta para fortalecer os investimentos, potencialmente via parcerias com operadores e transportadoras que atuam no regime conhecido como "última milha", em que produtos comprados pela internet são entregues em poucas horas.

Ainda segundo a equipe do BTG, superados os problemas logísticos no Brasil, a companhia lançará sua mais bem sucedida funcionalidade em todo o mundo, conhecida como Fulfillment by Amazon. "Mas esperamos que adote uma abordagem gradual, dada a concorrência de participantes como B2W e Magazine Luiza", ponderaram. A expectativa de início das vendas diretas pressionava as ações de varejistas brasileiras, que estavam entre os piores desempenhos do índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa.

Às 15:20 (horário de Brasília), os papéis da B2W perdiam 3,76%, enquanto os da controladora Lojas Americanas seguiam na mesma direção, com recuo de 2,74 por cento. Magazine Luiza cedia 3,04% e Via Varejo se desvalorizava 0,82%.

Monteiro e Guanais alertaram que a notícia deve trazer volatilidade às ações de empresas de comércio eletrônico no Brasil no curto prazo. "Desde 2016, no entanto, nós sinalizamos que o comércio eletrônico brasileiro estava propenso a um crescimento secular, com um mercado posicionado para pelo menos triplicar até 2025, atingindo R$ 200 bilhões em Gross Merchandise Vale (GMV)", afirmaram.

Eles observaram ainda que, apesar do sucesso da Amazon na Alemanha, no Reino Unido e nos Estados, seu forte crescimento na Índia e a posição de liderança no Japão, a expectativa é de que a empresa siga enfrentando concorrência acirrada no Brasil de participantes já bem estabelecidas no mercado, que investiram nos últimos em anos para construir um ecossistema completo que prioriza a experiência do usuário. "Esse cenário deve impedir a Amazon de crescer rápido no Brasil. Em nosso estudo, ela compete por uma participação de mercado de duplo dígito baixo", completaram. 

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