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Como o 'pequeno' Deezer tenta vencer os 'gigantes' Spotify e Apple Music

Serviço francês com forte presença no Brasil arma estratégia global para se destacar contra rivais no streaming de música

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Por Agências
Os escritórios da Deezer em Paris, na França Foto: Reuters/Charles Platiau

Do gospel brasileiro ao reggaeton de Porto Rico, passando pelo hip-hop holandês, o serviço de streaming de música Deezer está procurando os nichos de mercado no qual pode se destacar para competir de frente contra pesos-pesado como Spotify e Apple. 

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A empresa francesa fundada em 2007 sabe que tem pouca esperança de ter sucesso com seus competidores atacando no mercado de hits globais como Taylor Swift e Ed Sheeran. No lugar disso, a empresa tem apostado em gêneros locais, em mercados em que a música não é cantada em inglês, acreditando que pode atrair seus fãs, em um posicionamento de mercado "alternativo". 

Parte dessa estratégia começou neste ano, com um programa chamado Deezer Next, no qual times de editores locais tem de identificar talentos em gêneros de nicho e criar conteúdo original com eles, da mesma forma que o Netflix. 

É uma forma da empresa não só diferenciar seu catálogo, mas também de reduzir sua confiança nas gravadoras, que ficam com boa parte das receitas do serviço de streaming. A Deezer diz dar 60% de sua receita para as gravadoras, mas tenta negociar para reduzir essas margens no futuro. Hoje, a Deezer tem 40 editores no mundo – no Brasil, quem faz esse serviço é uma mulher, Yasmin Muller. 

"Acredito na localização do conteúdo", disse Hans-Holger Albrecht, presidente executivo do Deezer, à Reuters. "O Spotify é focado em playlists. Nós queremos nos diferenciar. Foi o que nos fez ser o principal serviço para fãs de gospel no Brasil." Além do conteúdo, o Deezer também foca em mercados que o Spotify ainda não entrou, especialmente na América Latina e na África. 

Negócios. Achar um caminho lucrativo para isso, porém, é apenas uma das muitas difíceis tarefas da empresa, que tem hoje cerca de 9 milhões de assinantes em todo o mundo. Para efeitos de comparação, o Spotify tem hoje cerca de 60 milhões de assinantes globalmente. 

Controlada pelo investidor bilionário Len Blavatnik, hoje o Deezer perde 60 milhões de euros por ano nessa aposta local, mas espera que o crescimento do serviço de streaming ganhe aceleração nos próximos anos para tornar os esforços suficientemente válidos. "É um mercado muito jovem, com penetração global de 10%. Ainda há muito potencial", diz Albrecht. 

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A expectativa do banco Goldman Sachs é que, em 2030, o setor de streaming de música fature US$ 28 bilhões, em crescimento de 16% ao ano. Hoje, a Deezer fatura 300 milhões de euros por ano, e é líder de mercado na França, onde a empresa já é lucrativa há cinco anos. "Isso mostra que nosso modelo pode ser lucrativo e precisamos de tempo para replicar o sucesso no exterior", disse Albrecht.No mercado global, a empresa está em quarto lugar, atrás de Spotify, Apple Music e Amazon Music. 

Hoje, os usuários do Deezer ouvem uma média de 30 a 60 horas de música por semana, o que permitiu à empresa calibrar seu algoritmo para recomendar às pessoas o que elas querem ouvir no trabalho, na academia ou em casa, junto com playlists feitas pelos 40 editores da companhia espalhados pelo mundo.  / TRADUÇÃO DE BRUNO CAPELAS

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