Advogada reage e mata dois assaltantes em praia de São Luís

Criminosos tentavam assaltar joalheria e dispararam contra cliente; mulher diz que vai se entregar nesta quinta

Wilson Lima, especial para O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2008 | 19h42

Dois assaltantes foram mortos nesta quarta-feira, 24, pela manhã por uma advogada em uma tentativa de assalto a uma joalheria na Rua 14 de Julho, na Praia Grande, centro histórico de São Luís (MA). A advogada, filha da proprietária da loja e cujo nome não foi revelado pela Polícia Civil, reagiu a um tiro dado por um dos assaltantes e está foragida. Ela promete se entregar à polícia nesta quinta-feira. A tendência é que ela não seja presa. O delegado que está respondendo pelo caso entendeu que ela agiu em legítima defesa.   Por volta das 10 horas, Gedeon Alves dos Santos, de 22 anos, e Silvam Rubens dos Santos, de 23 anos, chegaram em uma motocicleta, armados com um revolver calibre 38 e uma pistola 380 milímetros e anunciaram o assalto. Havia quatro pessoas na loja: duas vendedoras, uma cliente e a advogada.   No momento em que eles anunciaram o assalto, a cliente reconheceu um dos assaltantes porque já teria sido vítima de um outro roubo praticado pela dupla. Percebendo o nervosismo de Natália, um dos assaltantes resolveu dar um tiro em sua coxa esquerda. Nesse instante, a advogada, assustada, pegou a sua arma numa gaveta da loja e disparou dois tiros.   Um tiro atingiu o peito de um criminosos e o outro homem foi atingido na cabeça. Os dois criminosos morreram no local. Já cliente Natália Nascimento foi internada em um hospital de São Luís e passa bem. "Foi tudo muito rápido" disse, nervosa, Francisca Ferreira, uma das funcionárias da loja.   A advogada evadiu-se do local instantes após ter disparado os tiros que mataram os dois assaltantes. Segundo informações da assessoria jurídica da advogada repassadas à Polícia Civil, ela deveria ter se apresentado ainda nesta quarta-feira, mas, foi aconselhada a se apresentar apenas na quinta. Os advogados informaram que ela estava bastante abalada com o caso e que foi obrigada a tomar tranqüilizantes após o incidente.   Ainda conforme informações da assessoria jurídica da advogada à polícia, ela tinha feito um curso de tiro e comprado essa arma após ter sido assaltada há cerca de dois anos. A loja, conforme informações de moradores da Praia Grande, também já foi assaltada outras duas vezes desde a sua inauguração. E os homens que foram assassinados pela advogada já tinham passagem pela polícia por outros assaltos praticados na capital maranhense.   De acordo com o delegado titular da Delegacia de Roubos e Furtos de São Luís, Rodson Almeida, responsável pelo caso, não há intenção de prender a advogada pela morte destes dois homens. Segundo ele, a advogada apenas exerceu o direito da legítima defesa. "O primeiro disparo foi do bandido e ela apenas revidou. Se alguém atenta contra a sua vida, você tem o direito à defesa. E foi o que aconteceu", afirmou o delegado.   "Se não encontrarmos fatos que mudem o nosso entendimento inicial de que esse foi um caso de legítima defesa, a tendência é que esse caso será arquivado. Mas isso somente poderá ser feito mediante a apuração de informações, de depoimentos e de análise dos laudos do Icrim [Instituto de Criminalística] sobre esse caso", projeta o titular da Delegacia de Roubos e Furtos. Os laudos do Icrim devem ficar prontos em até 15 dias. O inquérito tem 30 dias para ser concluído.

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