À CPI, delegado implica Delta em irregularidades, diz senador

O depoimento do delegado da Polícia Federal Alexandre Marques de Souza na CPI que investiga as relações do empresário Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e privados trouxe indícios que implicam a construtora Delta em irregularidades, segundo relato do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que participou da reunião a portas fechadas em que o delegado depôs.

REUTERS

08 Maio 2012 | 20h36

Para Rodrigues, as explicações de Marques de Souza, responsável pela Operação Vegas da Polícia Federal, "oficializam algumas certezas". Entre elas a de que há "indícios fortes de envolvimento amplo da empresa Delta", disse o senador.

"A precaução recomenda que todos os contratos da empresa (em âmbito federal) sejam suspensos", acrescentou o parlamentar.

Segundo ele, a fala do delegado também deixa mais evidente a participação dos deputados Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) e Sandes Júnior (PP-GO) e do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) nas irregularidades.

"Estou mais convencido do envolvimento dos parlamentares com a organização criminosa do senhor Carlos Cachoeira", afirmou.

O deputado Silvio Costa (PTB-PE) disse que a CPI precisa focar sua investigação nos "soldados de Cachoeira" e entre eles estaria o ex-diretor da construtora Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu.

"Quem detona CPI via de regra? É o baixo clero da organização... São mais de 80 envolvidos. Baixo clero é aquela gente que está na periferia do poder da organização. Então eu acho que, por exemplo, é fundamental ouvi-lo (Cláudio Abreu), talvez ele tenha muitas explicações a dar ao país", argumentou.

Na próxima semana, a comissão analisará novos requerimentos de convocação e entre eles estão pedidos para depoimentos de empresários que trabalhavam na Delta antes do escândalo que deflagrou a CPI.

Também está previsto o depoimento de Carlinhos Cachoeira, para a próxima terça-feira. Ele está preso desde fevereiro, acusado de chefiar uma quadrilha que explorava jogos ilegais.

Nesta terça-feira o Conselho de Ética do Senado abriu processo contra Demóstenes. Segundo denúncias publicadas na imprensa, baseadas em interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal, o senador repassou a Cachoeira informações de reuniões reservadas que manteve com autoridades.

Demóstenes, que era filiado ao DEM, deixou o partido após a sigla abrir processo de expulsão contra ele após as denúncias.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

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