Startup de medicina Sanar demite 60 e pega funcionários de surpresa

Ex-colaboradores atribuíam à empresa clima amigável no ambiente de trabalho e dizem que não previam as demissões

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Foto do author Elisa Calmon
Foto do author Guilherme Guerra
Por Elisa Calmon e Guilherme Guerra
Atualização:

A startup baiana Sanar passou a integrar nesta semana a lista de startups brasileiras que têm anunciado demissões. A plataforma de educação médica desligou ao menos 60 funcionários, cerca de 13% do quadro total da equipe, segundo fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast. A startup confirmou as demissões em nota.

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Os ex-colaboradores relatam que foram pegos de surpresa. A notícia da demissão veio por meio de reuniões rápidas, de cerca de 5 minutos, no início do expediente na quarta e quinta-feira passadas. Logo em seguida, eles afirmam à reportagem que já não tinham mais acesso aos sistemas da empresa. 

“Sabemos que cortes são inevitáveis e fazem parte do jogo. O problema é que a empresa vende uma filosofia de saúde mental e feedback, mas não existiu nada disso (no momento da demissão)”, disse uma das fontes ouvidas pela reportagem.

Ao Estadão, a Sanar confirmou, em nota, que fez demissões na empresa. "Com a volatilidade dos mercados públicos e a incerteza do cenário macroeconômico, a Sanar optou por buscar mais eficiência e sinergias internas".

“Tudo era muito transparente na empresa. Não imaginávamos que as demissões chegariam nesse ponto de cortar 60 pessoas em um dia”, afirma Marcela Carvalho, que trabalhava na startup até quinta-feira como analista de marketing. “Foi uma total surpresa.”

Aos funcionários, a startup negou que as demissões tenham sido motivadas por má performance, mas tampouco apresentou justificativa dos cortes, ainda de acordo com relatos recebidos com a condição de anonimato. 

As demissões afetaram diferentes áreas da empresa, incluindo branding, design, vídeos, marketing, recrutamento e comunicação. 

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A Sanar atua como uma plataforma de estudo para profissionais da área de saúde. O conteúdo engloba desde aulas para alunos da graduação até para médicos já formados que buscam especialização. O objetivo é que a assinatura acompanhe o profissional ao longo da carreira.

No final de maio, a startup anunciou a compra da Cetrus, plataforma de educação médica especializada, por R$ 166 milhões. A operação contou com investimentos dos fundos Valor, Vox, DNA, Península e Green Rock. Na época, a Sanar destacou que a operação foi a maior aquisição do setor de educação continuada no Brasil.

Ubiraci Mercês, presidente executivo da startup de saúde Sanar Foto: Sanar

Sanar se junta nas demissões

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A baiana se junta a outras startups brasileiras que vêm pisando no freio em meio à alta global dos juros. Com avaliação superior a US$ 1 bilhão, os “unicórnios” QuintoAndar, Loft, Facily, Olist, Vtex e Mercado Bitcoin realizaram cortes nos últimos meses. Nesta semana, a mexicana Kavak, startup mais valiosa da América Latina, enxugou 150 de trabalhadores de suas operações em São Paulo e no Rio de Janeiro.

A pressão sobre as startups brasileiras é global. Com a alta nos preços apertando o consumidor, a alta dos juros promovida pelos bancos centrais afugenta investidores e força fundos de investimento a diminuir os aportes em companhias de tecnologia nos próximos meses. A consequência disso é que as startups devem procurar aumentar margens de receita para continuar em expansão ou até mesmo desacelerar, realizando cortes.

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