Aécio festeja decisão do TSE de autorizar prévias no PSDB

Depois de passar meses pregando a realização de prévias para a escolha do candidato do PSDB que vai concorrer à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, comemorou nesta quarta-feira a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de liberar as primárias no partido.

REUTERS

25 de março de 2009 | 20h54

Para Aécio, a decisão foi "adequada, absolutamente dentro das nossas expectativas".

"Acho que agora o caminho está aberto para que o partido possa, através da sua Executiva Nacional, se reunir e regulamentá-las (as prévias)", disse o governador, que disputa com o governador de São Paulo, José Serra, a indicação do partido para concorrer a 2010.

Ele fez ponderações. "Havendo consenso, obviamente, a prévia se torna desnecessária", avaliou.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é o principal líder do PSDB a defender o entendimento para a definição do candidato a presidente. Ele voltou a dizer nesta semana que apenas se não houver entendimento o partido deve optar pelas prévias.

A decisão do TSE ocorreu na noite de terça-feira, em resposta a um questionamento feito pelo PSDB sobre a legalidade das prévias.

Apesar da autorização, a Justiça Eleitoral impôs uma série de restrições à forma como elas devem ser feitas, incluindo a proibição da participação de eleitores que não forem filiados à legenda. Sobre a divulgação da consulta, o tribunal proibiu uso do site do partido, para evitar propaganda eleitoral antecipada.

Mesmo com a disputa interna com Serra, Aécio afirma que não haverá racha no partido, independentemente da escolha.

"Obviamente, quem não vencer terá o compromisso de ser o primeiro a aliar-se à candidatura vitoriosa. Eu acredito que temos espaço para percorrer o Brasil, temos tempo para discutir", disse, referindo-se à possibilidade de viajar junto com Serra, como ocorreu em Recife no último dia 17.

Em relação às restrições impostas pelo TSE, Aécio Neves acredita que elas não prejudicarão o processo.

"Eu não esperava uma decisão diferente. Poderia até preferir que houvesse uma possibilidade de uma prévia um pouco mais abrangente. Mas, nos termos em que ela foi colocada, acho que atinge os seus objetivos. Acho que foi um passo importante e agora é aguardar a decisão por parte da direção nacional do partido", disse.

Animado com o resultado de pesquisa do Datafolha divulgada nesta terça-feira, segundo a qual é o governador mais bem avaliado do país, Aécio ressaltou que a decisão do TSE não é uma imposição e não descarta a possibilidade de acordo para a escolha do candidato.

MENSALÃO

"Não tenho a menor ideia de que contribuição eu possa dar a esse processo". Essa foi a posição de Aécio Neves em relação ao fato de ter sido arrolado como testemunha de defesa pelo ex-deputado federal Roberto JéJeffersonfferson no processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o esquema de compra de apoio no Congresso conhecido como "mensalão".

O governador afirma que ainda não marcou data e local para seu depoimento à Justiça --uma prerrogativa do cargo-- e adianta que não sabe o que poderá dizer no processo. "O deputado Roberto Jefferson arrolou uma centena de testemunhas, pegou as figuras mais notórias do país para testemunharem sobre o mensalão. Recebi um comunicado. Respondi por escrito que só se pode testemunhar sobre aquilo que se conhece", disse.

(Reportagem de Marcelo Portela)

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