Agência anticorrupção egípcia ordena prisão de Mubarak e mulher

A agência egípcia de combate à corrupção anunciou nesta sexta-feira que interrogou o ex-presidente Hosni Mubarak e sua mulher, como parte de uma investigação sobre acusações de corrupção, e ordenou a detenção dos dois enquanto as investigações prosseguem.

REUTERS

13 de maio de 2011 | 12h13

Investigadores interrogaram Mubarak, que negou ter cometido qualquer delito, por mais de três horas na quinta-feira na cidade turística de Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho, e interrogaram a mulher dele, Suzanne, na sexta-feira, informou a agência estatal de notícias Mena.

De acordo com a Mena, a mulher de Mubarak será detida por 15 dias. Fontes judiciais e de segurança disseram que ela será transferida para um presídio do Cairo.

Foi a primeira ordem de detenção emitida contra a mulher do presidente deposto, mas um promotor público já ordenara a prisão de Mubarak em 13 de abril em conexão com uma investigação distinta por abuso de verbas públicas e a morte de manifestantes.

O governante de 83 anos, que foi deposto em fevereiro por um levante popular, está internado em um hospital de Sharm el-Sheikh desde que sofreu problemas de saúde durante seu interrogatório inicial.

No mês passado, o promotor ordenou a transferência de Mubarak para o hospital de um presídio do Cairo, mas disse que levará pelo menos um mês para serem feitos os preparativos necessários.

Citando Assem el-Gohari, funcionário sênior do Ministério da Justiça, a agência de notícias disse: "Durante a investigação, o órgão confrontou Mubarak com relatos de reguladores relativos a ganhos ilegítimos que não condizem com sua renda legítima ao longo de sua carreira política".

A Mena também informou que o ex-presidente e sua mulher assinaram documentos em árabe, inglês e francês concordando em revelar informações sobre suas contas bancárias no Egito e no exterior.

Alguns relatos da mídia sugerem que a fortuna da família Mubarak possa totalizar bilhões de dólares -- um ponto crucial levantado nos protestos antigoverno, em um país no qual cerca de 40 por cento da população sobrevive com menos de 2 dólares por dia.

Em 22 de fevereiro, o Ministério do Exterior egípcio ordenou a suas embaixadas no mundo árabe e países ocidentais que congelassem os bens do líder deposto e de sua família.

No início deste mês o Ministério do Exterior da Suíça disse que o país encontrou 410 milhões de francos suíços (462,5 milhões de dólares) identificados como sendo de Mubarak.

(Reportagem de Alexander Dziadosz e Yasmine Saleh)

Tudo o que sabemos sobre:
EGITOMUBARAKDETENCAO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.