46% dos alunos de federais que declaram raça se dizem negros

Levantamento com novos dados do Censo da Educação Superior estima em 50,2% os autodeclarados brancos

RAFAEL MORAES MOURA / BRASÍLIA , ., O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2012 | 03h07

Cerca de 46% dos alunos das universidades federais que declararam cor ou raça se consideram negros (pretos ou pardos), revela levantamento do Estado com base em novos dados do Censo da Educação Superior 2011, divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). A informação não diz respeito ao total da população universitária porque, na maioria dos casos, essa informação não foi prestada.

Das 6.739.689 milhões de matrículas, 2.319.455 trazem informações sobre cor ou raça dos estudantes. O levantamento do Estado fez o recorte por raça no universo de alunos que se definiram como brancos, pretos, pardos, amarelos ou indígenas.

Dos estudantes das federais que declararam raça, 50,2% se disseram brancos; 13,1%, pretos; 32,5%, pardos; 3,75%, amarelos; e 0,46%, indígenas. Cerca de 51,17% da população brasileira se diz preta, parda ou indígena segundo o último Censo demográfico do IBGE; esses grupos, somados, representam 46,06% dos universitários das federais com informação de cor ou raça declarada no Censo do Inep.

A Lei das Cotas determina que no próximo vestibular 12,5% das vagas nas instituições federais sejam reservadas a alunos que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas, alcançando-se 50% em quatro anos. A legislação combina critérios raciais e sociais, fixando que as vagas sejam preenchidas segundo a proporção de pretos, pardos e indígenas em cada unidade da Federação, conforme o último Censo do IBGE. No Estado de São Paulo, pretos, pardos e indígenas representam 34,73% da população.

Considerando a totalidade das instituições de ensino superior do País, tanto as públicas (das esferas municipal, estadual e federal) quanto as privadas, a proporção de estudantes autodeclarados brancos é de 61,9%; de pretos, 7%; de pardos, 27,8%; de amarelos, 2,8%; de indígenas, 0,4%.

Os primeiros dados do Censo apontaram aumento no número de pretos e pardos de 18 a 24 anos com ensino superior no País: de 1,8% em 1997 a 8,8% em 2011

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