Startup Nomad faz demissões 3 meses depois de levantar US$ 32 milhões

Especializada em operações financeiras em bancos dos EUA para brasileiros, fintech vai inaugurar sala VIP no Aeroporto de Guarulhos

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Por Guilherme Guerra
Atualização:

A startup Nomad, dedicada à abertura de contas em instituições financeiras nos EUA, realizou na quarta-feira, 3, a demissão de 20% a 30% do seu quadro de funcionários. Cerca de 70 pessoas foram desligadas, apurou o Estadão. Procurada pela reportagem, a companhia não confirmou o número, mas diz que a medida serve para garantir “a alta performance da empresa nos próximos anos”.

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Por meio de chamada de vídeo, a startup realizou os cortes em diversas áreas, como investimentos, jurídico e departamento pessoal. Os funcionários demitidos vão receber mais dois meses de plano de saúde, fim do desconto do vale-alimentação no holerite, ajuda na recolocação profissional e duas sessões com coach de carreira, apurou a reportagem.

Aos funcionários, a Nomad atribuiu as demissões à falta de previsão para captar dinheiro em novas rodadas de investimento. Com a alta global dos juros, guerra na Ucrânia e chance de recessão econômica mundial, fundos de investimento reveem estratégias e fecham a torneira dos cheques, essenciais para alavancar startups no mercado de inovação.

A fintech brasileira, porém, havia levantado uma rodada de investimento de US$ 32 milhões em maio deste ano, com intuito de expandir o modelo de negócio. O aporte havia sido liderado pelo fundo americano Stripes, seguido por Monashees, Spark Capital, Propel, Globo Ventures e Abstract. 

Além disso, a Nomad iniciou obras para ter uma uma sala de espera no Aeroporto Internacional de Guarulhos, com vista para a pisa de pouso, com alimentação e descanso para viajantes. A previsão de entrega é para novembro deste ano. 

Os cortes pegaram os ex-funcionários de surpresa, dado o aporte de maio e a recente inauguração da startup. “Não sei se eles precisavam ter feito as demissões ainda, porque estão bem nas metas do ano”, comenta uma pessoa demitida ao Estadão. “Investiram muito em alguns projetos, como o do aeroporto, e agora não têm parte do recurso necessário para esse momento mais turbulento.”

Em nota, a Nomad diz que investimentos na empresa devem continuar sendo feitos, além de esperar crescimento de dez vezes no faturamento deste ano em relação a 2021. 

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“A readequação do quadro garante a alta performance da empresa nos próximos anos, além da disponibilidade de caixa para endereçar as novas oportunidades vislumbradas para os próximos meses com maior intensidade”, escreve o presidente executivo da startup, Lucas Vargas, em nota. “A Nomad irá direcionar sua energia operacional para as oportunidades que se apresentam no momento presente da empresa, acelerando o desenvolvimento de produtos e serviços, e o crescimento de sua base de usuários brasileiros.”

A fintech Nomad é comandada por Lucas Vargas, fundador junto com Eduardo Haber e Patrick Sigrist Foto: Divulgação/Nomad

Crise nas startups se alastra pelo mercado

As demissões na Nomad acendem um sinal amarelo para as startups em estágio inicial, ou seja, as companhias de tecnologia que começam a ganhar escala. Recentemente, as startups Alice, Provi, Zenklub, Sanar, Sami, Zak e LivUp também já realizaram cortes, junto com os unicórnios Kavak, QuintoAndar, Loft, Facily, Vtex, Ebanx, Mercado Bitcoin e Olist

Agora, a crise parece se alastrar para as startups menores, até então imunes ao cenário de escassez de capital. Isso porque, nos últimos meses, fundos de investimento desembolsaram mais cheques nessa categoria de startups, enquanto unicórnios perceberam queda em aportes.

Agora, o cenário parece estar sob mudança.

Nesta semana, a Y Combinator, principal aceleradora de startups do mundo, reduziu em 40% o número de startups contempladas em seu programa de verão na comparação com 2021. A firma atribuiu o cenário aos desafios macroeconômicos impostos. Meses antes, havia recomendado aos fundadores de suas startups que “se preparassem para o pior cenário possível” nos próximos meses, declarara em carta interna.

Para o mercado, a mudança de postura do Y Combinator indica turbulência em todo o ecossistema de inovação do mundo, incluindo pequenas startups.

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